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As Baianas. Carlos Barbosa, Elieser Cesar, Gustavo Rios, Lima Trindade, Mayrant Gallo e Tom Correia, Ed. Casarão do Verbo, Anajé – 2012.

As Baianas é um livro de contos que reúne seis historias de mulheres baianas, mas especificamente de Salvador, que são retratadas pelos autores da maneira mais original possível, sem os estereótipos que estas estão acostumas a ter na literatura. Este livro foi inspirado em outra obra chamada de As Cariocas de Sergio Porto, que retrata a diversidade e a originalidade das mulheres do Rio de Janeiro. A partir disso, o um dos autores do livro, o jornalista e escritor Elieser Cesar, teve a ideia de também mostrar a essência da mulher baiana sem apelos caricatos que já estão enraizados no imaginário brasileiro.

De maneira geral, os retratos da mulher brasileira passam por arquétipos de sensualidade e de papéis socialmente definidos pelos homens, no que tange a comportamentos, maneira de vestir e usar o corpo. O patriarcado juntamente com o machismo definiu o papel das mulheres no decorrer da história construindo uma visão totalizadora destas. Os estereótipos são sempre antíteses que perpassam entre “santas ou demônias”, “recatadas ou vadias” e ainda “pra casar ou pra transar”, que dividiram as mulheres em categorias como se fossem produtos prontos e acabados. Esses rótulos delimitaram a essência das mulheres de maneira geral e por tabela das que vivem no Brasil, na Bahia e em Salvador, que é cidade na qual se concentra os seis contos.

Partindo disso, o livro é dividido em seis contos intitulados: A Guerreira da Lapinha, A Noivinha do Cabula, A Putinha da Vitória, A Bonnie dos Barris, A Piriguete de Ondina e A Santinha da Ribeira. Tendo as personagens vinculadas aos bairros nos quais aonde vivem ou passam temporadas em Salvador. Com as exceções da Bonnie dos Barris que é carioca e passa uma temporada em Salvador e da Guerreira da Lapinha que nasceu em Feira de Santana, mas que reside em Salvador, todas as outras personagens nasceram em Salvador, não tendo nenhuma outra mulher do interior ou das regiões metropolitanas da Bahia sendo retratada.

Outro ponto interessante nos seis contos são as descrições das paisagens físicas de Salvador, a partir dos bairros que complementam os títulos, e o intenso aspecto do sexo, que aparece em atos, palavras e pensamentos dos personagens. O Conto que mais parece retratar características baianas, com uma descrição de viagem pelo tempo (História da Bahia) e pelo espaço físico (percorrendo ruas, becos, ladeiras), numa linguagem tipicamente baiana é o conto A Guerreira da Lapinha, de Elieser Cesar.

Partindo agora para uns dos contos escolhidos, A Putinha da Vitória de Carlos Barbosa (escritor e jornalista de 54 anos), que descreve à história picante–trágica de Betina e Plínio Bonavides, com narração de Dino Buzzati, amigo de Plínio. Em linhas gerais, o conto descreve a relação amorosa entre Betina (uma jovem rica de 20 anos, universitária, viajada, que mora no corredor da Vitória e que gosta de viver seus fetiches) e Plínio (um jornalista casado que trai sua esposa com Betina, e que por causa dessa paixão avassaladora acaba matando sua esposa e ficando em estado grave de quase morte) e dos seus encontros e desencontros amorosos, brincadeiras sexuais e desprezo, entre uma ninfeta de vinte anos e um homem vinte anos mais velho, casado. Com um fim trágico e improvável, digno de uma cena dantesca, nos despedimos do conto, com a morte da sua esposa (que foi morta por ele mesmo) e de um estado grave de quase morte de Plínio (que sofre um grave acidente tentando fugir da cena do crime). E o mais surpreendente, sem dúvida a catarse do conto, Dino (que no final dá a entender estar apaixonado por Betina, pois perde o sono com coração aquecido ao ficar fantasiando sua conversa futura com ela) que extasiado das narrações de Plínio, enamora-se pela Putinha da Vitória.

Por fim, apesar de ser um livro de contos sobre mulheres baianas, narrados por homens, estes autores, procuraram retratar as mulheres em sua essência e originalidade, fugindo das imagens–feitas do imaginário brasileiro e dos papéis socialmente construídos, nos quais as mulheres são sempre apresentadas de maneira maniqueístas e dicotômicas. Os escritores buscaram retratar as complexidades existentes nas relações humanas e no comportamento nada previsível representado nas personagens, e para quem gosta de ler histórias picantes, com finais improváveis, deveria se debruçar sobre As Baianas, e ver outros olhares sobre as mulheres brasileiras nascidas em Salvador.

Referências Bibliográficas:
As Baianas. Carlos Barbosa, Elieser Cesar, Gustavo Rios, Lima Trindade, Mayrant Gallo e Tom Correia, Ed. Casarão do Verbo, Anajé – 2012.
http://seisbaianas.blogspot.com.br/search/label/Carlos%20Barbosa http://www.atarde.uol.com.br/cultura/noticias/1100337-seis-autores-lancam-o-livro-as-baianas-nesta-sexta-feira http://www.uesc.br/seminariomulher/anais/PDF/Mesas/Maria%20Consuelo%20Cunha%20Campos.pdf http://www.naomekahlo.com/singlepost/2015/05/03/A%E2%80%9Cmulherzinha%E2%80%9D-da-literatura http://www.goulartgomes.com/visualizar.php?idt=3516018
Nainalva Reis
Enviado por Nainalva Reis em 28/11/2017
Reeditado em 28/11/2017
Código do texto: T6184784
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Nainalva Reis
Salvador - Bahia - Brasil
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