Por Que as Mulheres Escrevem Mais Cartas do Que Enviam?

Autor: Darian Leader (psicanalista inglês, fundador do centro para análise e pesquisa Freudiana em Londres).

Descobri este livro por acaso, em uma estante de uma loja de 1,99. Por adorar comprar livros baratos, o que freqüentemente rende uma leitura surpreendente. Este foi um dos melhores exemplos, simplesmente fiquei hipnotizado por este livro, apesar de seu titulo pouco estimulante, ele indaga sobre as diversas diferenças psicológicas entre homens e mulheres, com embasamento cientifico sem ser chato, trazendo exemplos cotidianos e pitorescos. Sendo uma leitura que vale muito mais apena pelas questões que suscita do que pelas respostas que nos traz.

Resenha do Livro

Diferenças entre homens e mulheres:

“Eu conheço você” é provavelmente a pior coisa que um homem pode dizer a uma mulher, e ao mesmo tempo a melhor coisa que uma mulher pode dizer a um homem. Enquanto a maioria dos homens gosta de ser incluída em generalizações, muitas mulheres não gostam. Coisa que é bem conhecida pelos vendedores. Se um vendedor quer vender um casaco para um homem, é só dizer que todo mundo esta usando, se quiser vender para uma mulher é só dizer o contrário, que ninguém tem um igual, que é uma peça exclusiva.

Mas por estranho que possa parecer mesmo sendo as mulheres que querem se diferenciar, usando peças exclusivas e os homens não, o homem acaba não seguindo a moda, enquanto a mulher sim.

Homens odeiam criticas, exemplo disso é que a maioria dos acadêmicos (professores) do sexo masculino preferem que ninguém entenda suas palestras a serem submetidos a criticas.

Nesta obra, o autor diz ser orientado por Jacques Lacan e Teodor Reike, discípulos da psicologia Freudiana, na elaboração de diversas questões tais como:

Embora uma mulher seja essencial a vida do homem, o contrário esta longe de ser verdade.

Em que você esta pensando?

Com freqüência uma relação amorosa naufraga exatamente por causa dessa pergunta. Por esta pergunta normalmente é vista como uma invasão? A sexualidade parece oferecer um espaço comum a união das almas, mas é mais provável que seja exatamente aquilo que as separe. Quanto mais se tenta desfazer esta separação, e entender a outra pessoa, mais a separação se reforça.

Lacan acreditava que qualquer investigação da questão da feminilidade precisaria tomar como ponto de partida o fato de que “A mulher não existe”. Isso significa que não há um conceito unívoco do que seja uma mulher, que não há uma essência da feminilidade. De acordo com Lacan, uma menina pode se tornar mulher, mas não há uma receita para isso.

O que é ser mulher:

O que é ser mulher? É se comportar como a mãe, ou como a mãe de uma amiga? É seguir a tendência corrente da moda? É ter filhos? Lacan sustentava que a resposta comum a esse problema, por mais surpreendente que possa parecer, é a identificação com um homem.

Um homem está sentado num café e vê um casal passando. Acha a mulher atraente e a observa. Já a mulher na mesma situação talvez fizesse algo diferente. Ela pode se sentir atraída pelo homem, mas mesmo assim passará mais tempo observando a mulher que está com ele. Em outras palavras, o que interessa é menos o homem ou a mulher do que a relação entre eles. A questão é “O que aquela mulher tem que tornou este homem seu parceiro”?

O que ela é? É a pergunta feminina por excelência.

A primeira coisa que uma mulher talvez faça ao entrar no apartamento de um homem, será procurar pistas da presença de sua ex. Coisa que dificilmente ocorreria a um homem.

Procura por que esta mulher terá a chave do mistério daquilo que captura o desejo do homem.

Outro ex: o menino quer obliterar seu rival para conquistar o objeto cobiçado, mas a menina visa menos o objeto do que o desejo da outra menina. O que a mulher procura no mundo ao seu redor não é o objeto, e sim um outro desejo. Daí serem muito mais raros os casos de mulheres colecionadoras do que de homens, o homem se fixa no objeto e a mulher no desejo.

