Desatinos contra o meio ambiente
e Educação Ambiental

Professora Sílvia Mota
É por difícil negar a afirmação do sociólogo alemão Ulrich Beck, de que se vive “numa sociedade global de riscos”, e entre esses aponta os riscos ecológicos, químicos, nucleares e genéticos, nascidos a partir da industrialização, “externalizados economicamente, individualizados juridicamente, legitimados cientificamente e minimizados politicamente.” Há pouco tempo, incorporou a estes os riscos econômicos, como as quedas nos mercados financeiros internacionais. Tais riscos conjugados gerariam “[...] uma nova forma de capitalismo, uma nova forma de economia, uma nova forma de ordem global, uma nova forma de sociedade e uma nova forma de vida pessoal” (BECK, 1999, p. 2-7).

Ligeiro olhar que se perpasse ao derredor comprovará as palavras de Beck. Violência, consumo sem limites, lixo ao exagero e o mau destino que lhe é oferecido, miserabilidade humana ladeada pela fome, falta de água potável e de condições mínimas de salubridade que contribua para conter as doenças e contaminações - são vicissitudes até o momento incontroláveis.

Valores éticos esvanecem no ar, mais rapidamente do que as fumaças soltas ao exagero pelas indústrias irregulares. O avanço técnico-científico é desproporcionado quando confrontado às possibilidades de renovação dos recursos naturais.

Paradigmas que acalentam a irresponsabilidade pessoal e social precisam ser quebrados em prol da conscientização do ser humano quanto aos perigos aos quais expõe sua própria vida e a vida do Planeta Terra. Necessário repensar os valores que subjazem implícitos às suas atitudes e comportamentos.

É proeminente edificar novo paradigma de convívio, que institua uma estreita afinidade entre os seres vivos e a Casa-Mãe denominada Terra. Que se inaugure, entre os povos, um pacto social rejuvenescido, no afã de replantar, adubar e cultivar a reverência pela preservação da Vida no planeta. A responsabilidade de há muito deixou de ser particular, para alçar um patamar que abarca a coletividade. Neste sentido, exige-se respeito ao meio e ao próximo.

Nas ações voluntárias dos humanos, o Outro aparece como um Mal. por impor limites à liberdade de ação humana e um Bem por constituir-se num meio para seus fins. Desta forma, afirmar a liberdade implica na sobreposição ao Outro, transformando o ser humano num objeto da própria liberdade. Contudo, como assinala Morange (1005, p. 11), esta liberdade não é absoluta: “É banal afirmar que nenhuma liberdade pode ser limitada. Mesmo aos olhos dos liberais mais extremistas, a liberdade de cada um deve terminar onde começa a liberdade do outro.” O ser humano, no gozo da sua liberdade, pode decidir-se por um determinado projeto de vida. Mas, embora seja único, por essência, não se encontra exilado no mundo, fechado em si mesmo; convive com os demais, é um ser coexistencial. Neste sentido, declara Fernández Sessarego (1994, p. 254): “A existência é coexistência”, que abarca os seres vivos e o mundo no qual habitam.

Como educadora não vejo outra alternativa que não seja a Educação Ambiental – necessidade URGENTE, a ser implementada nas escolas, associações, templos religiosos e demais entidades sociais, com faceta multidisciplinar, porque desta natureza evidenciam-se os problemas decorrentes das ofensas ao meio ambiente.

Imperioso se faz que as questões sociais sejam reveladas ao indivíduo desde a mais tenra idade, quando, por não corrompido, assimilará a relevância do culto aos valores éticos, agora relegados ao esquecimento.
 

REFERÊNCIAS

BECK, Ulrich. Risk society: towards a new modernity. Londres: Sage Publications, 1992.

FERNÁNDEZ SESSAREGO, Carlos. Libertad y genoma humano. In: EL DERECHO ante el Proyecto Genoma Humano. Tradução José Gerardo Abella. Bilbao: Fundación BBV Documenta, 1994. v. I. p. 243-270.

MORANGE, Jean. Droits de l’homme et libertés publiques. 3. ed. Paris: Presses Universitaires de France, 1995.

MOTA, Sílvia M. L. Responsabilidade civil decorrente das manipulações genéticas: novo paradigma jurídico ao fulgor do biodireito. Tese (Doutorado em Justiça e Sociedade)–Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, 2005. Aprovada, por unanimidade, no Exame de Qualificação, realizado em 15 jun. 2005. Orientador: Professor Doutor Guilherme Calmon Nogueira da Gama. Membros da Banca Examinadora: Professor Doutor Ricardo Pereira Lira, Professor Doutor José Ribas Vieira e Professora Doutora Fernanda Duarte. Por motivos de força maior o Curso foi interrompido no mesmo ano em que se realizou o Exame de Qualificação da Tese, não tendo sido a mesma levada à apreciação da Banca Final.
 
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 04/01/2011
Reeditado em 01/09/2016
Código do texto: T2708143
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