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O Preconceito Lingüístico na sala de aula: atitudes de professores e alunos de 7ª e 8ª séries diante da variação lingüística

PUBLICADO EM: REVISTA FAFIRE - CD-ROM - V.2 / Nº1 2009. ISSN: 1982-5862

Autores: Diogo Xavier, Priscila Nunes, Ricardo Andrade
Gláucia Nascimento (Orientadora)
Fanuel Paes (Orientador)

RESUMO

Este artigo apresenta resultados da pesquisa de iniciação científica sobre atitudes de professores e alunos de língua portuguesa perante a variação lingüística, através da análise de dados coletados em pesquisa de campo em duas turmas de 7ª e duas de 8ª séries de duas escolas públicas e uma da rede particular situadas no Recife. Com esse trabalho, procuramos refletir sobre as possíveis conseqüências negativas de posturas discriminatórias em relação às formas de falar que se desviam da norma de prestígio no desenvolvimento lingüístico do aluno.

Palavras-chave: sociolingüística - preconceito lingüístico - língua portuguesa

ABSTRACT

This article presents results of the research of scientific initiation about attitudes of teachers and students of Portuguese language upon the linguistic variation, through the analysis of informations collected in field research in two groups of 7ª and two of 8ª series of two public schools and one particular situated in Recife. With this work, we looked for to reflect about the possible negative consequences of discriminatory positions in relation to the forms of speaking that are turned aside from the norm of prestige in the linguistic development of the pupil.

Keywords: sociolinguistic - linguistic prejudice - Portuguese language

INTRODUÇÃO

Lidar com as diferenças é uma das maiores dificuldades do ser humano. Ao se descobrir a diversidade, em muitas ocasiões, manifesta-se a tensão, a intolerância e, principalmente, o preconceito, que se define como uma postura negativa, sem fundamentos, para com as diferenças manifestadas nas várias dimensões da vida humana. Uma forma de preconceito particularmente sutil é a que se volta contra a identidade lingüística do indivíduo e que, mesmo sendo combatido, no Brasil, por estudiosos da sociolingüística há pelo menos dez anos, continua a ser relevado pela sociedade em geral, inclusive na escola.
Este artigo apresenta os resultados de uma investigação realizada com o objetivo de identificar atitudes de professores e alunos diante da variação lingüística em sala de aula, com o intuito de detectar a presença de condutas preconceituosas na relação professor-aluno e aluno-aluno e analisar as possíveis conseqüências dessas atitudes em relação ao processo ensino-aprendizagem da língua materna.
Segundo Stahl Zilles, o reconhecimento da variação lingüística é condição necessária “para que os professores compreendam [...] o seu papel de formar cidadãos capazes de usar a língua com flexibilidade, de acordo com as [...] exigências da vida e da sociedade. Isso só pode ser feito mediante a explicitação da realidade na sala de aula” (ZILLES apud FARACO; TEZZA, 2005, p.73).
O desenvolvimento da nossa investigação compreendeu uma pesquisa de campo realizada no âmbito escolar, ao longo da qual fizemos uma observação sistemática das características atitudinais dos docentes e discentes de turmas de 7ª e 8 ª séries do ensino fundamental em duas escolas públicas e uma particular, todas situadas no Grande Recife cujos nomes serão mantidos em sigilo por questões éticas.
Realizamos com as professoras das turmas observadas entrevistas para avaliar sua consciência crítica a respeito da variação lingüística e observar a existência de possíveis ideologias preconceituosas. Essas entrevistas foram gravadas em MP3 e transcritas de acordo com os critérios da Análise da Conversação, a partir das orientações do NURC/RECIFE-UFPE (Projeto da Norma Urbana Culta), a fim de obter maior fidelidade na análise dos dados.  Além disso, observamos quatro aulas de cada uma, a fim de verificar de que modo elas encaminhavam as interações em sala de aula de modo a combater ou não atitudes de preconceito lingüístico.

