SOLIDÃO

Sinto no meu frágil peito, a tristura

Sinto uma lança que, lentamente

Aloja-se no pobre e descontente

Coração, esposo da amargura

Sinto o metal gelado, feito quente

Cortando as entranhas da ternura

Da alma cansada desta loucura

Sinto o corpo sem tato, já dormente

E, de sentir, hei de nunca mais sentir

Culpa da solidão que há sem ti

Não sabes que te amo loucamente

Na inútil discrição que eu tenho

Não mostro o sentimento, então, venho

Morrendo sozinho, assim doente.