Suíte da paixão

Incêndio

Em fuga desesperados,

acorrem dúvidas, medos, desejos.

À boca irrompe estafado,

um carbonizado beijo

Na ponta da língua, ele exita...

Pula, não pula, pula...

A multidão de nervos se agita,

o sangue, desnorteado, coagula.

Estarei condenado às cinzas,

se um mar de lágrimas é impotente?

Ou estarão em seus olhos, a saída

que me faça sobrevivente?

Atordoado, o coração reclama:

-Salve-me! Meu peito está em chamas!

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Gozo

Pele macia de um branco róseo,

exploro intenso, ao som de mútuos solfejos.

Ante os mamilos, energia e ócio

intercalados por apaixonados beijos.

Em tuas coxas, desbravo o caminho.

Tendo o olfato por guia ao que não vejo.

Faro canino, demarco em redemoinhos

com a língua úmida, a fonte do desejo!

Intumescido avanço decidido

a desbravar o abismo do teu ser.

Enebriado percorro o percorrido,

por tantas vezes, nos atalhos do prazer.

Que encontro arfando, louca alcateia...

Deveras longo, o fim desta odisseia!

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Jardim dos arrependimentos

Na noite longa por companhia,

tua ausência não é alforria.

Se a dor pesasse em libra,

sobre meus ombros, toda Coimbra.

Agora, que a mim se oferece tudo,

na mão vazia, não guardo nada.

Vivo de gritos mudos,

lembranças de outra estrada.

A culpa em mim floresce.

Só sei doar-me à vida,

onde você fenece.

Sou todo aceno de partida!

Jardim mórbido dos arrependimentos

Semeio palavras, as levam o vento.

Fonseca da Rocha
Enviado por Fonseca da Rocha em 08/06/2016
Código do texto: T5661035
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