A primavera surgiu com seu vestido de clorofila.
Do campo nos chega um doce odor de alecrim,
Como se o vento acabasse de digerir um jardim,
Para dele tirar o perfume que pelas tardes destila.
 
Nuvens vaporosas ─ noivas vestidas de anágua─
Dançam no espaço como ilhas feitas de algodão.
E à tarde, um vento mágico faz prestidigitação,
Tirando do ventre delas tíbias borboletas d!água.
 
É então que o sol se deita sobre a terra excitada,
E ela, como mulher que foi amada com talentos,
Paga seu prazer com vistosos canteiros grávidos.
 
Em nossa cama somos o sol e a terra fertilizada,
Fazendo acontecer na emoção destes momentos,
O verão que já chegou em nossos corpos ávidos.