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OS MISTÉRIOS DA PAIXÃO



Poucos discernem os mistérios da paixão, e acham que paixão é algo como entrar em mundo mais vasto do que a vida em que elas vivem. Eis um terrível engano. Nada é mais nocivo e artificial do que essa idéia. Não sabem elas que a vida começa onde o olhar se torna qualitativo e não quantitativo. O sentido da vida não está em medir exaustivamente o tamanho quântico do seu mundo. Não está na homogeneidade ou heterogeneidade das coisas. E a verdadeira paixão não é feita dessas dimensões. Ora, onde há paixão, sempre haverá um inesgotável mistério.

E para que você saiba se o que você chama de paixão de fato, é paixão, falerei de algumas características da verdadeira paixão. E começo dizendo que a verdadeira paixão não escolhe suas vítimas, nem faz muitos planos sobre onde ela está. Não tem nada a ver com ter conhecido fulano na infância ou em outra vida. O fundamento da verdadeira paixão antes de tudo é um mistério. Você pode ter sim uma sutil impressão de já ter visto ou conhecido a pessoa, isso porque há uma profunda identidade de mistérios na verdadeira paixão, só que essa identidade não se revela complemente, senão acabaria o mistério. E estou falando 'verdadeira paixão' mesmo, propositalmente, em detrimento das falsas paixões.

Há quem diga que paixão é simplesmente uma excitação animal, o que de fato não é. Paixão entre homem e mulher, jamais é um encontro de animais apenas, não é só excitação sexual; eu disse que na verdadeira paixão há alguns mistérios, e nesse texto eu vou provar isso. Na verdade nem a excitação é só uma coisa animal, excitação é uma exigência da vida em qualquer criatura, uma exigência para que a vida exista, seja, aconteça. É assim em qualquer criatura, anjo, homem, animais, vegetais, e até nos minerais. Nos minerais a excitação é o que chamamos de atração física. Sem essa atração nem a gravidade existiria. Portanto, excitação é uma exigência existencial para que a vida viva.

Só não há excitação onde não há vida. O símbolo da excitação é o sol. E a vida nada mais é que um sistema solar qualitativo. Todo desejo é solar, mesmo quando é lunar. Quanto mais excitados mais humano é o ser humano. Viver dentro de um sistema solar qualitativo é viver num mundo de desejos, e isso é uma exigência do próprio sistema, e nosso corpo é o melhor simbolo disso. A nossa mente é o sol, o coração é a lua, a terra é o ventre, e o corpo é todo esse sistema. Por isso que a dança do ventre representa o movimento da terra. E a lua só tem sentido pelo raios do sol, daí o coração ser símbolo da intuição superior e não a sede das emoções, cinco sentidos, etc.  A alma emocional é representada pelo ventre. Essa alma é mais emocional quando a lua está mais próxima dela e menos próximo do sol.

Mas não perca o fio da meada, eu disse que falaria da paixão verdadeira, que obviamente não é segundo o nosso ventre. O nosso ventre foge do que é muito vivo, foge de excitações mais superiores, mais vivas, mais dignas. É com fugir do sol. A única criatura que não pode ser vista é o sol. O sol não pode ser encarado. Quem olha para o sol mesmo corre o risco de nunca mais ver a vida. Por isso o homem quando está de mal com a vida, foge do sol. Quando alguém diz que quer mudar de cidade, e ir para uma cidade mais calma, isso nada significa além de fuga do sol, é o medo da excitação da vida, que agita, que grita, porque é ativa, explosiva, é a vida do sol. Toda pessoa depressiva está fugindo disso. O misantropo por ex, finge que despreza o mundo por ser feio e fraco, mas na verdade tem medo da vida, por ser muito ativa, alegre, e livre, viva.