Mas um desejo satisfeito não é mais um desejo. Conseqüência disso que um mulher pode manter uma relação com um homem sem se entregar a ele, visando manter este desejo insatisfeito. Ela esta analisando, o que esse homem quer? A imagem padrão da mulher se fazendo de difícil, nada mais é do que um pesquisa, para descobrir que idéia de mulher esse homem tem, ou o que eu sou para ele. Assim em um triangulo amoroso, entre uma mulher e um casal, pode ser uma maneira dela se perguntar “o que ela é para ele”?.

Mulheres que tentam de todas as formas arranjar parceiras para seus amigos ou até mesmo seus pais. Pode estar tentando elaborar a questão daquilo que o homem irá desejar nestas mulheres, “o que é ser mulher para ele”.

Ser esposa de alguém significa simplesmente estar situada em determinado lugar de uma estrutura. É o onde ela está, e não quem ela é, a questão. É o onde em relação ao desejo do homem.

Por que existem tão poucos palhaços (humoristas) mulheres?

Isso diz respeito a insistência da busca pela verdade na mulher, pois muitas tem como objetivo de vida desmascarar o homem, demonstrando sua fraqueza ou impotência, enquanto os homens se ocupam não de desmascarar as mulheres mas sim a si mesmos. Não é por acaso que nos bares sempre haja um homem que passe a noite divertindo os outros com suas próprias desgraças. Os comediantes homens nos fazem rir apontando sua fraqueza, sua castração. Assim o ato de desmascarar para ambos os sexos, tem como objeto o homem.

Desmascarar é apontar para um disfarce, é revelar uma cisão. E as mulheres são especialmente sensíveis a essa cisão. Exemplo disso é que normalmente para os motoristas homens a imagem do policial, mesmo inconscientemente é de autoridade, do representante da lei. Enquanto para as motoristas mulheres ele é simplesmente um pobre coitado de uniforme. O que também pode ser em caso de busca e apreensão em residência ou cumprimento de mandado de prisão, é mais fácil ver um homenzarrão se render sem problemas, enquanto a esposa do mesmo ou mãe, investem com fúria contra o policial.

Contrastando a isso, os homens colocam os outros de uniforme, em vez de remove-los. Gostam de manter ilusões acerca dos outros. Assim quando um homem veste um uniforme sua intenção é ser admirado, exibindo seu narcisismo. E este desejo de ser admirado, com suas fardas, e uniformes, o qual normalmente é dissimulado, pode ser descrito como um desejo feminino, pois feminino não é o desejo de ser admirado e sim o fato de disfarçá-lo. Desmascarar significa desvendar o desejo do homem, mostrando que ele esta incompleto, carente de algo.

Uma versão de ser mulher consiste em amoldar-se ao desejo à idéia do que o homem pense que seja uma mulher, então ter um lugar significa encontra um lugar no desejo do homem.

Obs: Aí entendo o porquê em nossos pais, o surgimento de tantas mulheres frutas, a vulgarização do sexo feminino, ou a proliferação de atrizes pornô. É o modo dessas mulheres se colocarem no desejo do homem, pois, em síntese é o desejo do homem por este ideal de beleza e/ou comportamento, que fazer surgir este padrão de mulher, como as gordinhas da idade médias, e outros tantos modelos estereotipados que surgem de tempos em tempos.

Isto ocorre pois em síntese o lugar da mulher é um lugar vazio, por isso mesmo que a mulher tiver cem vestidos, ainda assim ela dirá que não tem nada para vestir, pois aquele vestido que falta é o uniforme do que é ser mulher, por este lugar ser vazio, sempre estará faltando um vestido.

Impotência:

Os problemas sexuais dos homens estão ligados em grande parte à sua incapacidade de amar e desejar a mesma pessoa, já que se recusa a confrontar o fato de que o objeto de amor está muito perto da mãe: aceitando este ultimo fato, ele talvez consiga ligar as correntes sexuais às afetivas.

