NOSSA EXPERIÊNCIA DE COPA... DESCULPA, DONA DILMA!

Caríssmos/as Recantistas, tendo em vista a relevância do assunto e do momento pelo qual passa o nosso país, e em atenção a quem me enviou o presente/"duplo" Artigo, decidi publicar para que outras pessoas tomem conhecimento. Imagino que muitos de vocês também receberam por e-mail assim como eu.
Agradeço o compartilhar ao poeta/escritor
Fernando A. Freire.
Beijos!!!!!!
Linda tarde!!!
Felizes Festejos juninos!!!!


images?q=tbn:ANd9GcRttUvek6Lu0kn4uvg5VCtMbHUubA7LLNkMx4GbbZCrD2KhEp_n
Nossa experiência no Mineirão durante a Copa
 
 Nosso grande desejo era assistir um jogo da Copa. Num dia destes, faltando poucos dias para o início dos jogos, o site da FIFA decidiu vender ingressos a partir da meia noite de um dia de semana. Bom, tentei entrar no sistema pouco depois desse horário, mas pelo visto uma multidão teve a mesma ideia que eu; o site ficou em modo de espera. Solicitei então que tocasse uma campainha na hora que o meu pedido conseguisse ingressar no site, deixei o computador ligado no quarto e fui dormir. Por volta das quatro da madrugada, no computador tocou uma sirene em altíssimo som que parecia que um carro de polícia tinha entrado no quarto! Comecei então a tentar comprar ingressos, primeiro para jogos no Itaquerão e no Maracanã. Mas toda hora que tentava efetuar a compra, o site dizia que os ingressos já tinham sido vendidos para outras pessoas. Até que decidi tentar comprar um jogo para o Mineirão em Belo Horizonte (capital de Minas Gerais) e acabei conseguindo comprar dois ingressos para o grande clássico Colômbia versus Grécia, que ocorreria no dia 14 de junho de 2014, um sábado, as 13:00. No mesmo dia, reservei pelo site booking.com duas diárias para duas noites (as noites de 13 e 14 de junho) num novo hotel de Belo Horizonte, o Soft Inn.
            Assistimos a abertura da Copa em casa, no dia 12 de junho, quinta-feira, com nossas duas cachorrinhas vira-latas (a Laila e a Vênus) devidamente trajadas com lacinhos verdes e amarelos e com nosso sobrinho de Sorocaba, o Paulinho que estava passando uns dias aqui. Como acompanhamento, bebemos diversas cervejas diferentes feitas de trigo que o Paulinho (que se mostrou um bom especialista no ramo) tinha escolhido numa ida a um supermercado da cidade: uma delícia! Aliás, diversas delícias! Foi um jogo emocionante, mas o Brasil ganhou da Croácia por 3 a 1. Então depois de muita comemoração, começamos a nos preparar para a longa viagem de Ubatuba até Belo Horizonte de carro que faríamos no dia seguinte: 720 km.
            No dia seguinte acabamos acordando mais tarde do que deveríamos, tomamos café, terminamos de aprontar as malas e lá pelas 11:00 da manhã partimos. Fomos escutando alguns “podcasts” que baixei do site jovemnerd.com.br, uma dica que o Paulinho nos deu. Baixei vários (quase) 50 “podcasts”=debates sobre diversos temas “nerds”; alguns deles de análise de filmes como Matrix ou Blade Runner). Baixei estes podcasts (ou nerdcasts) em mp3 para um pen drive, para podermos escutar no aparelho de som do carro. Na viagem de ida e volta, creio que escutamos quase uns dez! Um bom passatempo para uma viagem longa como esta. Geralmente eu revezo no volante com a Divina, mas desta vez dirigi a ida e a volta inteirinha, pois não deu sono. Cada um dos podcasts tem em média de uma a duas horas de duração. Aqueles podcasts sobre assuntos mais nerds, como sobre ciência, tecnologia e ficção científica são bons, informativos e divertidos. Mas aqueles sobre história, não são tão bons: eles cometem alguns erros banais e acabam reforçando visões de senso comum, como o Paulinho já tinha me alertado.
