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Sonetos Decassílabos Heroicos

Devem conter obrigatoriamente em todos os seus quatorze versos, 10 (dez) sílabas poéticas e tônicas nas sílabas 6 (seis) e 10 (dez). Cumprindo essas regras na confecção de um soneto o metrificador promove-o a decassílabo heroico. A denominação é uma associação aos versos heroicos, criados originalmente para homenagear feitos heroicos, heróis, batalhas, etc...

Soneto à mulher

Mulher, te vejo pura, qual criança
Revelando o amor todos os dias,
E ao contemplar estrelas, que alegria!
Eu sinto a tua essência, da esperança.

Mulher és, mais que tudo, temperança,
Ao compartilhar dores com os amigos,
És vício bom, um drible no perigo,
És emoção, és riso, boas lembranças.

O amor, em sua estrutura, é o pilar...
Uma carícia amiga, um despertar
Uma alma, prenhe de paixão, feliz,

E em seu espírito livre, sem ardis
Em meio a tantas pétalas, uma flor
És coração que explode em amor!



Amor eterno


Um sentimento ingênuo e abundante,
De um coração imenso e exuberante.
Não qualquer alegria juvenil,
Ou sonho radical, estudantil

Mas delicada vida em consonância,
Com a fé e esperança, alternância
Do interesse ingênuo, infantil.
E a amizade simples, pueril.

A tolerância plena e a mão
Que estende o fruto e livra-se do mal,
Um confortante ombro e o perdão.

Verdade, mesmo exposto ao vendaval.
Motivação no apego irmão, fraterno.
Incontestável amor, puro e eterno.

Ardis

Sou sim igual a todas as crianças,
E sonho esse amor todos os dias,
Observando estrelas, que alegria!,
Ao contemplá-las “vejo” a esperança.

O amor antes de tudo é temperança,
A amizade franca, um velho amigo,
Um vício bom que dribla o perigo,
A atenção, um riso, uma lembrança.

O sexo? Vem em anexo. O amor? Pilar...
É a luz do sol querendo o despertar,
Feliz suspiro, encanto em ser feliz.

O prazer de sentir o olor da flor,
Sublima-se o espírito no amor.
O amor não deixa rastros de ardis.

Pluraridade

Percebo claramente e aceito a idéia
De múltiplas verdades, simultâneas;
Concepções veementes, instantâneas,
Abstrações de curas, panacéias.

Mas digo não às birras pessoais
E ao inconsciente coletivo;
Por outro lado, sim ao som ativo
Dos participativos, liberais.

O udigrudi existe, é real,
Não é uma projeção, lanço mental.
“Se adormeço, assusta-me o escuro”.

Confunde-me o igual e o esconjuro.
Persiste em mim querer fisgar receitas
Da plural sinergia, tão perfeita.


Koan

Na alma insone reina a madrugada.
Há asas que adejam, agitadas.
Indícios de visita... um beija-flor?
Escuto um sussuro de amor!

Prenúncios de algazarra como em sonhos,
Ecoa uma voz bem longe... ais, tristonhos...
Vibrante esse momento, imensidão
À tona vem um quê de excitação.

Zumbi, eu atravesso estranhos becos,
Sentindo um calor nos meus pés secos,
Farejo teu olor... prazer do olfato,

Foge-me a lucidez e em um só ato
Abre-se uma cortina em gestação,
Frisson voluptuoso...uma canção.

Paixão declarada

Minha ilha, minha alma, um paraíso!
Descanso da tristeza em puro riso,
Convertes tempestade em calmaria,
E a noite estelar em pleno dia.

No teu céu encontrei o meu esteio.
No mar para surfar meus devaneios.
Águas pra mergulhar, tão cristalinas,
Minha ilha, para ti, a glória é sina!

As tartarugas vão a ti, ovar.
Golfinhos vão a ti acasalar.
Por lei já és tombada, segurança.