O homem foge do sol, por tudo o que o sol é e representa. Por isso o homem busca sombras, matizes, busca os eclipses, porque quer ser equalizado. Ninguém suporta a intensidade da vida como ela é mesmo, porque a vida na essência é sol, é um testemunho do poder solar. Então como a glória do sol é uma, e a gloria da lua é outra, o homem prefere a gloria da lua, onde o sol é menos intenso. Ainda assim, os homens sabem que a luz é mais desejável que as trevas. Por isso trabalha-se de dia, e descança-se a noite. Uma é a gloria perspectiva do sol, outra é a da lua. Fazendo uma analogia básica com Deus, só se pode olhar para o sol pela Fé, nem para seu sistema se pode olhar de fato, nem fisicamente. Na melhor das hipóteses ouvimos, mas não discenimos a gloria que os céus proclamam.

Todas as aversões que as pessoas têm a vida, em geral, é contra a força da vida, por isso alguém diz que quer se matar porque alguém amado morreu. Eis a força da vida. A pessoa não enxerga mais que essa mesma Vida tem o poder de ressuscitar tudo e todos. Então o ateísmo nada mais é que a decisão de não crer nesse mistério, nessa força, nesse poder, que para uma alma mais simples, como a do canto dos passaros, proclamam a gloria de Deus. Todo suicida, de fato todo-todo suicida, sem exceção, por mais que peça desculpas para Deus e para quem lhe é conhecido, no fundo está passando por um profundo estado de ateísmo em relação à vida, por isso não quer mais viver, não quer mais dizer bom-dia sol, bom-dia vida, pois não quer dar o braço à torcer ao Poder que a vida tem de surpreender a pessoa, e mostrar que a vida é maravilhosa.

E é aqui que eu começo explicar algumas características de uma paixão verdadeira. Nada nos surpreende mais que uma paixão verdadeira, não só porque surge de repente, mas porque tem porque tem em seu cerne a característica de ser uma surpresa real e fatal. Essencialmente, a paixão é uma surpresa indefinida, é uma surpresa que se renova. Ou seja, é uma excitação que não quer morrer, é um convite à vida que não quer ser rejeitado. E não estou sendo poético, estou descrevendo o sentido concreto de Paixão. Duas pessoas apaixonadas estão em pé de igualdade da relação entre Igreja e Deus. Simplesmente porque a vida simples e pura se torna outra vez importante. No romance quem guia o mistério é o espírito arbítrario da vida. A verdadeira paixão ou romance não é típico nem sectário. Não é para ser uma imitação de filmes. Um filme realmente romântico tem que ser diferente do outro, tem que ser segundo a diversidade das supresas da vida, daí ser arbitrário, e só daí será verdadeiro.

Daí eu ter afirmado que a verdadeira paixão não é uma escolha, ninguém escolhe por quem se apaixonar, o verdadeiro amor é que nos escolhe, e não o contrário. A verdadeira paixão nasce de uma feliz e surpreendente fatalidade. Não tem a ver com antes ter conhecido ou não fulano na infância, na escola, no trabalho. Se o que une as pessoas é o fato de já terem se conhecido antes, só mostra que não é uma surpresa que está unindo elas, mas apenas uma camaradagem de relações simpaticas que tiveram anteriormente. Isso pode ser reciproco. Mas definitivamente isso não é amor verdadeiro, nem como destino. Quando há paixão verdadeira, repito, você não escolhe, você é escolhido. É isso que faz da paixão verdadeira um mistério, e não um destino. A paixão verdadeira é fatal como mistério, não como destino. O destino da paixão verdadeira é sempre o mistério, um profundo mistério.

