ENGANO


Perdi, por pouco, um mundo que me quis
Tão só por ver em mim quem não me sou.
Celebro o engano, salvo por um triz
De ser, lá, quem me viram, que passou.
 
Deixei que meu disfarce mais feliz
Cegasse tanto uns tontos quanto o sol
Remoendo eclipse em tudo que não diz
Ser bom ser só (nem tanto) ao que o alcançou.
 
Quem fui, de resto, mago, louco ou rei
De copas, pouco importa – a imagem trai
No quanto encerra, em si, quem não me sei.
 
Já por agora basta ter por seu
Agravo quem me sou, tal mundo extrai
De enganos glórias pobres, turvo céu.
 
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Israel Rozário
Enviado por Israel Rozário em 17/06/2017
Código do texto: T6029874
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