SONETO AUSENTE

A alegria partiu, divina e alheia,

Dos dias longos dessa morte em vida

E o que ficou não canta o amor, apnéia

Do abril sem tino, nota de suicida.

Angústia em goles dessa taça cheia,

Em tristes dias de razão vencida,

Nem toca o quanto fui se volta e meia

O espelho alude a portos, a partida.

Ouvi meu nome nas canções do vento?

Errei pelas calçadas silenciosas

Desse instante sem fim, todo lamento?

Parti num verso que já não repito

E um outro amarga as horas rancorosas,

Os dias brancos desse outono aflito.

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Israel Rozário
Enviado por Israel Rozário em 08/04/2020
Código do texto: T6910233
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