ESCREVE-ME

(Florbela Espanca)


Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!

"Amo-te!" Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então... brandas... serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade
...
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ESCREVE-ME

(Hermílio).

Escreve-me! Ainda que na lousa,
Mármore frio que m’ia carne guarda,
Assim como Camões fez para Anarda
Um epitáfio onde a amada repousa.

Escreve-me um soneto, alguma cousa,
Inda que no teu peito já não arda
A brasa da paixão - cinza que tarda-,
A lembrança em fumaça insista, ousa!

Escreve o arcano verso. O derradeiro,
Assim como Machado a Carolina
Póstumos versos que os terei só meus.

Escreve como se o beijo primeiro
Aqui ficasse como unção divina
Do amor uma palavra só: adeus!

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Inspirar-se num poema de Florbela é uma temeridade
igual à felicidade
de se ter num comentário, entre  outras vezes,
Um poema de Tânia Meneses.

Gratíssimo poeta!

 
Por certo terei versos
Ainda que a mente embruteça e os dedos eu esfole
Haverá versos tímidos, reprimidos
Versos-pequenos- comprimidos
Eles são o bálsamo de a saudade espairecer
Farei poemas desde o raiar do sol
Quando em dia e noite o astro fizer a terra dividida
Serão versos renegados/Versos despetalados
Fragílimas hastes a serem incineradas
Quando, enfim, a poesia fenecer

Meneses e Meneses.

LordHermilioWerther
Enviado por LordHermilioWerther em 03/07/2011
Reeditado em 03/07/2011
Código do texto: T3072303
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