TEATRO GAUDÉRIO PARA SER ENCENADO NA SEMANA FARROUPILHA - SCRIPT ESCRITO PELA EDUCADORA SOLANGE DA CRUZ BATTIROLA

APRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS

DURANTE A SEMANA FARROUPILHA

*TEATRO O TEATRO FOI ESCRITO PELA EDUCADORA SOLANGE DA CRUZ BATTIROLA, ENCENADO PELOS ALUNOS DURANTE OS FESTEJOS DA SEMANA FARROUPILHA.

Cenário: pelegos, chaleira preta, trempe, berrante, violão, chimarrão, gaita, indumentárias gaúchas e tudo o mais que lembrar as tradições do Rio Grande do Sul.

1° ato: hino Rio-grandense.

2° ato: aparecem os atores, como forma de apresentação, com as falas do narrador.

• Gaúcho Gaudério, dono da Querência, Compadre Sérgio.

• Irmão das prendas: Xiru Bagual

• Narrador -

• Peão Farroupilha - Pedro

• Prenda Calorosa - Clarice

• Prenda feia - Cristina

• Prenda treme-treme, pisca-pisca - Catiele

Narrador: Gaúcho é o nome que se dá a todos os nascidos no estado do Rio Grande do Sul. Ele usa chapéu de abas larga, bombacha, camisa de pano, lenço de pescoço, guaiaca, bota de espora, pala, poncho... sua prenda usa vestido de chita e laço de fita ou enfeite no cabelo. O nosso teatro intitula-se: MAIS GROSSO QUE UM TROÇO!

3° ato:

• Um cusco rola de um lado para o outro .....sinal que vai chegar visita.

• galo canta na porta da querência..............sinal que vai chegar visita.

• Cai um garfo no chão.....sinal de que a visita é de homem. Se fosse mulher seria uma colher ou uma faca.

Clarice: - Hoje não está doendo a minha cicatriz: sinal de que não vai chover

Cristina : - Nem tem rabo de galo no céu: sinal de que não vai chover mesmo.

4° ato:

Se aproxima a trote galopando num cavalo, (batidas no peito imitando o som do trote) um gaúcho gaudério vindo lá das bandas do Uruguai, seu nome é Peão Farroupilha e vem visitar o compadre Sérgio e suas filhas, ele é um pretendente e quer namorar a prenda mais bonitona da estância.

Pedro: Ô de casa!

Ô de casa!

Ô de casa! Com palmas

Ô de casa!

5° ato :

Cumprimentos gaúchos.

Sérgio: Amigo, boleia a perna, puxa um banco e vai sentando, encosta a palha na orelha e o fumo vai picando. Enquanto a chaleira esquenta um amargo eu vou cevando.

Pedro: Enquanto o Xirú vai cevando o mate uma trova eu vou falar: é uma coisa do cotidiano e isso ninguém pode negar. Bueno amigo, como vai a situação, comendo churrasco gordo, tomaremos um bom chimarrão, esperamos uma boa chuvinha para fazer a plantação! Vou terminar esta trova, antes que eu leve um talagaço, pros homem eu deixo lembrança e pras prendas o meu abraço!

6° ato:

Conversa informal entre os amigos:

Sérgio: Mas conte as novidades índio velho, eu aqui não tenho muitas, a última foi que dia desses fui assar um churrasquinho de carne fracionada e a vizinhança reclamou do cheiro forte de carne queimada!

Pedro: Buenos.... agora no mais.... Venho a galope lá do bolichão do Zé e escutei que deu uma grande forrobodó , um bochincho daqueles na bailanta da Mariquinha.

Sérgio: Oigaletê! Barbaridade! E a coisa enfezo feio pro lado de quem?

Pedro: o tal de João Talagaço enfezo pro lado do amigo Getúlio. A coisa fico feia pro lado dele e foi um dele que te dele danado. Tu bem sabe que o Getúlio não olha pros pêlos nem pras marcas.. ele vai logo metendo a mão na cara.

Sérgio: Mas e alguém bateu as botas? Alguém bateu com a cola na cerca?

Pedro: Como? Se algum morreu? Não houve mortos.

Sérgio: Qual dos dois meteu a viola no saco pôr primeiro? Qual se aperreou primeiro?

Pedro: Nenhum. Os dois são valentes que só vendo. E dois bicudos não se bicam. O que interrompeu a peleja foram os milico. A milicada entrou em cena e apartou a chiruzada. A milicada deu-lhes uma surra com vara de chá de marmelo e os dois ficaram com talhos que nem de tábua de picar carne.

