A POESIA TEM LINGUAGEM PRÓPRIA?

Como para ser poeta não precisa ter cursado uma faculdade, muito menos uma língua padrão, visto que a linguagem para a poesia, não tem padrão específico, pois ela está contida na alma de cada ser.

Sendo assim, é de suma importância todo aquele que ama a poesia, e faz dela um motivo para viver, seja o escritor com seus inúmeros livros publicados, a dona de casa, aluno, professor, pedreiro, carpinteiro ou qualquer outro profissional. Unam-se para desmistificar esse conceito estabelecido, de que os dialetos mais prestigiados ainda são os das classes mais abastadas, seja financeira ou intelectual; tomando-o não mais como dialeto e sim como a própria “língua”, onde afirmam que os dialetos das classes populares corrompem a língua com seus erros. Porém, notamos que há certa discrepância, pois muitos dialetos e jargões que são usados pelas classes populares, são hoje, usados por todas as classes sociais, como o termo “legal”, “asneira”, “arco da velha”, “baboseira”, entre outros. Devido a esta inverdade, muitos poetas estão com seus escritos no fundo das gavetas ou trancafiados em baús, pois temem falar em público, ou apresentar seus escritos a sociedade e serem envergonhados por não usarem a tal linguagem “culta”. Não ouso dizer que ela não seja de interesse as classes menos prestigiadas pela sociedade, pelo contrário. O ser humano é dotado de faculdades intelectuais hábeis, capaz de aprender diferentes dialetos regionais e saber o momento oportuno no qual se deve usar uma linguagem coloquial ou uma linguagem, digo “específica”. Para outros, “culta”. Como estamos falando de poesia; segundo alguns estudiosos, a poesia é o caráter que emociona que toca a sensibilidade, e sugere emoções por meio de uma linguagem.

Sendo assim, cabe ao poeta a linguagem que deve usar, seja ela falada ou escrita.

Agora eu pergunto: quais são os erros que cometemos ao escrever uma poesia? Erramos por querer preservar a língua materna? Erramos ao usar nosso dialeto regional? Porque o preconceito da linguagem urbana?

Quero deixar aqui, alguns nomes de poetas consagrados que abriram o caminho para que novos escritores pudessem criar em liberdade, livres das algemas formais do academicismo, e que por ironia da linguagem, hoje, suas poesias são recitadas por poetas de diferentes classes sociais: Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, Murilo Mendes entre outros, preocupados com a realidade brasileira, não se limitando apenas atender uma classe social de leitores, nem a uma norma estabelecida de “linguagem”.

Elen Viana