Freqüentemente um homem escolherá uma parceira oriunda de uma cultura oposta à sua mãe. E então tentará fazer com que ela aja exatamente como sua mãe o tratava quando era criança. O distanciamento serve para garantir que “esta não é minha mãe”. De modo que então o resto do relacionamento possa prosseguir feliz ou infelizmente.

Um dos pacientes de Freud sonhou que estava tendo intercurso com a mãe e a irmã; Freud observou-lhe que á época do sonho ele devia estar muito apaixonado por alguma moça. A chave aqui é tudo que o inconsciente sabe acerca das mulheres, é uma coleção de características tiradas da mãe, por exemplo, “pertencer a outro homem”, ter cabelo de determinada cor, e assim por diante. No inconsciente além da imagem da mãe, a mulher só existe como lacuna, como carência de representação, por isto trazer a imagem da mãe ou da irmã, relaciona ao desejo por outra mulher. Pois o que os sonhos incestuosos fazem é levar tudo de volta a mãe ou ao pai, provocando assim, um curto-circuito no problema de atribuir uma imagem a mulher. Embora este sonho possa parecer totalmente aterrador, ele oferece a algo desconhecido, um resposta a esta emergência do que é completamente novo.

O livro diz também que o home não está preparado para encontros que não se encaixem no quadro de suas fantasias. Exemplo disso: é o homem que leva a garota para jantar e durante o encontro ela pega os dedos dele, e os introduz em sua boca. O que poria preconizar não uma noite de Eros, mas sim uma visita ao hospital. pois ela se colocou fora das regras que ele tinha a respeito de como uma parceira se comportaria.

Freud continua discutindo o problema da duplicação da imagem da mulher. É a cisão da mulher em si própria, de seu próprio ego em dois; de mãe e prostituta, para Deutsch, isto explicaria o fato de os devaneios da mulher poderem oscilar estranhamente entre imagens ternas da criação de filhos e os mundos mais escuros da vagabunda de rua.

Isto é facilmente explicável, pois é o desejo do homem que a situa, pois se o homem cinde a mulher em mãe e prostituta, a mulher aceita esta divisão como sua própria.

Ao contrário ser homem requer mais do que um corpo biológico de macho, pois algo mais tem que ser acrescentado a isso. Ser homem significa ter o corpo, somado a algo simbólico “O falo”. Quanto menos o homem fornece uma estrutura simbólica a iniciação, mais ela retornará sob uma forma louca e real. Isso mostra a necessidade de uma forma simbólica, para a masculinidade ser assumida: tem que haver sempre lago mais do que a biologia. Para Lacan quanto mais “masculino” se torna o comportamento do homem, mais ele é transportado para o feminino, para a dimensão do desfile, ou afetação.

Obs: O que é concurso de miss universo, se não um desfile? Ou desfiles militares e etc.

Interessante notar que nos contos de fadas, os cavaleiros não se limitam a encontrar a princesa, elas encontram-nas nas garras de bruxas perversas, e então as salvam. Um homem pode de repente perder todo apelo sexual para uma mulher no momento que demonstram ter algum tipo de cumplicidade com sua mãe. Eles podem dizer tratar bem a mãe, por gostarem tanto da filha, no entanto isto significa pagar um preço em termo de seu valor erótico (talvez daí o mito do homem odiar a sogra, isto na verdade ao invés de afastar a filha, o torna mais erotizado para ela). Para um homem que quer uma mulher, é muito mais sensato tratar bem, não à mãe dela, mas aos gatos. Muitas mulheres não só gostam de gatos, como de homens que gostam de gatos.

Para Freud enquanto para o homem a versão de prazer esta mais ligada a luxuria em estado puro, a degradação do objeto, ou seja uma mulher que não muito valorizada (aqui entendi uma mulher pouco atraente). O equivalente feminino disso é a condição de proibição, então a sexualidade feminina envolveria uma espécie de carência de sexualidade. Então Freud diz que a impotência masculina, seria impotente ao não conseguir combinar as duas vertentes, sexo e amor, o que equivaleria a frigidez feminina. Tese esta que não é aceita pelo autor. Outra idéia da psicanalítica clássica, da vagina dentada, também seria um equivoco, pois, o receio de inserir o pênis na vagina por medo de ser mordido por ela, pode ser refutado empiricamente, onde normalmente os homens que sofrem de problemas de potencia, preferem a felação.

