Soneto a Raiva


E se de tão rouca minha voz falhar,
buscarei no silêncio meu conciliar,
não semearei discórdia ofuscante,
como sol velho em pasto verdejante.


A raiva muda, que não é sonora,
vai envenenar a alma e amargar a vida,
mas ao morrer é límpida e inodora,
transcende a água que é cristalina.


Se suspendo o grito e não me resguardo,
calado guardo, achatado e embrulhado
no embaralho da colcha de retalho.

E na calmaria da mente agitada,
pensamento e voz sossegam a raiva,
sutilmente a raiva é que me acalma.
Beto Servidio
Enviado por Beto Servidio em 06/01/2017
Reeditado em 06/01/2017
Código do texto: T5874121
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