Minha ilha de intensa temperança,
Agradecem a fauna, a flora, a flor:
“És uma Graça de Deus, ilha do amor!”

O labirinto e as sementes

A carne já talhada por navalha
Os ossos já quebrados na batalha
Em labirinto infindo, e lá escondida,
A chave do amor, contrapartida.

Encontrar a saída o ponto crítico,
Um mote em corpo, alma e espírito.
Romper eternamente os grilhões,
Matar o minotauro, achar opções.

A dor faz-se alimento desse amor.
O amor em servidão, eterna dor.
Um ciclo perigoso, um fantoche

De um carrasco, as dores do deboche...
Morto o carrasco, aviva-se a mente
Ao encontrar a chave, as sementes...

Lucas... um Honor de honra e nome

Estava extremamente emocionado
Com esses olhos inda não comidos,
Voz embargada e todos os sentidos,
Ao ver brotar do amor varão esperado.

Considerado são, corpo normal,
E da jabuticaba trouxe a cor
Nos olhos a aparência de um Cabral
E a personalidade de um Honor.

É hoje homem completo, e muito justo
E tem de Deus a graça em seu rosto,
Que amo como a mim, e isso posto,
Declaro-lhe aqui amor robusto.

E rogo ao Santo Deus conserve-o igual,
Pra sempre, à sua imagem espiritual.

Soneto à Herbene

No teu sorriso um dom, graça divina.
Olhos da cor de anil, canto pueril.
Aveludada pele de menina,
Exuberante riso, infantil.

Tu és entre as estrelas a mais brilhante,
Voz limpa e terna lembro o teu cantar,
Mas... veio a foice, a morte, penetrante,
Levou-te, lamentável naufragar.

Tu fostes uma criança em tua vida,
Doastes como mãe um amor profuso,
Renascestes, uma flor, em meu jardim.

Te fiz este poema, despedida,
Cantando esse amor, de luz difusa,
Para cantarmos junto aos Querubins.

Luz que irradia

Senhora do prazer, porto seguro.
Encontro em ti a paz, não mais procuro.
A sombra que me ofertas é bastante,
Tranquila, doce e calma, sou amante

Deste corpo macio e navegá-lo
É meu maior prazer, incauto andar.
Relembro... nos teus sonhos eu entrei,
Na minha mente, a ti, entronizei.

O calor do teu corpo junto ao meu,
Causou-me descontrole e aqueceu-me.
Tuas curvas observo ora expostas,
E as gotas reluzentes em tuas costas,

Respiração serena, ritmada,
E a luz que irradia da tua Alma.

Transcendência

Um voo cego, livre, sem medrar,
Buscando a presa, destro em sondar,
Fechando as asas, certo, ao descobrir
Que deve mergulhar dentro de si.

Matar a fome aguda e libertar-se;
Aos píncaros subir e desvendar-se,
É mais que um proceder inconsciente;
Voar para viverf... intensamente.

Atento como um ser sempre em guerra,
Um predador que cumpre sua missão,
Mergulhando a mil, em direção

Do alvo que se move lá na terra,
Beleza que transpira a excelência
Do transcender da própria existência.

Concreto e abusivo

Sonho muito lembrando com saudade,
Que eu nasci Cariri de coração,
A infância, pujança do sertão,
Mas assusta-me a triste realidade.

De onde vem tão hostil improbidade?
Meditar traz-me à tona a visão,
Um desfecho de caos e solidão,
A violência assalta a sociedade.

Faz-me tecer insana abstração,
Nos ermos de extrema volição,
Pergunto o que será do teu porvir,

Ó pátria amada minha, o que há de vir?
Concreto e abusivo sofrimento?
Fatal inferno, infindo alheamento?