A melhor explicação encontrada pelo autor invoca o falo simbólico. Que é o algo além do órgão em si. Ou seja o medo subconsciente do falo de outro homem. Para o homem ser potente deve haver uma aceitação implícita de que sempre haverá algo além do seu próprio pênis, provavelmente a identificação com o falo do pai. O valor do pênis PE diretamente afetado pelo sombra do outro homem, o que pode explicar ser comum homens terem dificuldade de urinar se outro homem estiver em pé ao seu lado. Se o sujeito não resolver essa incomensurabilidade necessária de modo apropriado, poderá ter problemas de potencia. Esta tese pode ser provada: se a mulher fizer referencia ao poderio fálico do ex-amante, pouco antes do coito, é mais do que provável que seu parceiro fique impotente.

Os problemas de potência podem ocorrer se a relação do homem com o pai for mal resolvida, permanecendo no nível de uma batalha imaginária. Se não houver um registro de diferença simbólica entre pai e filho de modo correto. Pois seguindo o complexo de Édipo o filho recebe o falo do pai, para uso posterior.

A fantasia comum a alguns homens (ainda mais nos dias de hoje, com as casas de swing, e outros fenômenos da sexualidade moderna) de ver sua parceira ser possuída por outro homem, tem menos relação do objeto procurado através do outro homem, mas sim como significador do desejo. Ou seja uma busca de todas as formas de evitar o desaparecimento (se vendo no ato através do corpo de outro). É uma forma de evitar o intercurso real, e assim o desaparecimento. Já na mulher o prazer esta ligado a ausência do falo, ou carência do órgão sexual masculino, ou seja dor e privação sexualizada, de modo a reproduzir uma nova gratificação na ausência, que em ultima analise seria masoquista.

Ciúmes:

Quanto ao ciúmes, um homem confrontado com a infidelidade normalmente considera em matar a parceira, antes do rival, já a mulher preferiria sua própria desaparição do que das partes.

* daí talvez o de que quando a mulher sente a perda do amor, produz na mulher o aumento deste amor, por sentir que vai desaparecer, enquanto ser amada, muitas vezes lhe causa indiferença, pois da a ela a medida de sua existência.

Outro contraste entre homens e mulheres, é que ao ser traído o homem se torture mais freqüentemente com cenas de sexo entre eles, enquanto a mulher com cenas de afeto, e os detalhes da aparência da outra terão muito mais importância para a mulher do que para o homem.

Quando a mulher conta ao marido que o traiu, é bem provável que ele pergunte, o que ele faz? Do que como ele é? – a imagem do sexo entre os amantes para a mulher será bem mais rara, e menos atormentadora, do que as relações de amor, e afeto entre eles.

Quanto ao amor da mulher diz que o amor puro que a mulher demanda nunca irá encontrar em um homem, por isso seu amor é idealizado, visando nunca um homem real. Talvez daí muitas mulheres entregarem seu amor a deus (as freiras) que é o único amor garantido.

Os seres humanos reais não amam de forma continua, seus sentimentos oscilam entre amor, ódio e indiferença. O único amor que não oscila é o deus pois não é “real”, não é humano, pois a única lógica do amor humano, é que termine.

O fracasso do amor é visto como a percepção da distancia entre o real e o ideal.

Para a mulher a fala tem um papel muito importante nas relações, talvez porque é através da fala que ela é cortejada. Já para o homem o que importa mais é a imagem, normalmente.

Homossexualismo:

Diz que para o menino a troca de seu objeto de desejo é mais fácil, pois, do objeto original, a mãe, para uma outra mulher, continuando o sexo do objeto inalterado, já para a menina isto é mais complexo. A menina não só terá que trocar o objeto mas seu sexo, da mãe para o pai, depois do pai para outro homem. Assim sendo diz que o primeiro objeto de desejo da menina é a mãe (talvez daí a máxima que todas mulheres tem tendências homossexuais).