Demos carona para o Paulinho até a rodoviária de Jacareí onde ele pegou um ônibus para São Paulo e de lá outro para Sorocaba. No caminho até Jacareí escutamos dois “nerdcats” interessantes: um sobre a história do Google e outro sobre o filme (e livro) “O Código Da Vinci”. Foi bacana, porque o Paulinho que já é um ouvinte destes nerdcasts há muito tempo, nos explicou bastante sobre este universo! Depois disso, escutamos na ida e na volta alguns dos outros podcasts, como por exemplo, aqueles sobre os seguintes temas: viagens no tempo; pós apocalipse; teorias da conspiração; Os Simpsons; Histórias Alternativas; Blade Runner.
Eu e a Divina pensamos que a Copa é boa para o nosso país e estamos percebendo que a mídia e alguns setores mais abastados da sociedade estão torcendo para as coisas darem errado durante a Copa, usando o raciocínio de que isto será bom para eles derrotarem a presidenta Dilma. Este é o raciocínio mais mesquinho que se pode ter: sabotar a copa é sabotar o Brasil (e não a Dilma). Todo mundo pode ter a opinião que quiser, é claro, sobre o governo da presidenta Dilma, mas torcer contra a Copa é de um primarismo tacanho! Se você pensa assim, talvez seja melhor parar de ler este texto... ou, quem sabe, tentar mudar de ponto de vista!
            Pegamos a Fernão Dias (a estrada federal que liga a cidade de São Paulo à cidade de Belo Horizonte), depois de Atibaia. Percorremos mais de 500 km dela e pagamos R$ 9,00 (nove reais), em seis pedágios de R$ 1,50 cada um. A concessão desta estrada foi feita no governo Lula em 2007 e adotou o critério de que ganhava a concessão, a empresa que oferecesse a menor tarifa de pedágio. Um critério bem diferente foi utilizado nas privatizações dos governos tucanos em SP e isto acabou redundando em pedágios caríssimos nas rodovias estaduais paulistas por 30 anos (que infelizmente ainda vão demorar para acabar)! É por isso que o pedágio da rodovia Imigrantes que liga São Paulo a Santos custa o absurdo de R$ 21,20 para 74 km! E que outras rodovias estaduais paulistas têm pedágios caríssimos. Os governos tucanos escolheram como critério o maior valor de outorga (valor pago ao governo do estado e muitas vezes financiado por bancos públicos) e não o menor valor da tarifa! Alguns argumentam que a Imigrantes é uma rodovia melhor que a Fernão Dias, mas isto é uma meia verdade, pois ela seguramente não é mil por cento melhor! Aliás, em nossa viagem a rodovia Fernão Dias estava até que bastante razoável! Eu não sou contra pagar um valor justo de pedágio para a manutenção de uma estrada duplicada, mas sou contra ser literalmente roubado por uma tarifa absurdamente cara de pedágio, graças a privatizações com critérios duvidosos que na prática fazem grandes empresas lucrarem quantias descomunais de dinheiro à custa dos usuários destas estradas
Chegamos no hotel Soft Inn de BH (Belo Horizonte) por volta das 22:00 da sexta-feira. Este hotel é de uma rede e funciona mais ou menos no mesmo estilo relativamente mais econômico (como o “ibis budget” antigo “formule 1”) que outros hotéis de grandes redes. Estava funcionando há apenas duas semanas e naquela noite estava abarrotado de colombianos. Aliás, toda a cidade de BH foi invadida por colombianos com suas camisetas amarelas (parecidas com as do Brasil). Um texto publicado no blog do Luis Nassif, intitulado “A impressionante invasão colombiana na Copa do Mundo do Brasil”, afirmava: “Impressionado com a verdadeira invasão colombiana. Torcida absolutamente sensacional a colombiana presente no Brasil. E eles mandaram a torcida titular, a que é acostumada a jogos de futebol. Alguns falam em cerca de 100 mil colombianos no Brasil para ver a Copa do Mundo. Invadiram. João Saldanha já disse certa feita, nos anos 80, falando sobre o fanatismo do colombiano por futebol, que no dia que o Brasil sediasse novamente uma Copa do Mundo, os colombianos iam invadir em peso. Palavras proféticas. Torcida fanática impressionante. Impressionou a imprensa internacional e a todo mundo acostumado à Copa do Mundo. Não tenho a menor dúvida: a Colômbia jogará em casa no Brasil! Isso reflete o quanto os sulamericanos estão tratando a Copa do Mundo do Brasil como uma Copa do Mundo do continente. Eles também fazem parte da festa, como se fosse organizada no país deles.” Ele termina ressaltando um comunicado da FIFA sobre este jogo que diz: “O jogo foi em Belo Horizonte. Mas, se dissessem que era Bogotá, ninguém acharia estranho, tamanha foi a presença de sua torcida na arquibancada.” Pelas informações que temos não está ocorrendo somente uma invasão de colombianos, mas de argentinos, de mexicanos, etc. Isto é muito importante para a integração da América Latina e para nos aproximarmos mais de nossos vizinhos
