Outros, mais do que o meu, finos olfatos,
     Sintam aquele aroma estranho e belo
     Que tu, ó Lírio lânguido, singelo,
     Guardaste nos teus íntimos recatos.
      
     Que outros se lembrem dos sutis e exatos
     Traços, que hoje não lembro e não revelo
     E se recordem, com profundo anelo,
     Da tua voz de siderais contatos...
      
     Mas eu, para lembrar mortos encantos,
     Rosas murchas de graças e quebrantos,
     Linhas, perfil e tanta dor saudosa,
      
     Tanto martírio, tanta mágoa e pena,
     Precisaria de uma luz serene,
     De uma luz imortal maravilhosa!...

                                               (do livro “Broquéis”)
 
 
Créditos:
www.biblio.com.br/
www.bibvirt.futuro.usp.br     
www.dominiopublico.gov.br



João da Cruz e Sousa (Brasil)
Enviado por Helena Carolina de Souza em 26/11/2011
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