Regeneração, Justificação e Santificação - Aspectos da Salvação

O primeiro dos aspectos da salvação é a regeneração. A regeneração é uma mudança radical, operada pelo Espírito Santo na alma humana, por meio do evangelho, e na qual a disposição moral do homem se torna semelhante à de Deus, tornando-se o homem unido com Jesus Cristo.

Regeneração é uma mudança radical na disposição e na natureza moral do homem. A ação do Espírito Santo atinge todas as faculdades do homem, mas muito especialmente as faculdades morais, que são a consciência e a vontade.

Verdade é que a regeneração atinge também o “pensar”, o “querer” e o “sentir”, mas devemos reter na memória que a transformação principal é a que se verifica nos traços básicos da personalidade.

A regeneração é uma experiência mais profunda do que a do arrependimento, pois na regeneração transformam-se até os alicerces da personalidade. O Espírito Santo renova toda a pessoa, desde as facetas mais profundas da personalidade até as mais superficiais. A regeneração é, então, uma mudança radical, operada pelo Espírito Santo na alma do homem, por intermédio da verdade evangélica, mudança pela qual se transforma completamente a disposição moral do homem, que se restaura de novo, na semelhança de Deus e se une a Jesus Cristo, a quem aceita como seu bendito e eterno Salvador.

O segundo dos aspectos da salvação é a justificação. A Justificação é um ato de Deus, em que ele declara o pecador regenerado; não somente livre da condenação, mas também restaurado à graça divina. Realiza-se a justificação quando o homem crê em Jesus Cristo como Salvador. Antes de crer em Jesus, o pecador não somente é filho do erro e da ira de Deus, mas está também fadado à condenação. Logo, porém, que ele crê em Jesus, Deus o declara livre da condenação e restaurado à sua graça. É por isso que a justificação deve ser definida como o ato de Deus, declarando o pecador regenerado, livre da condenação e restaurado à sua graça. A justificação é, então, um ato declarativo de Deus. Este ato de declarar o homem justificado não é como o ato de Deus regenerando o homem. Na regeneração, efetua Deus uma mudança radical no homem, mas, na justificação, ele declara, apenas, que não pode mais condená-lo e o restaura à sua graça. Com isso, concluímos que a base da justificação está em Cristo Jesus, e não no homem.

Por fim, o último dos aspectos da salvação é a Santificação. Santificar-se significa desenvolver uma relação especial com Deus e moldar um caráter de acordo com essa relação. Santificação significa “separação”.

Muito acentuada se acha no Velho Testamento a idéia de que a santificação consta de uma relação especial com Deus. As coisas consagradas a Deus eram consideradas santas, separadas para o serviço do Senhor. Notemos que, na proporção em que Deus ia conseguindo o que queria na vida dos seus servos, estes, especialmente os profetas, iam transferindo a ênfase das coisas exteriores e simbólicas para as interiores, isto é, das coisas materiais para as espirituais. A santidade era considerada mais do ponto de vista do caráter da pessoa do que da sua relação com Deus. O homem era considerado santo porque realmente tinha um coração bom e puro.

Quando chegamos ao Novo Testamento, a idéia preponderante é a de que a santificação consiste no processo do homem ficar santo, de ser perfeito como o Pai celeste é perfeito. Nos ensinos de Jesus, a santificação refere-se ao coração da própria pessoa. Santificação é questão de cultivar a vida espiritual para que a pessoa se aproxime mais da perfeição que há em Deus. Santificação é cultura espiritual. Na santificação, o crente alcança o alvo que Deus tinha em vista quando o regenerou. Também na santificação nós operamos a nossa própria salvação pelo poder de Deus. “...assim também operai a vossa salvação com temor e tremor, porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:12,13). Concluímos do exposto, que a salvação não é só uma dádiva, senão também um programa de vida. Recebemos a nossa salvação de Deus, e operamo-la, ao mesmo tempo, pelo esforço que fazemos a fim de que se realize em nossa vida a vontade de Deus. A salvação como dádiva chama-se regeneração, mas como tarefa chama-se santificação. Não devemos, porém, pensar que o homem pode santificar-se a si próprio. Ele não se pode santificar, do mesmo modo que não se pode regenerar. Uma e outra coisa são obras divinas, são operadas pelo Espírito Santo. Deus regenera e Deus santifica. Mas na santificação o homem não é tão passivo como na regeneração.

ICCV
Enviado por ICCV em 14/10/2011
Código do texto: T3275964
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