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Corte raso

Pode tocar, deixar marcas na calçada que pisei,
Usar o meu corpo, abrir minhas coxas, acariciar,
Brincar em meu ventre liso, ir por onde já trilhei,
Ou fazer o novo, em um outro caminho de andar.

Pode ondular sobre a minha pele, molhar e secar,
Pode riscar a carne, beber, de mim, todo sangue,
Beijar, lamber, chupar toda a seiva e me drenar
Deixando-me ao pó dos tempos, inteira exangue.

Pode me possuir, torna-se meu dono, determinar,
Morder o seio, arranhar as costas, tornar-me uso,
Matar minha criança, fazer a mulher se ajoelhar;

Só em minha alma não permito, nem a pode tocar,
Todo o resto que puder faça, que não será abuso;
Assim poderá ir, se quiser, e não precisarei voltar.

http://versosprofanos.blogspot.com/
Maria Quitéria
Enviado por Maria Quitéria em 19/09/2007
Reeditado em 19/09/2007
Código do texto: T659100

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Sobre a autora
Maria Quitéria
São Paulo - São Paulo - Brasil
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