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17.1- Linguística – continuação – Os valores das Palavras. DENOTAÇÃO e CONOTAÇÃO; os DIMINUTIVOS



Proponho que continuemos a estudar as grandes potencialidades expressivas das palavras.
Em primeiro lugar, recordemos o esquema do capítulo 17, e o que a seu propósito dissemos:


_____________________
SIGNIFICADO                  |      / \
ou "imagem "mental"       |     | - |                   |
_____________________|                              |   PALAVRA
                                                                     |          ou
                                             CASA                |   SIGNO
____________________                                 |   LINGUÍSTICO
Som, ou "imagem sonora"|                              |
ou                                  |    ( casa  )              |
SIGNIFICANTE                |
_____________________|


Por este esquema, pareceria que a cada palavra corresponderia apenas um significado...
Mas felizmente, não é assim:

1- A Língua pode oferecer-nos várias palavras para um só significado:


Para esta ideia (ou CONCEITO) –
Temos vários SIGNIFICADOS:
   Habitação, Casa, Apartamento, Casarão, Casinha, Casinhoto, Mansão, Palácio, Palacete, Vivenda, Lar, Vila, Tugúrio, Toca, Casita, etc...!

Perguntaremos:
– Para quê tanta palavra?

A resposta será só uma:
– Porque fazem falta: quando dizemos PALÁCIO – certamente não estamos a pensar nos nossos pequenos apartamentos na cidade...
E se dissermos:
TOCA – também não estaremos a pensar nas nossas habitações!

***

As palavras têm um “PESO” CONCEPTUAL e um “PESO” EMOCIONAL e AFECTIVO!
Ora vejamos os seguintes exemplos:

1- Uma empresa de compra e venda de apartamentos urbanos, fará o seguinte anúncio:
               APARTAMENTOS de duas assoalhadas: 100.000 €

2- Ao meter a chave à fechadura da porta do meu apartamento, poderei dizer a uma amiga:
–Benvinda ao meu PALÁCIO!!

             – Que poderemos CONCLUIR destes exemplos?

– Quero dizer que as palavras têm:
= um “peso” conceptual
e
= um “peso” emocional e afectivo!

               Estamos mesmo a perceber:

No exemplo 1:
A palavra APARTAMENTO designa uma realidade concreta;
A palavra está utilizada com o seu valor DENOTATIVO, pois a palavra está usada com o seu significado real;

No exemplo 2:
A palavra PALÁCIO está usada com um valor CONOTATIVO, pois exprime o AFECTO que me liga ao meu apartamento;
A palavra PALÁCIO não está aqui a designar a sumptuosa residência dos reis... Mas apenas dará uma ideia de como eu me sinto bem no apartamento que escolhi e mobilei ao meu gosto!


Exemplo 3:
Doutras vezes, conforme a minha disposição, poderei dizer às minhas Amigas:
– Oh, sinto-me tão bem na minha CASINHA!

Neste caso, eu estou a usar um DIMINUTIVO:
E também neste caso, a palavra CASINHA não significa que o meu apartamento seja assim tão pequenino... O que CASINHA quererá exprimir será a ternura que eu sinto pelo apartamento onde me instalei, exprime o gosto que eu tenho nele!


Exemplo 4:
Então... E seu eu disser assim à minha amiga:
– Entra! Aqui tens a minha TOCA!

Estarei eu a subestimar a minha instalação?!
Nada disso! Estarei a exprimir-me de um modo muito FAMILIAR, num certo TOM de IRONIA...
Pois neste caso, a palavra TOCA passou a ter um sentido de REFÚGIO, de ABRIGO!
Aqui, a palavra TOCA também está usada com VALOR CONOTATIVO.

Os jovens Estudantes poderão perguntar:
– Para que serve saber isto tudo?
E a minha resposta será sempre a mesma:
– Para escrevermos textos mais bonitos! Para escrevermos com consciência dos efeitos artísticos que podemos tirar das palavras que escolhemos!

*
*

Para concluir de maneira informal

Como demos estes exemplos a propósito da palavra CASA e várias outras com ela relacionadas, lembrei-me de uma história da minha infância:

Na nota 6. do capítulo 2., referi uma Senhora, prima de minha Mãe:
a Prima Maria da Luz, nascida na última década do século XIX (1890-1976)...
Essa Senhora, por volta dos seus 60 anos, veio viver connosco, devido ao bom coração de minha Mãe.
A Prima era uma senhora muito antiga. Mal tinha aprendido a ler. Mas tinha aprendido pintura, tinha aprendido a bordar e a fazer crochet, tinha aprendido a trabalhar em prata, em estanho, e em couro... Tinha aprendido a trabalhar com cascas de ovo, e com escamas de peixe! E bordava maravilhosamente!
Vivíamos numa aldeia, uma aldeia muito bonita, num vale, rodeada de quatro cerros. Havia uma ribeira maravilhosa, fontes, quedas de água... Mas na década de ’50, do século XX, numa aldeia em plena Serra do Algarve, havia poucas distracções.
Os passeios que podíamos dar, eram sempre os mesmos – de nossa casa até à Fonte Pequena, de nossa casa até à Fonte Grande...
Então, quando regressávamos, a Prima pegava no seu bordado, e sentava-se à janela que dava para o quintal, e tinha sempre o mesmo desabafo:

                                 Minha casa, meu lar!
                                 Se me não aqueço,
                                 Deixo-me estar...

Ou seja, uma RIMA antiquíssima, uma rima que era uma conclusão para um raciocínio que nem sequer chegava a ser expresso por palavras, mas que servia como um reconforto...
Como se ela nos quisesse dizer:
“Lá fora estou mal, mas aqui, na vossa casa, junto de Vocês, aqui, estou bem”...



Myriam
Março 2021
Myriam Jubilot de Carvalho
Enviado por Myriam Jubilot de Carvalho em 14/03/2021
Reeditado em 14/03/2021
Código do texto: T7206984
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Myriam Jubilot de Carvalho
Portugal
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