AMARGO-DOCE!

AMARGO-DOCE!

Carmo Vasconcelos

Fazes-me tanta falta, meu amor!…

Como o vento que enfuna a lassa vela,

o leme que impulsiona a caravela,

o estio que o fruto emprenha de calor!

Sem ti a noite despede o seu fulgor,

e eu fico cega ao breu desta janela,

se não me chega o teu brilhar de estrela,

fúlgida luz que ofusca a minha dor…

A dor de não poder aconchegar-me

no teu peito… teus dedos a afagar-me,

e o fogo do teu corpo ao meu colado.

E é como amargo-doce este licor,

de amar-te a conta-gotas mal contado,

em doses homeopáticas de amor!

***

Lisboa/Portugal

http://www.carmovasconcelos-fenix.org

Carmo Vasconcelos
Enviado por Carmo Vasconcelos em 08/04/2014
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