O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM COM BASE NA SONDAGEM DA ESCRITA

SONDAGEM

Magali Cristiane Naitzel

É muito importante ao professor alfabetizador acompanhar o que seus alunos já sabem e pensam sobre o sistema de escrita, do inicio ao fim do ano. Isso é possível através da observação constante dos alunos, no entanto, muitas vezes é necessário uma sondagem individual para verificação desses saberes, para que com isso, o professor possa adequar o planejamento das aulas de acordo com as necessidades de aprendizagem.

Teberosky (1995:15) afirma que:

“antes de discutir o que é que os professores podem e devem ensinar, parece-nos importante saber quais são as idéias e os conhecimentos das crianças e quais expectativas podemos ter para proporcionar, depois, situações de ensino-aprendizagem.”

Esta sondagem permite uma avaliação e um acompanhamento dos avanços na aquisição da base alfabética e a definição das parcerias de trabalho entre os alunos. Além disso, representa um momento no qual as crianças têm a oportunidade de refletir, com a ajuda do professor, sobre aquilo que escrevem. Com essa sondagem o professor poderá propor atividades que favoreçam a reflexão da criança sobre a escrita, porque é pensando que ela aprende. Terá também muitas possibilidades de favorecer conflitos cognitivos que contribuem para a criança repensar sobre a sua escrita.

De acordo com César Coll, a aprendizagem sempre tem como base conceitos, concepções, representações e conhecimentos construídos durante as experiências prévias dos estudantes. "Isso é o que condiciona em um alto grau o resultado da nova aprendizagem", explica ele no livro Aprendizagem Escolar e Construção do Conhecimento. Dessa forma a realização de sondagens com o intuito de diagnosticar os conhecimentos a respeito da escrita que as crianças têm ao ingressar na escola, bem como durante seu processo de escolarização, tem se tornado constante, sob exigência de diversos governos e de diferentes posições ideológicas.

Este trabalho já é proposto em muitos municípios do Estado de São Paulo, que adotaram o programa Ler e Escrever. No Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do programa a sondagem é descrita como uma atividade que envolve, num primeiro momento, a produção espontânea de uma lista de palavras de um mesmo grupo semântico sem apoio de outras fontes e pode ou não prever a escrita de algumas frases simples. Essa lista deve, necessariamente, ser lida pelo aluno assim que terminar de escrevê-la. O guia ressalta também que é por meio da leitura que o alfabetizador pode observar se o aluno estabelece ou não relações entre aquilo que ele escreveu e aquilo que ele lê em voz alta, ou seja, entre a fala e a escrita. Existe, ainda, uma recomendação a respeito dos modos por meio dos quais a sondagem deve ser realizada, como por exemplo, ditar normalmente as palavras e a frase, sem silabar.

Esse mapeamento é o ponto de partida das ações do professor e o que dá apoio para a divisão em grupos, em que se reúnem os que têm condições de trocar em determinada tarefa. Quanto mais se sabe sobre o nível de conhecimento dos alunos e o conteúdo a ser ensinado, mais produtivo é o agrupamento. Por isso, não basta fazer um diagnóstico no começo do semestre. A sondagem individual tem de ser repetida ao longo do ano, e o desempenho de cada um, acompanhado de perto em observações e na análise das produções.