Amigos

Tão raro encontrar-me tão sozinho,
Uma estranha sensação...no próprio ninho.
Amigos, tão tranquilos ao ouvir-me,
Amigos que apreendem o meu sentir

E toda a dor no peito a sufocar-me.
E toda essa angústia a arrasar-me,
Toda essa imensa sede de entregar-me,
Toda essa ânsia vil de extravasar-me,

Tudo parece simples ao amigo.
Sempre oferece o ombro, um abrigo,
Ao coração aberto e inconsolável,
À solidão, um monstro irrefragável.

Amigos, são certeza e renitência,
Amigos, são eterna conivência.

Mãe natureza

Deslumbrante visão, mãe natureza,
Uma rosa cor branca, que pureza!
Formosura ancestral em simetria,
Ouvi falar mas ver... tanta harmonia!

Sentir a emoção nessa beleza,
Ouvir a sua voz, que singeleza!
Comoveu-me o prazer da iguaria,
Só consigo expressar em poesia!

Que sensação! Em meio a garoa,
Escutar as canções que ela entoa,
Com uma perfeição angelical,
Exibe-se... em estado terminal!

Pois mesmo agredida brutalmente,
Exerce o seu papel candidamente!

Querer e poder

Estou sempre inclinado a refletir,
Sobre o direito, meu, de prosseguir,
Na direção a que me propusesse,
Não que eu fosse mas que eu quisesse.

Seria bom poder igual a querer,
Uma paixão, um amor de vera ter.
Pois trafegar na rota que houvesse,
Seria então como se eu quisesse.

Mas se poder é igual ou não a querer,
Uma paixão, um amor de vera ter,
E se o tempo todo eu quisesse,
De dia ou de noite eu pudesse,

Amor, Paixão e Ter, mais o Saber,
Seriam nas minhas mãos Querer e Poder.

Segredos

Segredos muitos são nossas verdades.
Segredos de um sonhar em liberdade.
Segredos podem ser inferno astral.
Segredos nos trovões de um vendaval.

Segredos de amor, dor e angústias...
Segredos reservados à parúsia.
Segredos para os anjos, esvoaçantes.
Segredos resguardados por amantes.

Segredos, regozijos, nascimentos.
Segredos escondidos no tormento.
Segredos vêm à tona no jardim.

Segredos entre anjos serafins.
Segredos, tão secretos, são sementes.
Segredos, um Nirvana, ou dois, presentes.

Enfim só(s)

Alfim todos os traumas acabaram,
Desfeitos como gelos aquecidos.
Os ventos, sopros fortes, deformaram,
Desenhos de uma nuvem em céu tecido.

A vida refletida nas mãos nuas,
De explícita vergonha desnudada,
Que antes de ser minha era tua,
Deixou as nossas almas destratadas.

O tráfego das luzes na calçada,
Pisadas em compassos diferentes,
De tanta gente tanto mal amada,
Essa certeza sempre deprimente.

Desfez-se em brisa branda amor tão forte...
E enfim só(s), rindo, assim, da própria sorte...

Te direi

No entardecer do dia me sentistes.
Nos raios, pelas frestas, já me vistes.
Nas montanhas douradas que passei,
E nas carícias suaves que deixei.

Alguém que trouxe mágoas por não vir,
Sorrindo levemente ao sentir
O sabor agridoce da vitória,
E aí perdeu o bonde da história.

No entanto venho sempre não atentas,
Nas cores do arrebol do sol que finda,
Nos trovões que celebram a tempestade,

Nas nuvens carregadas e cinzentas,
Nas vozes que a brisa tão menina
Externa a vibração da eternidade?

Cruel

Seus olhos ao fitar-me já não brilham,
Não me procuram mais, na amarga trilha.
Já não mais se deleitam à minha presença,
Já não mais choram tristes minha ausência.

Essa indiferença entristece-me,
Proposital, eu sei, mas enlouquece-me.
Uma dissimulação que só magoa-me,
É um jogo infeliz, deixa-me à toa.

