A MÍSTICA DO NÚMERO DOZE.

A mística do número doze  
 
O número doze é claramente uma alegoria utilizada pelos mestres de Israel para simbolizar conhecimentos arcanos de grande profundidade. Embora não se refute aqui a historicidade das doze tribos de Israel como núcleo base da sua formação nacional, é de se lembrar que esse número sempre aparece conectado com a mística que envolve toda a tradição e a cultura do povo israelita.

Todavia, desde épocas perdidas nas brumas do tempo, esse número tem excitado a imaginação das pessoas mais sensíveis aos
mistérios da natureza. Não é privilégio de Israel o culto ao número doze, embora tenha sido esse povo que mais o utilizou para disseminar elementos de sua cultura espiritualista.
Desde a mais remota antiguidade o número doze tem servido a muitos povos para trabalhar as mais variadas idéias sobre o universo e suas leis. Os mestres da antiga Caldéia, sabidamente peritos em astrologia e outros conhecimentos arcanos, estabeleceram a base do sistema numérico caldeu em torno do número doze e não no número dez, que é o nosso sistema numérico atual, inspirado nos árabes. Para eles o espaço e o tempo eram divididos em doze segmentos representados pelas doze esferas siderais. Por isso havia doze meses do ano, doze horas diurnas, doze horas noturnas, doze signos e doze casas do zodíaco.
 
Os hermetistas viam o número doze como símbolo representativo da formação, tanto da matéria física do universo quando da sua essência espiritual. Por isso encontraremos em muitos tratados de alquimia referências ao número doze como símbolo do mais perfeito conhecimento, onde estaria contido o segredo da pedra filosofal. É que por ser múltiplo perfeito de três, ele conteria a tríade de elementos essenciais para conseguir transformar metais imperfeitos(chumbo, estanho, ferro)  em metais perfeitos (ouro, prata), usando como base misturas de mercúrio, sal e enxofre, ( os três metais básicos da natureza) trabalhados com os quatro elementos essenciais (água, ar, terra e fogo).
Esse número exerce também poderosa influência nas tradições chinesas. É um dos números favoritos dos mestres arcanos da China.  Tanto que o zodíaco chinês é formado por doze animais que formam um círculo que completa um ciclo de doze anos. Nesses doze animais estão distribuídas todas as virtudes da vida que a divindade pôs na terra. Por isso o supremo conhecimento está em observar e reproduzir os movimentos e as virtudes desses animais. Ao adquirir essas qualidades, o homem assume a personalidade perfeita. Daí o desenvolvimento de técnicas de exercício e lutas marciais como o Tai Chi Chuan , o Kung Fu, e outras práticas, que se regem pelo estrito cumprimento das Doze Virtudes de Ouro.
O número doze influencioiu também a música, pois a escala musical é formada por doze graus cromáticos (do, do#, re, re#, mi, fa, fa#, sol, sol#, la, la#, si),, com os quais o compositor austríaco Arnold Schönberg aperfeiçoou o sistema dodecafônico serial, que ainda hoje serve para o ensino da música no mundo todo.
 
Mas é na grande tradição da Cabala que o número doze encontra suas maiores aplicações como símbolo do conhecimento espiritual. Segundo os mestres dessa antiga tradição, esse número simboliza toda a obra de Deus na construção do edifício cósmico. Ele resulta da combinação interna das quatro letras do nome de Deus,(IHVH) dando como resultado doze possíveis combinações (4.3). Essas combinações estariam retratadas na Árvore Sefirótica, com suas dez emanações visíveis (materiais) e as duas invisíveis (espirituais). Assim, as dez séfiras que compõem a Árvore da Vida, seriam as dez etapas de manifestação da divindade no universo material e as duas manifestações espirituais seriam representadas pela séfira oculta Daath e a personalidade do Cristo.
                         

A Cabala cristã entende que o universo material é construído pela Divindade Suprema que se apresenta numa tríplice forma enérgica e se manifesta em quatro planos de existência. Os três planos são simbolizados pelo Pai, o Filho e o Espírito Santo. Os quatro planos de existência são as quatro esferas metafíscas em que a energia da divindade se manifesta e são conhecidos como o mundo da emanação (a luz) chamado Atziloth;o mundo da  criação( a energia), chamado Briah; o mundo da formação( os elementos atômicos da constituição universal), chamado Yetzirah, e o mundo da forma, da materialização propriamente dita, ( a matéria universal) chamada de Assiah.

Essa concepção é claramente uma adaptação da Cabala judaica que vê o universo da mesma forma, embora na sua constituição ela elimine as concepções cristãs que tendem a atribuir a Jesus Cristo a representação do filho de Deus. A Cabala judaica tradicional vê, entretanto, na constituição do povo de Israel e nos seus institutos religiosos e culturais uma réplica sim bólica do trabalho de Deus na edificação do edifício cósmico.  
Daí as expressões simbólicas fundamentais presentes em toda a história do povo de Deus: As 12 tribos de Israel, os 12 signos do Zodíaco, as 12 maldições (Deuteronômio, 14; 26), os 12 apóstolos de Cristo, os 12 Juízes, (seis maiores e seis menores), os doze profetas maiores e os doze menores, os (12.12= 144) “assinalados” do Apocalipse de São João, etc.

Filon, escritor judeu dos tempos de Cristo,embora contestado pela maioria dos mestres de Israel, dizia que foi para honrar esse número que Moisés dividiu o povo de Israel em doze tribos. Segundo esse historiador, jamais existiu um Jacó (ou Israel) com seus doze filhos, sendo essa mais uma metáfora do que uma verdade histórica mesmo.[5] Por isso há tanta profusão de invocações ao número doze nos Ordenamentos Mosaicos (doze tribos, doze pães de preposição, doze pedras preciosas no peitoral dos pontífices, etc).
 



 
[1]Essa tese também é defendida por Israel Finkermam e e Neil..., em sua obra “A Bíblia não Tinha Razão”, mna qual esses estudiosos sustentam que o povo de Israel é originário da própria Palestina e a saga bíblica foi uma epopéia criada pelos cronistas so rei Josias (   para dar á história de Israel um caráter de grandiosidade que justificase a ocupação da Palestina
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 17/02/2012
Reeditado em 17/02/2012
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