IRACEMA

CRÍTICA LITERÁRIA

Iracema, de José de Alencar, foi escrito no século XIX, em 1865.

A obra, na verdade, pode ser classificado como um romance, ao mesmo tempo, indianista e histórico. Indianista porque tem como enfoque principal de sua narrativa o índio, visto como herói nacional e como elemento formador de nossa raça, ou seja, o “bom selvagem”. Histórico porque, como nos anuncia o subtítulo Lenda do Ceará, desponta como uma alegoria da colonização brasileira.

A narrativa contempla fatos históricos a partir de 1603, ocorridos no estado do Ceará, como uma metonímia - figuração da parte pelo todo - do Brasil. Essa distância temporal entre a época em que José de Alencar vivia e a que foi retratada em Iracema é uma das características da narrativa romântica que, muitas vezes, retomava ao passado. Nesse romance, três personagens são reais e históricos: 1- Martim Soares, que participou da guerra contra os holandeses; 2- Poti, mais tarde, batizado como Antônio Felipe Camarão, lutou também contra a invasão holandesa; e 3- Irapuã que se tornou famoso por combater, junto aos franceses, os portugueses.

Todos os personagens do romance são estáveis e não apresentam grandes mudanças de comportamento, mas podem ser considerados alegóricos, porque representam idéias. Iracema, por sua vez, significava “a virgem dos lábios de mel”, representando o continente Americano invadida pelo colonizador europeu. Seu nome é, na realidade, o anagrama (ou mudança da ordem das letras) de América.

Naturalmente, Alencar buscava provocar a reflexão e propiciar a mudança de costumes. Como todo escritor romântico, era movido pelo idealismo.

Dados Técnicos:

Editora: Ateliê

ISBN: 9788574803241

Ano: 2006

Edição: 1

Número de páginas: 317

Formato padrão.

CRUZ, Ana da. Iracema: Apreciação Literária. Recanto das Letras, 2008. Disponível em URL: [http://www.recantodasletras.com.br/autores/anadacruz]

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