AO SONETO



Soneto és tu brasão do Classicismo
Da Acrópole o pendão de Ovídio e Homero
O culto d’arte, o verso com esmero
Herdou Bilac o bom Parnasianismo.

Se Lord Byron o fez no Romantismo
Assim o fez Ravel com o seu Bolero.
Soneto és tu meu culto, eu também quero
Professar o teu nome ao meu batismo.

Horácio eu nunca fui, nem sou Pompílio,
Nem ao credo de Petrarca eu me confesso,
Pois que não sou um poeta panteista.

Só um Deus me fez poeta, um vate Hermílio
E a ti e a Ele em verso é que eu peço
Perdão se ainda não sou um sonetista.




SARÇA ARDENTE

Meu verso acácia queima-se em sarça
Ardente e me abrasa em desejo.
Em fogo se transforma, se disfarça

E deixa-me somente neste ensejo:


O azul do céu se abriu pro voo da garça
Rasgar as nuvens como um relampejo
Em vendaval na tarde que mormaça
A iludir-me à imagem que eu não vejo.

Vejo no céu a lua cor de sangue
Turvar meu rosto, e o pálido sorriso
Em pranto se banhar copiosamente

Pra que de sangue e lágrima se estanque
A derradeira gota. E o paraíso
Eu veja fora desta sarça ardente
.
 
LordHermilioWerther
Enviado por LordHermilioWerther em 29/03/2011
Reeditado em 06/11/2013
Código do texto: T2877052
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