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A Morte de Narciso

A Morte de Narciso

Quando Narciso morreu, a taça de água doce que era o lago dos seus prazeres converteu-se em taça de lágrimas amargas e as Oréadas vieram carpindo pelos bosques a fim de cantar para ele, consolando-o.

E quando perceberam que o lago se transmudara de taça de água doce noutra de lágrimas amargas, desgrenharam as tranças verdes do seus cabelos e disseram:

- Não nos admiramos de que pranteeis Narciso dessa maneira. Ele era tão belo!

- Narciso era belo? - indagou o lago.

- Quem sabe melhor do que vós? - responderam as Oréadas. Ao cortejar-vos, ele nos desprezava, debruçado às vossas margens mirando-vos, e, no espelho de vossas águas, contemplava a própria beleza.

E o lago retrucou:

- Eu amava Narciso porque, quando ele se debruçava sobre as minhas margens para contemplar-me, eu via sempre refletir-se no espelho dos seus olhos a minha própria beleza.

Oscar Wilde
Evan do Carmo
Enviado por Evan do Carmo em 12/09/2007
Código do texto: T650050
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Sobre o autor
Evan do Carmo
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil, 53 anos
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Evan do Carmo