Realismo

Eu não me apaixonei por uma fada

Que, voluptuosamente virgem, voa;

Caí tampouco aos pés de deusa boa,

Perfeita e pura amante imaculada.

Eu não me deparei, a estar à toa,

Com espectro de uma moça tão sonhada.

Também não fui mordido por toada

Da voz de uma sereia à minha proa.

Aquela que me encheu de amor o peito

E fez brotar-me aos olhos fonte triste

Que solvem sono e sonho quando deito

É uma humana que no mundo existe,

Cuja excelência me tornou sujeito

De amar-lhe a mácula que em si persiste.

Thiago Leite
Enviado por Thiago Leite em 19/04/2005
Código do texto: T12091