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FOLCLORE - MITOS BRASILEIROS - PARTE II


 
CARACTERÍSTICA  -  'Facies' ambulatório do mito, infixo e irregular, nenhum sedentário com atribuições determinadas e inamovíveis.  Mitos secundários são os regionais, sem traços que o vinculem ao local de sua atuação;  sinal distintivo apenas a exigência de meios físicos - águas, árvores, terras ou ares.  Nunca um determinado lugar como razão de sua existência miraculosa - mitos de movimento, de ambulação, dos caminhos-rios-bandeiras, penetração e vitória sobre a distância, mitos que quase sempre apavoram ao passar e correr, num desfile de monstros:  a Lorelei europeia não deixa seu rochedo no Reno versus a nossa Iára,  campeã de distância a nado livre...  Nosos mitos são, na teoria de vasos comunicantes, do Acre ao Rio Grande do Sul...  a égide seria o Mboi-tatá, clareando e fugindo, atração e pavor, mistério de seduções imprevistas e convites irresistíveis.  Nas lendas indígenas, não vestígio de um ser hamano que se transforma em animal para devorar um semelhante.  A influência negra-branca é poderosa e complexa;  contos e superstições independem de maior ou menor contato e pode ser levada por outro elemento - evadido ou preso ou quilombola -, adaptada rapidamente ao fabulário primitivo da tribo:  hibridez de uma possível monogênese ou ponto de vista comum, modificada e transformada regionalmente.  Os monstros mais frequentes nas estórias populares e tradições locais são poucos:  Mapinguari, Capelobo, Pé-de´Garrafa, Quibungo, Labatut, Papa-figo, Gorjala e Bicho-Homem - neles, as cores de vinte mitos onde convergem duendes ameríndios e superstições europeias, herdeiros do Lobisomem português e do saci brasileiro, um mosaico de terror e pavores.  De comum e regular, a ferocidade ininterrupta, a antropofagia bruta e o arremesso bárbaro - a tradição deforma e amplia o invasor e o transforma em monstro, como nas estórias tradicionais da França:  há sempre o Tártaro (cabeludo, um só olho no meio da testa, espécie de Ogro, Papão, Troll, Duende), só necessário à prática do mal.  Nas fábulas de animais, certos caracteres malévolos ou acidentalmente malévolos, com indisfarçável naturalidade moralizadora;  os fracos e débeis - aranha, lebre, tartaruga/jabuti, raposa-da-índia, macaco, rato - vencem por astúcia, finura, presença de espírito, enquanto monstros são afirmativas de força, brutalidade, estupidez enérgica, criados como guerreiros que nascem com dentes de dragão, para matar e morrer... somente vencidos pelo progresso.  Origem dos monstros populares?  Ameraba?  Europeu?    Todos os folclores possuem sinistra galeria de monstros, seja nas florestas equatoriais americanas e na terra negra.  O monstro que se parece homem, pelos expessos e negros, força espantosa e o  'respeito', corre todos os idiomas e até mongóis creem num Mapiguari, gêmeo do nosso.  A maioria dos monstros que resiste, possui um olho só, "monóculo" plantado no meio da testa como característica monstruosa.  O cícclope antropofágico e bruto deixou pegadas nas literaturas orais de origem latina, levadas a Ásia e África pelas legiões romanas, onde encontraram o  vestígio das mesmas estórias gregas nas colônias asiáticas.  No Brasil colonial e ainda no século XIX, dizia-se existir nas fronteiras da Venezuela e Guianas uma família de homens sem cabeça, olhos nos ombros, os Blêmios robustíssimo, sobre quem já haviam falado PLÍNIO O ANTIGO e SANTO AGOSTINHO - no seculo XVI, sir WALTER RALEIGH dizia tê-los avistado vivendo em Caora - "Negros africanos falavam em miriatu e miriátu, seus gigantes pátrios." - PEREIRA DA COSTA (Folclore Pernambucano).  Na tradição dos peuhls, africanos pastoris falavam dos Guiñaaryl ou Guiñarou, gigantes como Gargantua, caçando elefantes para o almoço e bebendo um rio inteiro.   -----   Os amerabas davam a todas as coisas uma Ci (mãe) como explicação de origem e defesa e adulterou vários mitos, formando o Pai-do-Mato, gigante protetor, antropófago para uns ou simplesmente furioso para outros, eterno perseguidor de quem viola o segredo das matas ou destrói árvores inutilmente.  Encontramos essa fusão do Curupira com os Gigantes, repercussão imediata, encontrado comodamente o Pai-do-Mato entre os parecis de Mato Grosso, Alagoas e Pernambuco.  Mapinguari, Pé-de-Garrafa, Capelobo, Bicho-Homem, atormentadores dos homens - Quibungo, Papa-Figo, Labatut, os das crianças, espécie fusca e rústica do alto e branco Álamo, eterno na balada de GOETHE.

                                      FIM
 
 
 
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 09/06/2018
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 51 anos
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Rubemar Alves