Sobre o assunto Lacan apresenta uma tese peculiar, porém perfeitamente lógica, afirmando que os únicos heterossexuais verdadeiros eram as mulheres homossexuais. Pois a relações amorosas são construídas a partir de imagens ligadas a visão que o sujeito tem de si mesmo. Para Freud isto é a escolha narcisista do objeto: “amamos alguém que é como nós ou que encarna aquilo que queríamos ser”.

Exemplos clínicos freqüentemente indicam que a relação sexual de uma mulher com outra não é, de forma alguma indicação de homossexualismo real. Não sendo o sexo da pessoa que você dorme que o tornará homossexual ou não.

Um homem que tem dificuldades para ser homem pode se declarar mulher, erroneamente igualando a idéia de ser mulher a ser homossexual, esse é um grande erro, PIS, o homem que possui estas dificuldades não é mulher, é apenas um homem com dificuldades.

Tratando um caso de uma homossexual feminina Lacan isola o fato-chave com sendo a gravidez da mãe da jovem. Dizendo que a jovem, possuía em seu subconsciente a expectativa de relação amorosa com o pai, que assumiria a forma de esperar por uma criança imaginária dele. Quando confrontada com a realidade de uma criança que é dada, não a ela , mas à mãe. Esta moça começa a cortejar uma mulher mais velha de forma acintosa. Ao encarar uma decepção no registro de amor por parte do pai, ela própria se torna o amante (o homem).

Tentando mostrar ao pai, o que é o amor verdadeiro, um amor dirigido a uma mulher. Ela esta amando a senhora pelo que ela não tem (falta do falo), assim como o pai deveria tê-la amado.

Uma relação entre duas mulheres não se limita aos autores materialmente presentes. Havendo terceiros envolvidos, há a presença de uma testemunha invisível, ligada ao pai.

A relação de duas mulheres não exclui a referencia a um homem, normalmente identificado ao pai. Renunciar aos homens pode muito bem ter lugar á sombra de um homem ao qual não se renunciou. Sendo talvez este um dos problema chaves da sexualidade feminina o esforço para se dar sentido a uma ausência.

Em contra ponto a isto, existe a solidão (ser freira, ficar para titia, encalhada), que pode significar “não estar com pai”, (como um pacto que diz serei sua, ao pai, na negação de se entregar a outro homem).

Esta relação com o pai, traz uma escolha crucial para a mulher, tendo pelo menos duas alternativas: um de renunciar os homens isolando-se numa ordem religiosa. Renunciando a tudo, sendo a própria renuncia a forma de se ter algo. Ter algo significa que algo é nosso, assim uma versão feminina de ter, seria pertencer. Sendo que para Reike no amor não é possível possuir alguém, no maximo podemos pertencer a alguém.

Se a mãe dá um lugar-chave ao menino, forçosamente este exercerá uma atração inconsciente sobre a irmã, devido a dependência que o desejo dela tem do desejo da mãe.

Um homem afirma que sempre escolhe uma mulher para parceira normalmente por seus atributos, já para a mulher estes atributos podem aparecer sobe a capa de uma realizar, uma objetividade.

O homem deseja o que a mulher tem, ou é(normalmente atributos físicos).

A mulher vê o que o homem pode realizar (fazer).

Neste ponto o problema para a mulher é, a escolhe entre duas opções, encontrar a pessoa certa que não há compreenda, ou a pessoa errada que a compreenda. Talvez a pessoa que compreende seja sempre a errada, e o problema da pessoa certa é que simplesmente ela não compreende.

A solidão masculina:

Para o homem estar sozinho esta ligado a uma outra problemática, mais ligada ou ódio do que ao amor.