O Brasil gastou 8 bilhões de reais na construção dos 12 estádios. Outros cerca de 20 bilhões de reais foram gastos em benefícios reais para o país como em aeroportos, portos, metrôs, corredores de ônibus, etc. E somente durante o um mês que dura a Copa, os turistas estrangeiros deixarão no Brasil cerca de 30 bilhões de reais! Mais do que tudo que foi gasto para que ela se realizasse. Para se ter uma ideia, de 2010 a 2014 foram gastos 825 bilhões de reais pelo governo brasileiro em educação e saúde no Brasil, cerca de 100 vezes mais do que o que se gastou nos 12 estádios! Aliás, segundo a FIPE-USP, somente a Copa das Confederações de 2013 acrescentou 9,7 bilhões ao PIB do país, mais do que foi gasto nos estádios! Segundo estudo da FGV, até 2019, a Copa vai gerar 183 bilhões de reais na economia nacional! E isso se refletirá no aumento da arrecadação de impostos que viabilizará mais gastos em educação e saúde. Ou seja, a Copa vai permitir que se gaste mais com educação e saúde. Quem coloca as coias em termos de “estádios” contra “educação e saúde”, não está analisando o problema da perspectiva correta. Um ponto de vista que leva em conta a sinergia existente na economia é: bons estádios para melhorar a educação e a saúde no país.
Na parte do hotel com as geladeiras de venda de bebidas (refrigerantes) e comidas rápidas (sanduiches frios já pré-prontos), conheci uma funcionária que estava trabalhando em seu primeiro dia no hotel, seu primeiro emprego. E estava se virando para atender à multidão de hóspedes colombianos. Perguntei o que ela achava dos coxinhas que são contra a Copa. Ela disse não entendê-los e achar um absurdo, pois assim como ela, muitos conseguiram seus empregos graças a Copa. Além disso, para o Brasil a Copa é uma verdadeira alavanca para ajudar na melhoria das condições de vida, ao atrair centenas de milhares de turistas estrangeiros para o Brasil que vão gastar muito dinheiro aqui e gerar mais renda de impostos que poderão permitir aumentar gastos com educação e saúde, por exemplo!
Aliás, como já se afirmou a Copa dura um mês, mas os benefícios que ela produz são para a vida toda. Ficarão para a população das cidades brasileiras diversas obras de infraestrutura que aconteceram por causa da Copa, como a renovação dos aeroportos. Do lado do hotel em que estávamos, por exemplo, passava o “Move”, um BRT (Bus Rapid Transit) que é na verdade um corredor com canaletas exclusivas e segredadas para grandes e rápidos ônibus, com o pagamento sendo efetuado nas estações de embarque (como ocorre no sistema de transporte urbano de Curitiba). Este “Move” ia pela avenida Antonio Carlos do centro de BH até a lagoa da Pampulha (um belo passeio turístico de BH) passando pelo campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pelo Mineirão e pelo bairro São Cristovão, justamente onde estava situado o nosso hotel Soft Inn. Quando pegamos este “Move” (R$ 2,85 por pessoa) para ir ao Mineirão estávamos em dúvida se deveríamos ir de táxi (de carro não queríamos ir por causa do problema do estacionamento), mas não nos arrependemos, pois o Move foi bem visivelmente mais rápido que os taxis e os carros em geral na avenida ao lado do corredor, pois ele ia sem obstáculos pelo corredor que estava situado no centro da avenida! Ou seja, era o transporte coletivo sendo priorizado em relação ao transporte individual. Este sistema se mostrou muito bem planejado, oferecendo transporte público de qualidade e com dignidade para a população que mais necessita deste tipo de transporte!
