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FOLCLORE II - TEXTOS (cont.)


 
BOI-VAQUIM - Boi com asas e chifres de ouro, olhos de diamante, de meter medo aos campeiros, vaqueiros gaúchos dos papas e das coxilhasm que solta fogo pelos chifres - necessária muitacoragem para laçá-lo.   -----   BRUXA, herança da Europa.  A bruxa aparece nas ameaças noturnas quando o sono desobedece à vontade materna, sugando invisivelmente o sangue e carregando insones para lugares desconhecidos.  Para evitar a bruxa, tradição europeia, é riscar velhos signos cabalísticos - sinal de Salomão, estrela de seis raios, feira com dois triângulos, ou a estrela de cinco raios, sagrado pentágono de Cornélio Agripa (cabalista alemão que viveu entre os séculos XV e I) -, queimar palhas secas do Domingo de Ramos ou paina, algodão branco de fios de gravatá (na Itália, contar os cabelos de um cão morto - a bruxa só entra depois de também contar os fios, um a um).  Ferir a bruxa com foice molhada em água benta, compassadamente, da meia-noite ao primeiro cantar do galo - marejando sangue, ela perde o encanto e retorna à forma anterior, humana e fraca.  Em outros lugares (Minas Gerais, Estado do rio de Janeiro, Goiás), a bruxa se transforma em borboleta noturna, amarelada e crepuscular, a caçula, sétima filha - número 7, fatídico e suspeito desde os magos caldeus.   Na região norte, não há bruxa, na acepção portuguesa do vocábulo, e sim feiticeira, nem há reunião nas noites de sexta-feira, presidida pelo diabo, mulheres velhas nuas e voos em cabo de vassoura, a menos que seja versão portuguesa.  Nos contos de fadas, a clássica figura é de uma mulher velha-alta-magra-corcovada, queixo fino, nariz adunco, olhos pequenos, cheia de sinais de cabelo, manchas... e horrores.   -----   CABOCLO D'ÁGUA - Caboclo baixo, musculoso, cor de cobre, rápido nos movimentos e sempre enfezado, que anda pelo país, principalmente pelo rio São Francisco, virando embarcações, assombrando e matando.   ------   LOBISOMEM, turista de 'mil' passaportes.  Um dos mais antigos mitos desde idades imemoriais com múltiplas variantes.    O historiador grego HERÓDOTO se refere ao 'lycantropos',  homem-lobo;  havia na Grécia antiga um rei de nome Licaon que tentou matar ZEUS, o rei dos deuses, e como punição este o transformou em um lobo - em outra versão, ele teria servido carne humana para Zeus e por isso foi animalizado.  Estória chamada de 'licantropia', crença universalmente conhecida entre os povos indo-europeus e encontra adeptos no mundo inteiro.  Na Itália, século XVI, não era maléfico e protegia as plantações dos ataques das bruxas que levavam a colheita para o diabo, cabendo ao lobisomem resgatá-la para os camponeses da cidade de Friul, região histórica no Nordeste do país.  Em Cambra,  arredores de Viseu, Portugal, ainda existe a Cova do Lobisomem (caverna pré-histórica), onde ele se escondia depois dos ataques noturnos e aguardava o amanhecer, quando voltava a ser homem outra vez.  Porém medos e pavores mudam de lugar.  Padres portugueses diziam que bruxas, lobisomens, diabo e outros serem fantásticos resolveram se mudar para a cultura do Brasil onde ainda não chegara a igreja católica, terra habitada por um povo sem fé, rei e leis, numa tentativa de convencer converter os índios ao Deus católico que veio da Europa. Foi personagem referencial de romances, peças de teatro e telenovelas:  "O coronel e o lobisomem", de JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO, "Roque Santeiro', de DIAS GOMES, alusões em JOÃO GUIMARÃES ROSA etc.  Mito bastante difundido aqui, especialmente nas zonas rurais - homem que se transforma em lobo ou enorme cão nas noites de lua cheia, quando estas caem numa sexta-feira;  exatamente à meia-noite, ocorre a transformação - o homem vira um bicho grande, misto de homem e lobo, às vezes bezerro de alto porte,  extremamente pálido, magro, macilento, de orelhas compridas e nariz levantado, rumor característico.  Ataca e sangra o gado, as pessoas, mata cães e seu prato predileto são galinhas vivas, antes que o dia se anuncie.  Pode ser abatido pelo umbigo.  Sua sorte ou destino é um fado, talvez remissão de um pecado - nasce por 'sorte' (?) casual lobisomem, talvez filho de incesto ou liga-se com o fatídico número 7 da astrologia acádia ou caldaica.  Sétimo filho após seguidamente seis filhos homens ou mulheres, o caçula pode virar lobisomem se não for batizado pelo primogênito ou primogênita.  Na hora em que vira monstro, tem que percorrer 7 cemitérios e 7 igrejas, e após a maratona é que volta à forma humana.  No sertão brasileiro, especialmente no Maranhão, chama-se 'capelobo' e possui corpo humano e focinho de anta ou tamanduá ou é uma anta com pelos longos e negros, cabeça  terminando em focinho de porco ou cachorro.  Os indígenas velhos geralmente transformam-se no 'capelobo' que se alimenta de cães e gatos recém-nascidos.  Para desencantá-lo, basta o menor ferimento que cause sangue ou bala de prata untada com cera de vela que ardeu em 3 missas-do-galo na meia-noite do Natal.   -----   MENINO DOURADO - Pode ser visto nas costas de um peixe enorme de nome 'dourado', em noites de luar, deslizando sobre o rio para proteger os barqueiros.
 
                                              F  I  M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 30/06/2018
Código do texto: T6377733
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Sobre o autor
Rubemar Alves
Salto - São Paulo - Brasil, 51 anos
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