Sérgio: - O teu alazão é bonito e bem cuidado.

Pedro: É, ele não é feio e está às suas ordens! Quanto ao teu campo é muito lindo e parece muito bom!

Sérgio: É ele não é mau. Mas tira esse olho gordo lá para o lado de lá, afinal tudo que aqui se planta aqui se colhe!

Pedro: Mas gaudério, qual é o teu CTG?

Sérgio: Eu participo dos fandangos no CTG Carlos Bastos do Prado e no CTG galpão de Estância.

Pedro: E este churrasco?

Sérgio: Vai ser bem ou mal passado, depende de como o amigo preferir! Mas me conte de todos os hábitos e costumes conhecidos, quais os que você mais pratica?

Pedro: Sou hábil no tiro de laço, sei laçar muito bem tanto boi como cavalo, usando uma corda. Também gosto de conduzir o gado, realizo este trabalho tanto de dia como de noite, faça chuva ou faça sol, esteja caindo neve ou soprando o minuano. E o compadre?

Sérgio: Eu saboreio um bom chimarrão, para mim é um gesto hospitaleiro e de grande cordialidade a todos os que vem aqui me visitar. Para mim deve estar aceso o fogo de chão como este tanto para fazer o churrasco como para aquecer o ambiente. Gosto de ir em rodeios, gineteadas, domar potros, tiro de laço e das danças de galpão. O que mais tu fazes lá na tua querência?

Pedro: Eu me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho! E o amigo tem algum artigo de fé?

Sérgio: Pra mim, a mulher amada e o violão companheiro. E nenhum de se emprestar. E falando de mulher vou chamar as minhas irmãs, que entrem as prendas aqui para fazer sala.

7° ato:

Entram as prendas.

Pedro: Boas tarde. Mas que flores de china. São todas muito faceiras no mais. Podem se abancar aqui perto desse índio taura.

Cristina: se pisca o tempo todo.

Pedro: caiu um cisco no zóio da prenda?

Clarice: dá fortes acessos de calor.

Pedro: imagine só o calorão que vai te dar depois de te deitar em cima dos meus pelegos.

Catiele: suspira o tempo todo.

Pedro: das 3 tu és a mais feia, tão feia que chega até a dar dó.

Depois de arrastar a asa para cada uma, ele se volta para o dono da querência.

Pedro: eu tenho andado há muito tempo solito no más. Gostaria muito de arrumar uma moça prendada para as bandas desse teu rincão e pelo que eu notei o amigo tem essas beldades aqui na casa. São bonitonas que nem laranja de amostra. São mimosas que nem gato de tia solteirona.

Sérgio: deixa de ser chato que nem carrapato. Infelizmente elas não são pro teu bico jacaré. Eu sei muito bem que tu andas matando cachorro a grito e de cusco aqui em casa já chega o meu guaipeca. Aqui nas minhas costas é que tu não vais tirar o pé do barro não.

Pedro: calma lá. Não precisa virar galo de rinha não. Não saia tão de atravessado assim. Eu vivo que nem cavalo contrabandista e já vou tirar o meu cavalo da chuva. Vou abrir fora e tocar o meu petiço praz bandas do Uruguai, por lá vou dar umas camperiadas e com certeza o patrão velho lá de cima vai colocar uma prenda no caminho deste peão farroupilha.

Sérgio: fiz mal em chamar essas gurias aqui no galpão. Agora eu sei que lugar de cusco e de homem é no galpão. E lugar de mulher e de gato é na cozinha.

8° ato: despedida, cantando, uma música gaúcha

Ao final, retornam os artistas para o palco, como sinal de agradecimento para toda a platéia

Palavras gaudérias poderão ser usadas no decorrer do teatro, de acordo com o dicionário gaúcho.

Tchê .Barbaridade. Buenos. Agora no mais. Tire o cavalo da chuva. Não se aperreie. Toca o petiço. Bolicho. Bochincho. Chiru. Chiruzada. Piá. Guri. Galope. Camperiar. Enfezar. Dele que te dele. Guri. Guaipeca. Gaudério. Bagual . Macanudo. Valente. Solito. Trago. Rincão. Querência. Xará . xubrega.

Forte abraço a quem encenar este teatro farroupilha, peço que postem seus comentários em meu blog sobre acertos, erros e sugestões durante a dramatização. Com carinho: Prof. Solange da Cruz Battirola