 Na ida, pegamos o Move na estação pertinho do hotel e descemos na estação do Move mais próximo ao estádio do Mineirão, mas tivemos que ir andando os quarteirões finais a pé. A polícia estava com várias barreiras para impedir que os “Black blocs” e outros manifestantes violentos chegassem perto do estádio. Cerca de 200 destes “Black blocs” fizeram uma manifestação no centro da cidade a cerca de 10 km do estádio e foram contidos por cerca de 1200 policiais que encontraram com eles punhal, soco-inglês e outros “instrumentos”. Eu não aceito quem se manifesta cobrindo o rosto. Durante a ditadura as pessoas se manifestavam de cara aberta, assim como na campanha das diretas e na campanha pelo impeachment do Collor. Quem se manifesta escondendo o rosto é por exemplo o pessoal da KKK=Ku Klux Klan! Aliás, quem esconde o rosto é porque sabe que está fazendo algo errado e por isso tem vergonha do que faz! Esta é a verdade!
            O estádio estava abarrotado de colombianos (a torcida grega tinha algumas centenas de pessoas apenas) e também de brasileiros. Total de pagantes: 57 mil. O Mineirão estava lindo e muito seguro. Há quase 20 anos, nos anos 90, estive num congresso acadêmico em BH e fiquei hospedado no Mineirão, em uns alojamentos para estudantes. O estádio foi reformado e estava bem diferente, muito mais bem estruturado e seguro. O sistema de segurança parecia de aeroporto, com raios X verificando tudo que os torcedores portavam: eu tive que tirar o cinto da minha calça para passar no detector de metais, por exemplo.
No começo do jogo, uma decepção. A FIFA junto com a Globo decidiram televisionar apenas pouquíssimos 7 segundos do pontapé inicial em uma bola de futebol, dado por um jovem brasileiro paraplégico vestindo uma roupa robótica (exoesqueleto) conectada diretamente ao seu cérebro. Um desrespeito à ciência brasileira e ao cientista brasileiro Miguel Nicolelis que o idealizou. Para quem quiser saber mais sobre esta verdadeira sacanagem (me desculpem o termo) leia o artigo “FIFA dá ao exoesqueleto menos tempo que o de um comercial da Budweiser” disponível em: http://www.viomundo.com.br/denuncias/fifa-da-ao-exoesqueleto-menos-tempo-que-um-comercial-da-budweiser.html
No final do jogo, alguns brasileiros “coxinhas” e playboyzinhos tentaram gritar xingamentos e impropérios para a Dilma, mas várias pessoas (inclusive eu) pediram para que eles tivessem mais educação e respeito, até mesmo por que se eles estavam ali assistindo aquele jogo era porque aquela pessoa que eles estavam xingando foi justamente quem ajudou a organizar todo o evento da Copa, dando a eles a oportunidade de estar ali (uma lógica que penso que eles não conseguem entender)! Logo em seguida eles pararam com os xingamentos. Mas deu para ver que eram uns jovens com muita grana e pouca educação. Logo abaixo deste texto, publico um pedido de desculpas a Dilma (um excelente texto) pelos xingamentos, escrito pelo jornalista Luiz Caversan. Pelos preços dos ingressos para este e os outros jogos da Copa, os brasileiros mais pobres decididamente não estavam presentes. Deu para ver nitidamente, por exemplo, que existiam pouquíssimos negros no meio da torcida! A Dilma deu uma boa resposta aos que a xingaram, dizendo que durante a ditadura ela resistiu à tortura física e que não seriam uns xingamentos mal educados que iriam tirá-la de seus propósitos e fazê-la recuar de suas lutas. Creio que este episódio mais a ajudou; os que a estão xingando nos estádios, em sua suprema ignorância, nem conseguem perceber este fato: que estão justamente ajudando o objeto de seu ódio irracional! Eles estão criando uma simpatia entre o eleitorado e a presidenta Dilma. Muitas pessoas pobres devem estar pensando: se os mais endinheirados desrespeitam e tratam com falta de educação a maior autoridade constituída do país, eles possivelmente tratarão os mais humildes de um modo terrível e desumano.
