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Vida

O lento passar dos dias...

Perpetuando a nossa eterna e viciante nulidade, um tortuoso fervilhar de palavras gastas, numa promiscuidade de actos incoerentes, que arrasta por entre infernos labirinticos, os nossos incipientes cadaveres nauseabundos, desesperadamente tentando acreditar, no que já há muito deixou de ser credivel.


O lento passar das semanas...

Laxante ideal para libertarmos o que não faz sentido ser guardado, o conhecimento vão, para quem a teoria servirá sempre para subjugar a razão. No lado mais obscuro dos nossos medos das nossas fraquezas, que bem as tentamos esconder, reprimir, camuflar, mas que tão cegamente as vemos em outros. Que tão bem apontamos a tudo e todos, com a hipocrisia de quem vomitou sem saber o que ingeriu e agora se perde no meio dos restos procurando pelos pedacos moidos, mastigados, digeridos. Na desesperada tentativa de compor algo que por não existir em nós, nunca poderá ser reconhecido.


O lento passar dos meses...

Agudiza todo um sofrimento, que por entre suaves fragrancias de ingénuo e inebriante aroma, procuramos perfumar a nossa efemera passagem terrena. Perdidos numa mistura sintetica de odor purgante, refugiamo-nos na nossa imensa e promiscua escuridão. Procurando assim, inconsequentemente, ultrapassar o que dela eternamente subsistirá em nós mesmos. Fugaz miragem de um deserto crescente, de imutaveis receios, onde o mais persistente dos oasis se dissolve nas ebrias areias do nosso omnipresente não ser.


O lento passar dos anos...

Eterno e tortuoso murmurio de uma voz para sempre perdida na penumbra do tempo vazio. Oceanos de lágrimas temperadas por uma melancolia agridoce, banhando as praias já desertas em marés de submissos lamentos. Meros ecos que se dissipam nas arribas da mente, fortalezas centenarias edificadas pelo acumular de sonhos destrocados. Despojos de guerras vãs, para sempre guardados na salina da memoria. Essa crosta que nos protege e nos molda através da erosão corrosiva de continuas ondas de inacabadas promessas.


O lento passar de uma vida...



António de Almeida
António de Almeida
Enviado por António de Almeida em 12/10/2006
Código do texto: T262522
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Sobre o autor
António de Almeida
Portugal, 42 anos
12 textos (454 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 04:58)
António de Almeida