Resenha: A Fúria dos Reis, de George R.R Martin (Canal Youtube: O Livro da vez por David Thomas)

(Veja também a resenha em vídeo no canal do Youtube: O Livro da vez por David Thomas)

Informações técnicas da obra:

• Título da Obra: As Crônicas de Gelo e Fogo (A Song of Ice and Fire) – A Fúria dos Reis (Livro 2);

• Autor/Autora da obra: George R.R Martin;

• Editora da Obra: Leya;

• Data de publicação: 16 de Novembro de 1998;

• Data de início e término da leitura: 05 de Dezembro de 2018 até 03 de Janeiro de 2019.

Espírito/ Essência da obra:

• Gênero textual: Fantasia para adultos com forte conteúdo violento, sexual, incesto;

• Escola Literário/Período literário: Literatura Contemporânea;

• Ambiente físico e temporal da obra: Passa-se no continente fictício de Westeros;

• Tipo de narrador: Narrador em terceira pessoa com a utilização de Fluxo de Consciência (cada personagem tem sua própria voz na narrativa);

Enredo:

Temos logo no prólogo da obra o aparecimento de um cometa vermelho sobrevoando o céu de todo o continente de Westeros. Cada casa e personagem vai encontrar uma razão diferente para ele. Uns dirão que é por conta da morte do Lord Eddard Stark; outros dirão que é por conta do inverno rigoroso que está se aproximando; outros dirão que é o vermelho dos Lannister e outros ainda que é um preságio da volta dos dragões. Cada um dizendo a seu próprio modo o porquê do aparecimento desse cometa. Temos no início da narrativa o aparecimento de novos personagens e casas no enredo que já chegam mostrando sua importãncia. Desde da morte do Rei Robert Baratheon, o seu herdeiro Joffrey Baratheon assumiu ilegitimamente o Trono quando na verdade quem deveria assumi-lo seria o irmão mais velho do Rei Robert: Stannis Baratheon, pois tanto Joffrey e os irmãos são filhos da relação incestuosa da Rainha Cersei com seu irmão Jaime Lannister. Portanto temos agora a família Baratheon completamente dividida. Em Pedra do Dragão temos Lord Stannis Baratheon, irmão do meio do falecido Rei Robert Baratheon, junto com sua esposa Selyse e sua filha Shireen. O local parece ser muito sombrio e na página 17 podemos ver quanta mágoa Stannis guarda do falecido irmão por ter lhe concedido esse espaço de terra de Westeros ao invés de algum lugar melhor e mais próspero. Temos sua filha Shireen, uma criança extremamente triste, mas ao mesmo tempo doce. Já podemos adiantar que se trata de uma personagem que terá uma importância muito significativa ao longo da saga. Assim que ele descobre que o príncipe Joffrey não é seu sobrinho, já informa todos os reinos que seu reinado é ilegal e inclusive diz para todos que Joffrey é filho de Jaime Lannister. Daí em diante teremos o conflito para ele conquistar o Trono e também os problemas que enfrenta com o irmão mais novo, Renly Baratheon, que também almeja assumir o lugar do falecido irmão em Porto Real. Na adaptação da saga na dramaturgia, Renly Baratheon na série exibida pela HBO é gay, nos livros podemos constatar isso numa das falas da personagem Catelyn Stark que mesmo sabendo que ele iria se casar, notou que ele trocava muito afeto por Sor Loras, além de alguns adjetivos que o escritor utiliza para definir alguns aspectos tanto dele quanto do seu reino, tais como: colorido, florido, etc e ironicamente o símbolo de sua casa ser um “veado”. Temos também o aparecimento de uma personagem muito enigmática: A Sacerdotisa Melisandre. Ela que guiará os passos de Stannis Baratheon apoiando-se especialmente na sua fé no Deus vermelho. O Deus Vermelho seguido por ela também será seguido por boa parte do exército Stannis. Essa religião implantada por ela em Pedra do Dragão e o fanatismo que gira em torno são alguns dos aspectos mais curiosos desse volume. Mas o aspecto principal que podemos destacar é que o próprio George Martin confirmou que se baseou na antiga religião dualista Zoroastrismo para criá-la. Melisandre apesar de parecer humana, é um ser imortal, contudo o que de fato ela é e sua idade não ficam muito claros. Por esses e outros motivos podemos considerá-la uma das personagens mais misteriosas da saga. Outra (se não a principal) guerra que está em andamento desde o primeiro volume especialmente após a decapitação do Lord Eddard Stark é a Guerra dos Lannister contra os Stark. Robb e Catelyn permanecem fora de Winterfell planejando as batalhas contra o atual Rei tendo ainda Jaime Lannister como prisioneiro. Todavia Sansa permanece prisioneira dos Lannister e prometida para Joffrey Baratheon, apesar de agora odiá-lo. Arya conseguiu fugir e está camuflada de garoto viajando para o Norte com os futuros Patrulheiros da Noite rumo a Winterfell.