 Percebemos que os mineiros (e os brasileiros de modo geral) estão sendo muito gentis com os turistas estrangeiros e mesmo com os turistas brasileiros como era o nosso caso. Várias vezes, pessoas se prontificaram em nos ajudar sem sequer solicitarmos, como por exemplo, quando parecia que estávamos perdidos.
 O estádio estava bonito, a torcida também, mas o time da Grécia estava muito fraquinho e foi derrotado facilmente pela seleção da Colômbia (por 3 a 0). Devemos aqui lembrar que a Colômbia é o segundo país mais populoso da América do Sul, depois do Brasil e na frente, inclusive, da Argentina: é portanto um país muito importante. Tem muita gente que diz que gastos com estádios são supérfluos. Não concordo mesmo. O futebol é uma paixão nacional. O Brasil é o país com melhor desempenho em copas do mundo ao longo da história e tem campeonatos nacionais e estaduais importantes. Ter estádios confortáveis e seguros para os torcedores se divertirem é SIM muito importante. Estes estádios também serão um legado para o país depois dos 32 dias que dura a Copa, assim como as obras de mobilidade urbana e os aeroportos. Acho que só quem não gosta de futebol ou nunca foi num estádio não consegue enxergar isto.
Após o jogo, saímos andando na direção do Mineirinho (o ginásio de esportes que fica ao lado do estádio) e rapidamente chegamos na Lagoa da Pampulha, um dos cartões postais da cidade. Andando pelos caminhos que a contornam chegamos rapidamente à famosa Capela de São Francisco, uma das obras mais importantes do nosso grande arquiteto Oscar Niemeyer. Ela estava aberta para visitações e entramos para conhecê-la por dentro. Foi aí que recebi um telefonema de meu irmão Roberto (o Beto) que estava ao lado da minha querida avozinha Sylvia que estava fazendo aniversário e com quem conversei pelo telefone. Foi uma feliz coincidência, pois ela, que está bem idosa, é uma católica praticante!
Para comemorar, no final do dia, pegamos um outro ônibus (não era o Move) organizado para evento da Copa, para o centro da cidade (onde chegamos rapidinho e com segurança) é lá fomos a um restaurante comer um feijão tropeiro com picanha, enquanto assistíamos um outro jogo da Copa pela televisão: estava uma delícia
O futebol é uma paixão no mundo todo. É o esporte que mais apaixona os seres humanos pelo planeta todo. Se calcula que cerca de 3 bilhões de seres humanos (metade da humanidade) assistirão aos jogos. É uma janela de visibilidade para o Brasil muito mais importante que todo o retorno financeiro que a realização da Copa em nosso país provocará. O Brasil tem condições de aumentar MUITO o número de turistas estrangeiros. Esta janela de visibilidade ajudará a tornar isto realidade nos próximos anos. O nosso país não tem problemas de fronteiras com seus vizinhos, tem ecossistemas belíssimos, cenários paradisíacos, um povo miscigenado receptivo, com uma música reconhecida no mundo todo, uma culinária única e deliciosa. Tem tudo para ser um dos maiores receptores de turistas em termos mundiais. E o turismo é a indústria que mais cresce no planeta, tem um potencial para ser um setor econômico mais limpo que outros setores e gera MUITA riqueza. A imprensa estrangeira (que não tem os interesses em jogo e a tendenciosidade anti-governo da imprensa nacional) está elogiando a Copa de 2014. Vários jornais estrangeiros estão afirmando que a Copa do Brasil de 2014 está a caminho de ser a melhor Copa de todos os tempos. Jornalistas estrangeiros (da ESPN e da BBC, por exemplo) têm escritos artigos elogiando a infraestrutura das cidades e dos estádios da Copa. Segundo o jornalista inglês Jason Davis: “Se a Copa do mundo for assim como está sendo no Brasil, que todas as Copas do Mundo sejam no Brasil”.
