SOLIDÃO

A solidão é companheira intrusa
Benquista e inoportuna, a um tempo só
Rival e amiga e bruxa e fada e musa
Pois vem quando estou fraco, e vem sem dó.

Estando entristecido e amargurado
É ela quem povoa minha mente
É ela quem achega-se ao meu lado
Quem dá-me um riso brando, um olhar quente.

Insinuante, excita meus sentidos
Relembra-me vontades e libidos
Toca-me, enfim, a pele, e dá-me beijos

Aviva meus prazeres – são torturas
Revive meus amores – são loucuras
Sussurra aos meus ouvidos – são desejos!