Carne opulenta, majestosa, fina,
     Do sol gerada nos febris carinhos,
     Há músicas, há cânticos, há vinhos
     Na tua estranha boca sulferina.
      
     A forma delicada e alabastrina
     Do teu corpo de límpidos arminhos
     Tem a frescura virginal dos linhos
     E da neve polar e cristalina.
      
     Deslumbramento de luxúria e gozo,
     Vem dessa carne o travo aciduloso
     De um fruto aberto aos tropicais mormaços.
      
     Teu coração lembra a orgia dos triclínios...
     E os reis dormem bizarros e sangüíneos
     Na seda branca e pulcra dos teus braços.

                                                   (do livro “Broquéis”)
 
 
Créditos:
www.biblio.com.br/
www.bibvirt.futuro.usp.br     
www.dominiopublico.gov.br



João da Cruz e Sousa (Brasil)
Enviado por Helena Carolina de Souza em 26/11/2011
Código do texto: T3357370