Schopenhauer, famoso pela capacidade de viver sozinho, nos exemplifica que o este problema se baseia na dificuldade de se situar dentro de uma estrutura edipiana. Não por acaso o filósofo reescreveu a dedicatória feita ao pai em uma de suas obras, embora este já estivesse morto. Isso mostra a impossibilidade de dar uma forma simbólica apropriada a relação com o pai: assim ele permanece no campo das batalhas imaginárias. Sua solidão pode ser vista como conseqüência da natureza agressiva de sua relação com registro do pai. Então para o homem a solidão REM raízes na falta de solução para a relação problemática com o pai, enquanto para a mulher a solidão seria uma forma de solução.

O que é ser um filho?

Tanto o cristianismo, quanto o islamismo e o judaísmo tem resposta para isso. Ressaltando sempre que somos todos filhos de deus, pois, para a psicanalítica cada sujeito masculino, tendo ou não filhos, fala não como pai, mas como filho.

Um problema central para qualquer filho é como assumir os elementos mais escuros da vida do pai. O sacrifício de Cristo pode ser interpretado de forma semelhante: segundo as na idéias de Hegel e Lacan de que Cristo sofreu, não para salvar a humanidade mas para salvar Deus.

Maternidade:

Ocupar o lugar da mãe não é, contrariamente ao que sustentam muitos teóricos, algo natural ou mesmo automático. O registro do maternal tem que ser diferenciado do da maternidade em si.

Para algumas mulheres, a maternidade significa literalmente a perda da feminilidade.

Neste ponto a questão remontada é “O que ser mulher”?

Ser mãe? Ser esposa de alguém?

A psicanalista Karen Horney, tinha uma idéia curiosa de que o casamento envolve tomar o lugar dos pais, e que haveria um preço a pagar por isso. Se tantos sintomas neuróticos se baseiam em sentimentos de culpa ligados à usurpação do pai ou da mãe, como seria possível escaparmos impunes de uma transgressão tão chocante quanto o casamento? Para Horney, este preço seria a infelicidade.

Presentes:

Enquanto para uma mulher muitas vezes o envelope da carta, o simbolismo dela, vale mais que o conteúdo, ou seja a caixa de jóias e não a jóia em si, pois como já mencionado anteriormente a mulher se liga mais ao lado relacional das coisas, já o homem ao objeto, para um homem raramente o que vale é a intenção.

Amor:

Para Fenichel, um dos seguidos de Freud, quando o homem parece ser roubado de sua masculinidade (casasse), a mulher passa a funcionar como seu falo, o instrumento sem o qual ele não pode existir.

Revelar a própria fraqueza é revelar a própria carência e , como sustentava Lacan, o amor se dirigi em última instância a exatamente uma tal carência, aquilo que se chamava de castração. Assim o homem seria amado não pelo que tem, mas por sua castração.

Assim funcionar como um objeto do amor do homem implica que o homem estará marcado por um sinal de fraqueza.

Ora, se um homem amar uma mulher o caracteriza como carecendo de algo, e se ser um objeto de amor pode ser tão importante para a mulher, isto acarreta que o parceiro dela nunca pode ser nada além de um fraco? É interessante notar que, quando uma mulher tem com um homem um encontro sexual de êxtase sem precedentes, o mais provável é que o relacionamento seja de curta duração.

Quando se pergunta as razões do termino de tais relações, é raro encontra-se uma resposta. “Simplesmente acabou”.

Talvez isto implique que a mulher não esta equipada para encontrar “O Homem”, ou se estiver, como salienta Lacan, será no campo da loucura.

Se o amor em geral não dura mais do três anos, as relações de êxtase extremo geralmente não duram mais do que duas semanas. Os homens podem muito bem se preocupar em ser fortes, mas certamente não é por isso que serão amados. É mais provável que seja amados pelo fato de se preocuparem do que por sua força.

E quanto ao amor do homem pela mulher? Freud salienta que um determinado nº de precondições, pode ser necessário. Estar ligada a outro homem, repetindo a situação da mãe do homem, uma pessoa que esta ligada ao pai. Esteja o homem consciente disso ou não, sua escolha será condicionada pela presença de uma quantidade de pequenos detalhes, talvez, cor dos olhos da mulher, o timbre de voz, a roupa que ela estiver usando.

