Nada a declarar

NADA A DECLARAR

Quem se banha em meu degelo diário?

Quem ignora se me mato no Estácio?

Quem limpa as mãos com meu papel de otário?

Quem vai rascunhando meu epitáfio?

Se eu fosse rocha sólida e não neve,

se eu sambasse enquanto desço a ladeira,

se o que escrevo fosse suave e leve,

se eu sorrisse por cada brincadeira...

Com mise-en-scène testado e aprovado,

talvez, e só talvez, alguém chegasse

sem pára-raios, ficando ao meu lado.

Não! Não quero assim. Prefiro esperar.

Em poucos dias, estarei melhor.

Que cuide de mim o espelho do bar.

(Verônica Marzullo de Brito - 21/08/2019)

Pintura: Manet

Verônica Marzullo de Brito
Enviado por Verônica Marzullo de Brito em 21/08/2019
Reeditado em 24/08/2019
Código do texto: T6725794
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2019. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.