VÃO

Abutres me espreitam, não entendo

Sinto adormecer meu corpo frio

Versos soturnos e um arrepio

Minh'alma flutua, eu não me rendo

Estarei eu, vivo ou morrendo?

Pois, não vejo cor, sinto um vazio

E a tristura fúnebre do rio

E eu, longe de mim, me arrependo

Por não ter vivido, estando vivo

Não chorar por nada e ser altivo

É tardio meu pranto, minha dor forte

Perdi a existência na idade

Então, me resta a eternidade

Para querer viver depois da morte.