Uma mulher queixou-se que um amigo havia respondido sua pergunta por que amava a esposa com a resposta de que gostava do jeito que esta passava a manteiga no pão. Isto mostra a importância capital dada ao pequeno detalhe, idiota e sem sentido.

O que importa é a estupidez do detalhe já que o amor é feito disto.

Não é por coincidência que o mais famoso texto sobre o amor, o Simpósio, de Platão, o homem seja mostrado quase sempre como um tolo cômico. Já as mulheres não são reduzidas a idiotas pelo amor.

Para Lacan em ultima instância se refere a carência. Onde o amor da mulher, esta ligado a garantir a carência do parceiro. Já o homem nem sempre inssite em ser a causa da carência da mulher, e quando parece que podem assumir este papel, é provável que desapareçam, entrem em pânico e fujam.

O autor descreve três formas de amor: a forma louca, a certeza de que “O outro me ama”, característica da paranóia. A forma feminista “O outro me ama”? e em terceiro a versão masculina “Eu amo o outro”?. Enquanto a mulher pode passar horas preocupada se o parceiro a ama verdadeiramente ou não, é mais provável que o homem passe seu tempo duvidando do próprio amor por ela.

Desejo:

Há uma incompatibilidade fundamental entre aquilo que se pede e aquilo que se quer (telefone sem fio). Poderíamos definir o desejo como sendo exatamente esse processo: a diferença entre a mensagem original e aquela que chega ao final, a chave aqui é que o desejo não é a mensagem em si. Não é nem a frase original, nem a final, mas sim o processo ou estrutura da distorção em si.

* Nem sempre o que se precisa é o que se quer, e nem sempre o que se pede o é.

Se alguém com quem você esta conversando, continuamente comete lapsos de fala, de natureza sexual, se supõem que seu desejo sexual foi despertado. Mas isto esta anos luz de uma demanda. O desejo na verdade está lá para persistir como desejo, e não como outra coisa. Não pedindo para se tornar realidade.

Exemplo: um homem se apaixona pela própria analista, persistindo infrutiferamente. Até o momento que ela diz “O.K.”, quando é que você quer que eu inicie o processo de divorcio de meu marido”. E isso, é claro vira o jogo. Ele queria demandar, e não conseguir o que demandava. Queria manter a dimensão do desejo em seu lugar.

* Talvez daí a explicação do fato, que muitos homens insistem muito na conquista, depois de conseguirem o que querem, perdem o interesse.

Discussão entre casal:

Entre o casal, uma das coisas que mais irrita uma mulher do que a recusa do homem em entrar em uma discussão. Em outra palavras reconhecê-la? Os homens parecem incomodar-se menos com isso, talvez pela relação com as mães, pois, ao invés de considerarem a discussão como um intervalo na vida do casal, para eles o período entre as discussões que seria o intervalo real (o homem entende que esta não é a discussão, um divisor d águas, e mais a discussão antes da próxima).

Mãe e filho:

A mãe talvez espere do filho o amor que seu pai deixou de lhe dar. Recordamos a tese Freudiana de que o desejo da mulher por uma criança é uma extensão de receber uma criança do pai.

Quanto mais ideal a imagem da criança, mais o ideal negativo se instala, assim como o ódio funciona como a sombra sutil do amor.

“Espero um filho a tanto tempo, como posso ter um agora, realmente”? ou “como poderei ter um filho que não seja doente”. Nenhuma relação mãe-criança escapa da presença, de alguma medida, de negatividade inconsciente.

*Daí uma resposta para “os desejos da gestante”, ligada a idéia do feto não estar lá, o tema de não haver algo, se liga aos pequenos objetos (pequenos como o bebe), chocolate, camarões, etc. Obejtos que atendem sua demanda, como ter um bebe visa fazê-lo.

Pai e filha:

Para o pai, talvez ele espere da filha o amor que não recebeu da mãe. Isto explicaria a hostilidade de muitos pais ao primeiro namorado da filha, o fato de que o amor de sua própria mãe não lhe foi fiel. Havia um outro homem no meio (o pai).

