Desengano

Quando subi no altar do Desengano,

Encontrei uma pira com dourada

Chama que refulgia maculada

Pelo fumo mais turvo e mais ufano.

Fumo fúnebre, forma deformada...

Do farto fogo, filho mais profano...

Infame afim ao fel que – atroz tirano! –

Ceifou a luz dest'alma esfacelada.

"Oh! que queima – eu gritei – nesta vil pira

Que tanto e tanto do pesar m'inspira

E sega do futuro boas lembranças?"

Voltei-me p'ras paredes, tão escuras,

E vi, numa inscrição, palavras duras...

Ali queimavam minhas esperanças.

Ivan Eugênio da Cunha
Enviado por Ivan Eugênio da Cunha em 19/05/2012
Reeditado em 12/08/2013
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