Outra casa que acaba ganhando mais espaço nesse segundo livro é a Família Greyjoy. Theon Greyjoy há dez anos foi levado de sua família e sua casa para servir aos Stark. Volta agora e logo percebe o clima hostil do pai e de toda a casa Greyjoy para com ele. Logo percebemos que existe uma grande rivalidade entre os Stark e os Greyjoy. O pai de Theon Greyjoy é Lord Balon Greyjoy e assim que Theon desembarca em sua terra natal, nota que o pai não se encantou com a chegada do filho tão menos diminuiu seu rancor pela casa dos Lobos. Daenerys Targaryen agora com seu povo passando fome, sede e até morrendo aos poucos ao longo de sua viagem pelo deserto, decide que todos sigam na direção em que o cometa vermelho está indo, porém por alguns momentos ela questiona a si mesma se esta teria sido uma boa decisão. Agora os três Dragões de Daenerys Targaryen têm nomes. Os nomes dos três têm origem nos nomes de seus irmãos e de seu marido. Um se chama Drogon, homenagem a seu falecido marido Khal Drogo; Rhaegal em homenagem a um dos seus irmãos com esse mesmo nome e temos também Viserion, em homenagem a seu irmão Viserys, morto pelo marido no primeiro volume da saga. Tyrion Lannister acaba se envolvendo amorosamente com uma prostituta chamada Shae e fica evidente que para ele é algo muito mais forte do que simplesmente sexo, existe sim um sentimento. Fato esse curioso por se tratar dele que é sempre representado como alguém que coleciona histórias de envolvimentos com mulheres puramente por prazer sexual e nada além disso. Sansa Stark que ainda permanece refém dos Lannister em Porto Real, acaba salvando um cavaleiro, Sor Dontos, de ser morto pelo Rei Joffrey e esse cavaleiro se sente no dever de ajudá-la a voltar para casa Winterfell. Enquanto os irmãos Baratheon Brigam entre si pelo trono e os Starks brigam pelos seus com os Lannister, os Patrulheiros da Noite saem em busca do desertor Mance Rayder e seus adeptos. A Sacerdotiza Melisandre acaba gerando um filho (que na série é fruto do Lord Stannis Baratheon) e quando ela vai dar a luz, ao invés de sair uma criança, sai uma sombra negra. Essa sombra no meio do volume mata fantasmagoricamente o irmão e rival de Stannis Baratheon: Renly Baratheon. O incesto da rainha Cersei com o irmão Jaime torna-se um escândalo para todo o povo e todas as casas de Westeros. Esse também será um dos motivos da insatisfação popular, além é claro do péssimo governo que o Rey Joffrey anda fazendo. Jaime Lannister que permanece prisioneiro dos Stark acaba confessando para Catelyn Stark que foi ele quem jogou Bran Stark da torre quando o garoto o viu tendo uma relação sexual com a irmã. Daenerys Targaryen tem seus Dragões roubados na cidade que a acolheu junto com seu povo no meio do deserto e por isso ela tem que entrar na casa dos Imortais para recuperá-los. Lá dentro os feiticeiros dizem que foram eles que mandaram o cometa para ela saber a direção que deveria seguir. No final da narrativa temos a batalha de Stannis Baratheon contra o sobrinho Joffrey e toda família Lannister, porém ele acaba perdendo nesse primeiro momento. Já Daenerys Targaryen e todo seu povo acabam sendo expulsos da cidade que os acolheu. Contudo no final ela consegue os navios para levá-la a Westeros como ela vem tentando há muito tempo e com muita luta. Já o destino de Jon Snow é bem diferente. Obrigado a se render aos selvagens além da muralha, ele ainda descobre que o desertor da Patrulha Mance Rayder já está no caminho oposto com o objetivo de invadir Westeros. O livro termina com Bran Stark e Rickon Stark tendo que também se dividirem logo quando saem das criptas e se deparam com o castelo de Winterfell devastado pelos Greyjoy e os homens de Forte do Pavor.