Conflito com a mãe:

Mesmo que não queira a mulher freqüentemente tem consciência de que esta se comportando como sua mãe, o que produz um sentimento agudo de desprezo por si mesma.

Tietagem: Se você quer desencorajar a identificação de sua filha com uma personalidade da TV, a chave é encontrar, o ponto de perspectiva, a questão é para quem ela esta se identificando e não com quem.

Talvez durante uma briga doméstica os olhos do pai voltados para a TV (ser este personalidade resgataria a atenção do pai ausente).

Habitat:

Os homens podem viver na imundice porque todo o seu narcisismo se concentra neles mesmos, em seus próprios egos: conseguintemente, podem esquecer o estado do apartamento. É só ver que os homens mais narcisistas tem os apartamento mais desarrumados.

É perfeitamente possível que uma mulher decida não fazer amor com um após ver seu apartamento, enquanto a situação inversa é bastante improvável.

Dar presentes:

Quanto mais generoso o homem é, mais egoísta é seu amor. Quanto mais o homem dá no registro dos bens materiais, menos ele tem para dar ao nível simbólico: quanto mais distribui presentes menos poder dar ao nível do falo.

Culpa:

Muitas pessoas se sentem culpadas simplesmente ao passar por um policial, mesmo que não tenham cometido nenhum crime. É o pensamento que nos culpa, pois, somos culpados não por ações mas por pensamentos.

Você já amou alguém que não lhe fizesse sentir culpado?

Por isso os homens dão tantos presentes, por sentirem-se culpados em pensamento.

Outras diferenças

Por que são os meninos que brincam com fósforos?

Por que o fogo esta ligado a falo, pois, para as meninas a casa esta perto de mais do corpo, e do bebê para ser queimada. Por isso as mulheres guardam os papéis de embrulho de presentes e caixas, pois, o envoltório tem um valor real.

Esta relação de forma também explica por que as mulheres raramente são claustrofóbicas, em uma situação destas é mais comum um homem se tornar histérico.

* Mas nenhum homem admitiria isto, pois, não é do homem ter medo, pois o maior medo do homem é o de ter medo.

Por que as mulheres escrevem mais cartas do que enviam?

A carta importa pelo que é e por onde está, e não pelo que diz. Duas funções de uma carta: como mensagem e como objeto. Isto nos diz alguma coisa sobre as diferentes relações que o homem e a mulher podem ter com as cartas enviadas e não enviadas.

Sendo uma das funções da escrita masculina é de colocar o leitor para dormrir. Pois tal atividade visa mortificar não simplesmente o objeto descrito mas também os leitores. Sendo que as pessoas as vezes falam de um trabalho escrito como um monumento, algo para celebrar a vida do autor, em ultima analise um tumulo. E assim como um túmulo visa a um destinatário situado além de seu explorador, a morte.

Lacan salienta como muitos pacientes obsessivos falam continuamente, para impedir o analista de dizer qualquer coisa. Tais táticas tem o efeito de colocar o analista no lugar de um cadáver.

Outro fenômeno ligado a linguagem, mais especificamente a fala, seria a gagueira, que estaria ligada a passagem do menino pela estrutura edipiana e o problema de situar-se em relação ao pai, de assumir sua fala.

Para a mulher não enviar a carta se justifica pela razão dela permanecer eternamente inacabada. A carta esta inacabada por que a pessoa que a escreveu também esta inacabada.

Tanto homens como mulheres encontram-se inacabados. A diferença fazendo uma analogia à religião, a mulher que ser uma parte de Deus, já o homem quer ser nada menos que Deus (a mulher ama e espera ser amada, o homem ao ser amado espera amar).

O fato da mulher guardar suas cartas com suas roupas, e não com seus arquivos e livros, esta relacionada a tê-las mais próximas ao corpo.

Já o homem guarde as cartas de amor junto a seus arquivos e outras cartas, pela simples razão de que são cartas.

FSantana
Enviado por FSantana em 22/06/2012
Reeditado em 22/06/2012
Código do texto: T3738399