GRATIDÃO

Uma formiga anda pelas minhas pernas,

desbrava, com afinco, pêlos de floresta,

enquanto o sol, aos poucos, se manifesta,

arde no dorso da criatura hodierna.

Muito longe de ser figura superna,

a formiga tão frágil, para a qual não há sesta,

perscruta em busca de uma saída, fresta,

e, nunca mesmo a dita cuja hiberna!

É tão frágil, sem peso, que não a sinto!

Se disser que... (deverasmente minto!),

que sinto suas pernas nos meus pêlos.

E, por não ter mordido a minha pele,

minha atitude, nesse instante, a impele

a cuidá-la com todo meu desvelo!

Miguel de Souza
Enviado por Miguel de Souza em 28/05/2023
Reeditado em 03/06/2023
Código do texto: T7799341
Classificação de conteúdo: seguro