Erros

A mata é densa, denso meu peito

Como Adão escondo-me também do céu

Sob o rubro jequitibá do vergel

De desventuras tantas afeito

Entrementes embrenho-me insuspeito

Na noite d'escarmentado véu

No bosque horrível, atro e cruel

Dos crimes todos que eu havia feito

Perco-me na mata dos meus erros

Fugindo presto em insólitos círculos

Toldado na que me traga escuridão

Na minha mente há culpas e berros

Aterrando nímios amores e vínculos

E na mata eu, somente, e a solidão

Limoeiro - 20 de Março.

Anac Rocha
Enviado por Anac Rocha em 20/03/2021
Reeditado em 20/03/2021
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