A Louca

A Praça da Sé é o local onde ela habita,

Mísera mendiga acuada no desencanto.

Sinto o meu peito arder ao seu dorido pranto,

Que a populaça escuta, desdém e até evita...

“- É louca, é velha, é pedinte, é maldita!”

Cismam todos, ao vê-la, sem nenhum espanto.

E eu passo e a vejo imponente num sujo manto,

Que a coitada agarra no estertor que lhe agita...

Percebo que ela conversa com o vazio:

Resmunga, aponta, vocifera e enfim implora

Como se visse um monstro que lhe apavora...

E sensitivo escuto estranho vozerio:

“- Rainha assassina!”. Acusam-na, sem perdão,

Almas já mortas que a perseguem em legião!...

Gigio Jr (Poemas da Meia Idade–2006)

GigioJr
Enviado por GigioJr em 15/02/2008
Reeditado em 14/02/2009
Código do texto: T860556
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