RECOLHIMENTO (Soneto)

Hoje sou aquela... a que sepulta

Palmas, louvores, risos, ironias

Quero santos ofícios, elegias

Abrir a sacra catedral oculta

Quero sinos tocando a rebate

Eco de meus lamuriosos ais

Quero beber as mágoas dos mortais

Alimentar a dor que em mim se abate

Ser surda a qualquer hino de alegria

Ajoelhar em réquiem de finados

Dar campa aos meus amantes desamados

Carpir a vida breve e fugidia

Pôr luto pela morta felicidade

E recolher-me em ti… nesta saudade

(In "Despida de Segredos")

Carmo Vasconcelos
Enviado por Carmo Vasconcelos em 20/07/2005
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