atro sopro das asas

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no sopro atro das asas da criatura

que paira sobre os restos, sobre as lousas

de muitos, já, já dispersos pelas cousas,

tendo o mundo inteiro por sepultura..

quando o Inverno, a bafos, clareia o cipreste

e a carcaça corvídea fede a um canto

mais negro que o sangue ateu do espanto..

no atro sopro das asas, em era agreste,

eu vi-a, se era ela!... por campas e campas,

mais vulto, dama das caras mais brancas,

com a unha pela cal fria arranhando..

e se o meu peito batia forte, tão forte,

era o seu o hospício calmo da Morte,

um túmulo, no ar líquido flutuando..

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Luís R Santos
Enviado por Luís R Santos em 15/04/2016
Código do texto: T5605956
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