NUDEZ

No desnorteio de pairar inebriado

em tua sombra que me veste toda a essência,

eu me serpeio a misturar-me no teu fado,

enlouquecido delirando em dissolvência.

Em teu olhar, a chama em vela do segredo...

Eu me desvendo em tua rima de assonância...

Nas tuas coisas vivo meu feliz degredo...

Fixo em meu corpo tua vívida substância...

E vou voando pelas vagas de tua aura,

vou lapidando em mim a graça que se instaura,

enquanto bordas no destino que te dei.

Mas na viagem do meu sonho em teus tesouros,

ah, conheci, de ti, sombrios logradouros.

E ao desnudar-te a humanidade, eu acordei.

Marco Aurelio Vieira
Enviado por Marco Aurelio Vieira em 07/06/2011
Reeditado em 20/09/2019
Código do texto: T3019192
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