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PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE ALDRAVIAS

Tenho procurado lançar um olhar um pouco mais crítico sobre o que se vem escrevendo  sob as asas do gênero ALDRAVIA.

Noto que, em linhas gerais, tem havido mais acertos do que erros. Felizmente.

Penso que devo até retirar a palavra “erro” e colocar em seu lugar o termo “desvio”, “descuido” ou “deslize”.

Tenho visto poemas ruins e poemas excelentes dentro desse gênero. A questão é que aldravia é um gênero novo.
E parece fácil. Mas não é.
 
Senão vejamos:

Por se tratar de versos univocabulares, muitas vezes a aldravia se apresenta como uma frase comum, despida de um caráter mais sugestivo, sem avançar para além do que está ali registrado.

E essa, creio eu, deve ser uma das primeiras qualidades de uma aldravia: o poder de sugerir e de permitir leituras para além do explícito.

Outra questão é o uso de palavras pouco significativas. Há um risco muito grande de a pessoa apenas ajuntar (ou empilhar) palavras e achar que está tudo bem. Não é bem assim.

As palavras precisam ser muito bem escolhidas para transmitir (ou melhor, sugerir) alguma emoção, mais do que uma mensagem em si.
 
Aí eu fico observando quantos verbos de ação têm numa determinada estrofe. Noto que poucas aldravias são apenas de substantivos e/ou conectivos. A maioria esmagadora das estrofes construídas carregam um ou dois verbos, pelo menos.
 
Seria um exercício interessante a busca de aldravias sem verbo, aquela aldravia em que a ação fica subentendida,  apenas sugerida.

Outra coisa é a plenitude de uma aldravia. No meu modo de ver, uma aldravia tem que ter vida própria, brilhar de maneira que não precise de um complemento. Não é essa uma das características que se pede ao poetrix, ao haicai? Por que seria diferente com a aldravia?

Aldravia não é mindim, que fica muito bonito em CADEIA.

É claro que se pode pensar em CADEIAS DE ALDRAVIAS. Mas creio que essa alternativa não foi colocada e nem pensada pelos criadores do gênero.

Seria um algo mais que precisaria ser discutido. Aliás, praticado e mostrado que pode funcionar dentro do gênero sem descaracterizá-lo.

Outra coisa é a questão do ritmo e das rimas. Tenho visto algumas aldravias em que há rimas bem colocadas. Noutras o ritmo é bem cadenciado e propicia uma leitura eufônica, agradável.

Tem aquelas que enchem nossos olhos de magia e nos fazem viajar no poder sugestivo das imagens desenhadas. Essas, para mim, as melhores.

Creio que esse gênero, aos poucos, poderá se firmar e até mesmo se consagrar como uma forma clássica de expressão poética. Mas para isso precisará ainda de muita experimentação. De muito ensaio/erro/acerto.


Finalmente quero registrar aqui que esse texto é apenas uma tentativa de se levantar algumas questões em torno desse gênero novo.  Vai mais como provocação para os que vem se dedicando a produzir aldravias. Na verdade, para mim mesmo. Alguém  que ainda se considera um aprendiz.

Porque ser prolixo é fácil. O difícil é fazer um poema com seis palavras apenas. E dizer coisas que deixem no leitor uma sensação de que nem tudo foi dito. Mas que se disse o essencial, pelo menos daquele ângulo em que a questão foi apresentada, ou melhor, SUGERIDA.

Existem aldravias e ALDRAVIAS. A diferença faz a diferença.  Aprimoremo-nos, pois.
José de Castro
Enviado por José de Castro em 15/11/2012
Reeditado em 19/08/2017
Código do texto: T3987518
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
José de Castro
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 71 anos
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José de Castro