Ofereces o pão, com uma mão
E com a outra açoitas sem perdão.
E feres com desprezo, à toda brida,

Um coração carente de guarida.
Como alguém regozija-se em soprar
Um vento tão cruel e o amor levar?

Paz

Esvaziado o pranto, outrora aberto,
Trazido este silêncio, surdo, quieto,
Somente o ar, carícia, brisa quente,
A luz, a árvore, a água e os nutrientes.

Um pássaro a cantar, um velho monge,
Levando a dor de perto pra tão longe,
E consequentemente o mar ecoa,
Pausadamente desce a garoa.

Distante, uma arma quente é detonada,
E toda a sua balística esfogueada,
Com a destruição na sua potência,

Penetra sem limite a consciência.
Acrônica e sutil, sopra trigueira.
A paz magnânima, chega, derradeira.

Réquiem

De tanto levantar essas questões,
Meu lado cognitivo captou:
Já percebi o ser que me manchou,
Criatura hedionda de intenções.

Já sei que tens um alvo, devastar-me!
Meu conversar interno e o consciente,
Seja emocional, racionalmente,
Vou ter que ir bem fundo, expurgar.

Mas que habilidade espartana,
Terei que adquirir para ganhar,
A exata expertise e expulsar

Tal depressão cruel, triste e insana?
Meu Réquiem sereno alcançarei?
Terei o meu nirvana, vencerei?

Ampulheta

Caminhou sobre espinhos e não sentiu.
Em terras estrangeiras libertou
Sua alma algemada e celebrou,
Fintando os inimigos, advertiu-os

E empreendeu a última caminhada,
O vento sussurou-lhe numa rajada
Transcendental, sua mente iludida,
Em décimos, sua vida compreendida.

Dançou com alegria extravasada
Sacando os defeitos descobertos,
Destroçou todos eles, em martírio.

Com a flama de poeta embaçada,
E tanta luz à volta, a céu aberto,
Virou a ampulheta em delírio.

Esperança

Apreciaria ter tua presença,
Para capturar a tua essência.
Adoçaria em prece extremada,
O amargo da tua vida atribulada.

Meu coração riria com prazer,
À luz dos olhos meus, és meu viver.
À luz dos olhos teus sou um perdido,
Tu sentes o que sinto? Como digo?...

Percebes meu amor, essa miséria?
Externa-me uma saída, nem que etérea!
No peito um sentimento mutilado,

Transforma-o em sonho realizado!
Transmuda a esperança em terno olhar,
De quem deseja ser amado e amar!

Matizes

Que oferendas trago-te e me avesso
Falas da vida ávida, te alerto.
Ao perceber em mim essa emoção,
Percebo em ti profunda comoção.

No teu dizer palavras e na mente
Translúcida, contínua, permanente,
Pura filosofia pontual,
Anomalia extrema, sensual.

Uma térmica me arrasta e incontido,
Descontroladamente alto, eu grito!
Transborda-me a alegria, tu me dizes,

Evocas pirações, revogas éticas,
Os loucos e a razão dão os matizes
Da vida que é um lar de cor poética.

De qualquer jeito

Te amar, febre contínua, nesse leito,
Amor assim tão pobre, sempre em pleito,
Inexplicável sina, amor infiel!
Luxúria aguçada, doce mel!

Amainar essa febre... há remédio?
Encarar o litígio... embora um tédio,
Livrar-se dessa sina, há esperança?
Possível, se não fossem as nuanças.

Assim, aspiro aragens poluídas
Beijando tua boca de devassa.
Considero esse vício, uma mordaça,

Submerso no teu corpo, diluído,
Embotado, sem força, nesse leito,
Persisto neste amor, de qualquer jeito.

Cabeça de poeta
Enviado por Cabeça de poeta em 18/05/2009
Reeditado em 24/05/2009
Código do texto: T1601660

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Sobre o autor
Cabeça de poeta
Fortaleza - Ceará - Brasil, 65 anos
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