Em termos psicológicos, o futebol é a sublimação da guerra, por meio pacíficos. Durante um mês, 32 países fazem a guerra, só que por outros meios, de um modo pacífico. Durante muitos séculos diversos destes países fizeram a guerra de verdade entre si (e infelizmente diversos ainda continuam fazendo a guerra, muitas vezes por interesses de dominação econômica sobre outros povos). Parodiando o lema da juventude dos anos 70: faça o futebol (e o amor), não faça a guerra! A catarse coletiva no futebol se transforma em uma brincadeira. Em vez de vamos invadir o país X, a mensagem passa a ser vamos derrotar a seleção do país X. Em vez de vamos massacrar os cidadãos de uma certa nação no seu território, o lema passa a ser vamos “massacrar” o time desta nação dentro das quatro linhas do campo de futebol. Em termos antropológicos, o futebol é um “fóssil” comportamental de quando corríamos atrás da caça pelas savanas africanas: agora nós (ou pelo menos alguns de nós que nos representam) corremos atrás da bola. O Carl Sagan em um de seus livros adota este ponto de vista para analisar o fenômeno da paixão esportiva. No lugar dos totens, que simbolizavam os povos antigos em suas lutas uns contra os outros, temos hoje os símbolos, os hinos e as camisas de cada seleção. E penso que o futebol atrai tanta atenção pelo fato de ser fácil de entender e barato de jogos: basta uma bola qualquer (pode ser de meia ou improvisada de outra forma – a bola não precisa ter características especiais como no caso do basquete) e um espaço aberto para já se sair jogando. Além de tudo, o fato de os resultados terem um baixo escore (2 a 1, por exemplo, ao contrário de outros esportes onde é possível placares como 106 a 92), aumenta ainda mais a sua emoção, pois paradoxalmente aumenta a sua imprevisibilidade. Em esportes com placares com números grandes é quase impossível um time mais fraco ganhar de um mais forte. Mas no futebol isto não é tão improvável assim de ocorrer. A retranca (com contra-ataques mortais) que muitos técnicos usam é uma estratégia que, goste-se ou não, já deu muitos resultados positivos para times em inferioridade técnica.
No domingo (15 de junho), dia seguinte ao jogo que assistimos, tomamos café no hotel mesmo e as 11:00 pegamos a estrada de volta para Ubatuba. A volta foi tranquila e chegamos em casa por volta das 21:30.
