TAO TE KING- A PERFEIÇÃO SUPREMA

 
 
“ A Virtude Suprema é sem virtudes, por isso é Virtude.
A virtude inferior é apegada às virtudes, por isso não é Virtude.”
                                                                               TAO TE KING- VERSO 39


A morte é um conceito que só existe porque o seu contrário, a vida, dá-lhe substância. Não houvesse vida não haveria morte. Uma se alimenta da outra. Assim ensina o Tao. Só quem tem consciência de si mesmo sabe que está vivo. Vida é, mais que tudo, um fenômeno da consciência. O homem pensa e por isso julga que existe.
Ele mede sua existência por unidades de tempo como se o tempo fosse uma realidade concreta e não uma mera abstração que depende de uma memória para existir.
Tempo e memória são os dois vetores da vida.Se a memória da humanidade desaparecesse, desapareceria também o tempo e com ele a história e todas as coisas que identificam o fenômeno da vida. A vida se tornaria uma coisa amorfa, sem identidade e sem finalidade, coisa despregada de qualquer sentido.
E os homens não temeriam mais a morte porque então não teriam consciência do passado e nem expectativas de futuro. Viveriam num eterno presente onde apenas o sentimento de dor e satisfação seriam os únicos indicativos da sua existência.
Então ganharíamos, finalmente, a imortalidade que tanto procuramos, pois que cada momento vivido seria eterno como o próprio universo.
Os animais não sofrem com as dores passadas nem com as incertezas do futuro. Não sabem que envelhecem e que a morte se aproxima. Por isso agem com naturalidade, procurando apenas o prazer e evitando a dor. Com isso não odeiam nem amam, apenas “sabem” o que é bom e o que é ruim pelo resultado que obtém nas suas ações. Diferente de nós eles aprendem a esquecer sem precisar aprender a perdoar.
Imperecíveis são as coisas que “não dão vida a si mesmas”, pois quando não se atribui a si mesmo a qualidade de existência, é possível surgir e desaparecer do mundo real como se fosse um fenômeno perfeitamente natural. Torna-se parte da natureza. Não se regozija quando nasce, não sofre quanto morre. Vai e vem na roda da vida como a água que move o moinho e não a razão pela qual ele se move.
Aquele que aprende essas coisas, diz o Tao, não se coloca adiante de nada, não corre para passar na frente de ninguém, e no entanto, sempre estará na dianteira de tudo e de todos.
O herói necessário sempre surge quando se precisa dele e sai de cena quando cumpre sua tarefa. Nunca é encontrado na hora de se prestar homenagens.Sua obra, para ele mesmo, é sem importância. E por ser sempre útil, jamais é esquecido.E por ser desapegado a ninguém incomoda. E por não buscar uma perfeição que não existe ele encontra a Perfeição Suprema.   

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Comentário ao Tao Te King, verso 39- Lao Tse- Ed. Attar, São Paulo, 1988.
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 27/02/2012
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