VARA ATOLADA

A chuva enraivecida espalha o berro em água,

embaça tudo ao olho imerso no desver,

atira à encosta em lodo o peso de ira e mágoa

minadas pouco a pouco a ações do humano ser.

Estultos corações da gente feito luva

colada rente à mão de quem comanda a urrar

a perturbada vara errando à lama, à chuva,

dos homojavalis, a vara a chafurdar.

O povo a chuva brava o porco na enxurrada;

deságua a raiva farta em torno ao corpo inerte

de tanto inexistir no reino aberração.

Avança afoita chuva em vômito, golfada

no pobre suinizado; há nada que o desperte

da sina come e caga o podre da nação.

Marco Aurelio Vieira
Enviado por Marco Aurelio Vieira em 23/01/2020
Código do texto: T6848811
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