Pelo que percebemos ocorreu tudo bem, neste terceiro dia da copa. Não está ocorrendo, até agora na Copa (o seu quinto dia), o caos que a grande mídia/imprensa previu. É bom lembrar que a revista Veja em uma de suas capas infames de alguns anos atrás previu que os estádios só estariam prontos para a Copa em 2038. E eu pergunto: Como uma revista como a Veja é ainda lida por quem pretensamente quer se informar? Uma possível resposta: só se for por um leitor masoquista! Aliás, é bom lembrar que o maior partido de oposição no Brasil não é o PSDB, mas sim o “PIG=Partido da Imprensa Golpista” que manipula as informações de forma gritante, dentre outros motivos, pelo fato de ter seus interesses contrariados. Não alimente o fascismo: Não dê dinheiro para a grande imprensa brasileira = Globo, Abril/Veja, Folha, Estadão, etc. A grande imprensa clamou pela intervenção militar em 1964, com exceções mínimas deu apoio ao golpe militar que acabou com a democracia em nosso país em 64. Esta mesma imprensa vai preparando o terreno para um golpe contra governantes eleitos que tenham uma plataforma progressista e de real desenvolvimento social em nosso país. A mídia claramente vai preparando o terreno psicológico para um golpe e seus articulistas vão incentivando nos seus leitores uma intolerância sem precedentes contra o outro lado: movimentos sociais, partidos de esquerda, governos progressistas, sindicatos, propostas políticas que visem uma diminuição da ainda imensa desigualdade de nosso país, etc. É só ver o nível de agressividade dos comentários dos leitores nos sites g1 e da folha: nazistas é a única qualificação possível para muitos deles. Por outro lado, os setores mais humildes do país vão percebendo a importância da Copa para o Brasil; assita, a este respeito, este curto e inteligente depoimento de uma catadora de material reciclado de BH:http://www.youtube.com/watch?v=0Sq70dWIQdY.
Um dia (depois da Copa) ainda vamos assistir a um jogo no Itaquerão. Ter construído este estádio é fundamental para a economia da Zona Leste (ZL) da cidade de São Paulo. Se calcula que a ZL tem 4 milhões de habitantes, mas que o Uruguai. É a região mais populosa e a mais pobre da capital paulistana. E o coração da maior torcida do país. Não sou corintiano (a Divina é), mas tenho que me curvar aos dados. A cidade de São Paulo comporta sim mais um estádio; a inveja de alguns torcedores de outros times impede alguns de perceber isto. Muitas das pessoas de classes mais altas que estão indo assistir aos jogos no Itaquerão, nunca tinham estado em Itaquera na vida! E estão deixando lá seu rico dinheirinho. E gerando riqueza nesta região pobre da cidade. O principal problema de locomoção da cidade são os milhões de pessoas que têm que se locomover da ZL para trabalhar em outras regiões da cidade, saturando a linha leste-oeste do metrô, por exemplo. Gerar empregos de boa qualidade perto da moradia destes cidadãos é fundamental para termos uma cidade mais justa e mais sustentável.
Parte da classe média alta continua reafirmando o ponto de vista egoísta de que seria melhor se a Copa ocorresse em outro país. É um pouco da síndrome de vira-lata, misturada com um sentimento ruim de querer se diferenciar socialmente por meio de uma experiência que os outros (os mais pobres) jamais conseguirão ter – é o que está por trás da famosa propaganda televisiva da criança que repete para a outra “eu tenho, você não tem, eu tenho você não tem”: um brinquedo, um carro, uma casa, um objeto de consumo caríssimo, etc. Para ir aos estádios tem que ter dinheiro, é claro, mas para vivenciar a experiência de conviver em um país durante um mês em que ocorre um evento como a Copa neste país, basta viver e sair nas ruas! E isso vale para todo mundo – ricos, classe média e pobres. O sucesso da Copa vai aos poucos matando o sentimento ruim por trás do bordão “imagina na Copa”.
É claro que há alguns ajustes que estão sendo feitos conforme a Copa vai ocorrendo, nos hotéis, no sistema de transportes, nos estádios, nos aeroportos. Estes ajustes finais é óbvio que acabam acontecendo em qualquer lugar do mundo. Mas pelo que vimos e soubemos tudo está ocorrendo de modo organizado durante esta Copa que está sendo sediada em nosso país.
Como torcedor brasileiro quero que a nossa seleção ganhe a Copa. Apesar de que racionalmente analisando as chances não são grandes. Mas como cidadão brasileiro quero que ocorra tudo nos conformes durante a Copa de modo a colaborar com o desenvolvimento social e a ajudar na construção de um país mais justo.
           
Um grande abraço a todos,
 Ricardo Roberto Plaza Teixeira
------------------------------------------------------
 
c
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aparecida Ramos e Recebido por e-mail (Fernando A. Freire)
Enviado por Aparecida Ramos em 23/06/2014
Reeditado em 23/06/2014
Código do texto: T4855593
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2014. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.