E ninguém se apaixona sem querer, toda paixão passa por um 'desejo de se apaixonar'. Há sempre uma predisposição para a paixão, mesmo que a pessoa não querer se apaixonar. Vivemos num universo apaixonado pela vida, o sol é uma paixão transfigurada, não não é atoa que o sol físico na cabala é chamado de Deus encarnado. Estamos sempre disposto à se apaixonar, só não buscamos, só não corremos atrás, por isso dizemos não estar disposto. A palavra *paixão significa literalmente sofrer, é padecer, é experimentar algo forte. Portanto, se não existisse em nós a pré-disposição para a paixão, ninguém acordaria cedo, ninguém abriria a janela, ninguém viveria a vida. Sofrer a vida é por definição estar apaixonado, daí as pessoas felizes dizer: Eu amo a vida de paixão. Viver só pode ser mesmo uma grande paixão.

Ninguém sofre sem querer sofrer. O medo de sofrer, tem medo de viver. De modo que fazer um melodrama em torno da paixão, é algo totalmente sem sentido. Sofrer é parte inevitável da paixão. Viver de amor é morrer de amor. Quem quer viver tem que apreender morrer, assim é o universo que a gente vive. Por isso não existe amor maior que padecer por um amigo. A Cruz é proporcional a nossa paixão. Mais sofre quem mais amou. Por isso o Amor de Deus pelos Homens (Humanidade) é chamado de Paixão de Cristo. Nenhuma surpresa é possível se você fugir da Vida. Você só é surpreendido quando crê no poder da Vida. Esse poder é representado em contos de fadas. A mensagem essencial passada pelos contos de fada é: Nunca Duvide.

O conto de fadas termina quando alguém diz "se". O que põe fim no conto de fadas é o 'se'; "Se acontecer isso e àquilo", "se não der certo", "se der errado". Quando a pessoa diz 'se', o encanto acaba na hora, o mistério desaparece, a surpresa não acontece mais. Eu disse que só é mistério enquanto é fatalmemte mistério. É mistério fatal, ou seja, é o não determinado. A vida sempre determinada é um saco, é como um jogo de cartas marcdas, não tem mistério, você sabe como começa e como termina. É sem graça. A vida é arbitrária, é falso dizer que alguém sabe do amanhã. Deus é mistério nesse sentido, Ele não está condicionado. A paixão verdadeirara também é assim. É como no conto de fadas, que diz 'Livre Estou', e não 'condicionado estou'.

O mundo dos condicionados é o mundo das falsas paixões, que escolhe o outro pela cara, pelo cartão de crédito, pela fama, pelos interesses platônicos, por terem um mesmo ideal, etc. Nada disso é Amor. Isso tudo é mera fantasia capitalista. Essas pessoas nunca amaram nem foram amadas de verdade. Só se uniram numa reciprocidade materialista. E assim muita gente se serve do seu próprio autoengano. Essas pessoas também vivem como suicidas, a existência delas vai na contra mão das verdades mais essenciais da vida. É a recusa do Ser, do Amor, do Mistério, sobretudo, de Deus. Deus fez a Paixão para nos revelar o mistério. E esses egos materialistas condicionados vivem como se o mistério não existisse. São egos ambulantes e mais nada.

A verdadeira Paixão é mais profunda que a realidade. É um amor que vence a morte. E vence a morte porque tudo sofre e tudo suporta. Vence a morte já em vida, porque não tem medo da vida. Quem crê no mistério sabe que tudo coopera para o seu Bem em Deus. Um romance verdadeiro é melhor do que a vida. E é dessa profundidade que vem o elemento mais inesperado, provocante, e interessante: A Gratidão por ter conhecido o Amor da sua vida. Que deixou ser sua vida quando você se tornou Um com ele ou ela. Tomás de Aquino dizia que a Paixão é uma novela. Sim, toda a aventura do amor verdadeiro é uma novela. Por isso as mulheres gostam tanto de novela, porque são mais romanticas, entendem e sonham muito mais que os homens essa aventura do amor, porque crêem mais nos mistérios da paixão.

YESHUA
YESHUÁ
Enviado por YESHUÁ em 10/10/2019
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Sobre o autor
YESHUÁ
Maringá - Paraná - Brasil, 32 anos
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