Esse cornóide deus funambulesco
     Em torno ao qual as Potestades rugem,
     Lembra os trovões, que tétricos estrugem,
     No riso alvar de truão carnavalesco.
      
     De ironias o momo picaresco
     Abre-lhe a boca e uns dentes de ferrugem,
     Verdes gengivas de ácida salsugem
     Mostra e parece um Sátiro dantesco.
      
     Mas ninguém nota as cóleras horríveis,
     Os chascos, os sarcasmos impassíveis
     Dessa estranha e tremenda Majestade.
      
     Do torvo deus hediondo, atroz, nefando,
     Senil, que embora, rindo, está chorando
     Os Noivados em flor da Mocidade!

                                                      (do livro “Broquéis”)
 
 
Créditos:
www.biblio.com.br/
www.bibvirt.futuro.usp.br     
www.dominiopublico.gov.br



João da Cruz e Sousa (Brasil)
Enviado por Helena Carolina de Souza em 26/11/2011
Código do texto: T3357893