Aspectos externos e influênciadores da obra:

• Contexto histórico; George Martin sempre gostou muito de narrativas fictícias, podemos encontrar suas declarações dizendo que é fâ de Tolkien (Escritor de O Senhor dos Aneis) em várias fontes tanto impressas quanto digitais e também que admira muito As Crônicas de Nárnia. Além disso George Martin é jornalista e trabalhou por muito tempo como roteirista. Trabalhou inclusive na série A Bela e a Fera dentre outras. Todo esse universo cooperou para a criação de As Crônicas de Gelo e Fogo;

Minha opinião sobre a obra:

1. Um dos questionamentos que muitos têm é o fato de Lord Renly Baratheon ser gay na série televisiva e nos livros não haver uma exposição clara sobre isso. Contudo se lermos um trecho dos pensamentos de Catelyn Stark na página 229 veremos que ela própria havia notado que ele trocava muitos afetos com Sor Loras, mais até do que com sua futura “rainha”;

2. Outro personagem e casa que ganharam mais destaque nesse volume são os Greyjoy, especialmente o personagem de Theon Greyjoy. Ele que foi mandado como refém para os Stark logo cedo, lá permaneceu por dez anos até que chegou um momento que dos Greyjoy não havia mais nada nele, a não ser o nome. Se tornando um membro da família, todos tendo por ele a maior afeição. Contudo seu desejo de ser aceito pelo pai, Balon Greyjoy, faz com que esse personagem traia a familia Stark tomando o castelo e toda cidade de Winterfell, mas pior ainda: matando pessoas muito importantes dessa casa. Conduto seu carma não demora muito e seu destino é muito semelhante no final do livro quando os homens de Forte do Pavor invadem Winterfell e tomam o castelo de Theon Greyjoy com a mesma facilidade que um adulto tomaria um brinquedo de uma criança;

3. Outro personagem que foi muito enriquecido nesse segundo volume foi Tyrion Lannister. Ele durante toda a narrativa, mas especialmente na batalha contra Stannis Baratheon mostrou o quão competente, valente e corajoso é. Tanto que se não fosse por ele a batalha seria perdida. Contudo por ser um anão ninguém consegue reconhecer essas qualidades que nem os reis costumam ter. Nem mesmo sua família, inclusive na minha opinião ele é o único Lannister que podemos encontrar qualidades no que se refere a caráter e honra até o presente momento;

4. Claro que uma obra como essa é impossível já não ter encontrado spoilers dos futuros acontecimentos que ocorrerão. Portanto já é do meu conhecimento nessa altura da leitura que Jon Snow nunca foi de fato filho do Lord Eddard Stark e que há um parentesco dele com Daenerys Targaryen. Na página 560 numa das falas da personagem podemos ter uma breve e resumida dedução de que é sobre ele que Daenerys Targaryen se refere e qual é esse parentesco.

5. Aspectos negativas observados:

1. A morte do Lord Eddard Stark no livro anterior me deixou uma sensação nesse volume de que faltou algo. Como se um ingrediente muito importante tivesse faltado. Na minha opinião como leitor, o escritor não conseguiu fechar o buraco que a ausência desse personagem deixou;

2. A impressão que tive ao longo da leitura foi que esse foi um livro de transição. A mesma empolgação que tive na leitura do primeiro, confesso que não tive muito no segundo. Sabe aquele termo popular encher linguiça? Pois imagine um livro para encher linguiça de uma saga. Pois é exatamente o que senti no decorrer da leitura;

6. Aspectos positivos observados:

1. Arya Stark continua em sua jornada rumo a Winterfell com os Cavaleiros da noite e durante esses momentos ela prova o quão valente e forte é. Demonstrando coragem e ousadia. Há momentos que além de lutar muito, ela chega a comer até insetos para sobreviver;

2. Esse segundo volume me deu uma sensação de que foi um livro exclusivo para a apresentação de novos personagens e também para o enriquecimento de personagens que no primeiro não tiveram um papel muito importante para o enredo. Tanto que os acontecimentos em si não parecem terem sido o foco desse volume e sim a caracterização desses personagens;

3. No final da obra acontece o desfecho da segunda principal batalha: (fora a dos Stark contra os Lannister) de Stannis Baratheon contra o reinado do sobrinho Joffrey Baratheon. A cena narrada por Davos na página 526 é tão empolgante que eu particularmente me senti dentro da história. Chegando quase a sentir os barcos afundando sob meus pés e o choque das ondas contra mim. Diferente do que acontece no final da segunda temporada na série da HBO, Arya Stark consegue fugir da prisão em que se encontrava. Já Sansa Stark termina esse volume com um destino um pouco incerto: por um lado o Rei Joffrey a libera do casamento para desposar a princesa da casa Tyrell e isso a faz acreditar que será liberta, contudo fica claro em seguida que ele não irá liberá-la tão fácil assim, pois mais do que uma prometida, ela permanece sendo sua prisioneira.

Minha nota para esta obra, apesar de a primeira ter sido melhor na minha opinião, permanece sendo excelente!

O Livro da vez por David Thomas
Enviado por O Livro da vez por David Thomas em 03/01/2019
Reeditado em 19/02/2019
Código do texto: T6542243
Classificação de conteúdo: seguro
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