1. O CARÁTER SOCIAL DA LINGUAGEM

Desde o início da Lingüística Moderna, com os estudos de Saussure, a linguagem vem sendo encarada como um fenômeno eminentemente social. Porém, o estabelecimento de uma ciência enfocando especificamente esse aspecto, a sociolingüística, se deu apenas em 1964, quando a Universidade da Califórnia em Los Angeles reuniu 25 pesquisadores para uma conferência sobre o caráter social da linguagem. Segundo Bright, “uma das maiores tarefas da sociolingüística é mostrar que a variação ou a diversidade não é livre, mas que é correlata às diferenças sociais sistemáticas” (apud Calvet, 2002, p.29).
Todas as línguas mudam com o passar do tempo e variam geográfica e socialmente. Segundo Possenti, (apud Faraco; Tezza, 2005, p.16), a respeito da língua, dois fatos devem ser levados em conta: “a) [...] não existe nenhuma sociedade [...] na qual todos falem da mesma forma; b) a variedade lingüística é o reflexo da variedade social e, como em todas as sociedades existe alguma diferença de status [...], essas diferenças se refletem na língua”.
Para Bagno (2005), o preconceito lingüístico é uma forma do preconceito social. Até mesmo os Parâmetros Curriculares Nacionais, publicados pelo Ministério da Educação, reconhecem a existência do preconceito lingüístico e os prejuízos que acarreta na sala de aula:

O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais deve ser enfrentado, na escola [...] Para isso, e também para poder ensinar Língua Portuguesa, a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma “certa” de falar ─ a que parece com a escrita ─ e o de que a escrita é o espelho da fala [...] Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno [...] denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos, por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico. (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 2000, p.31).

Assim, “todas as sentenças produzidas pelos falantes de uma língua são bem formadas, independentemente de serem próprias da chamada língua-padrão ou de outras variedades” (BORTONI-RICARDO, 2004, p.71). Bagno defende que à escola cabe “levar os alunos a se apoderar também das regras lingüísticas que gozam de prestígio, [...] adquirir uma competência comunicativa cada vez mais ampla e diversificada ─ sem que nada disso implique a desvalorização de sua própria variedade lingüística”. (apud Bortoni-Ricardo, 2004, p.9). A competência comunicativa vai permitir ao falante “saber coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo, considerando a quem e por que se diz determinada coisa”.(PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 2000, p.31-32).
O ensino da Língua Portuguesa também tem o papel de lutar contra as dominações sociais. Para Soares, o indivíduo deve aprender a norma de prestígio “não para adaptar-se à sociedade, mas para lutar contra ela, para adquirir essa arma que os dominantes têm [...] um instrumento de luta contra a discriminação social, [...] que permita ao indivíduo a participação política” (apud Faraco; Tezza, 2005, p.69).
Tal perspectiva, ancorada no referencial teórico que acabamos de expor, fornece o contexto de valores e de instrumentos conceituais dentro do qual desenvolvemos a pesquisa que deu origem ao presente artigo.

2. ANÁLISE DOS DADOS

Discutiremos o resultado da análise dos dados coletados nas entrevistas feitas às quatro professoras voluntárias da pesquisa, de agora em diante denominadas professora A, professora B, professora C e professora D, e nas observações das aulas dessas mesmas professoras realizadas no segundo semestre do ano de 2007.
A professora A, do colégio particular 1, que ministra aulas numa turma de 8ª série, constituída de aproximadamente 40 alunos, mostrou, durante a entrevista, uma grande afinidade com essas novas propostas de ensino, a começar pela explicitação do curso de mestrado recentemente concluído por ela na área da Lingüística. Ela aborda sua grande preocupação com a humanização do cidadão-falante, ao discutir o preconceito lingüístico e de como tratá-lo.
Em uma das observações em sala de aula, pôde-se analisar essa abordagem na prática, pois, em dado momento, um de seus alunos a interpelou interrogando-a se o certo seria “casão” ou “casarão”, e, nesse momento, a turma reagiu com gracejos. A professora, diante do fato, argumentou que atualmente este conceito de “certo” ou “errado” está ultrapassado e que o ideal seria qualificar as formas de adequadas ou inadequadas em determinado contexto de fala. Em seguida, explanou como usar determinada expressão.
Com relação à reação da sala diante da expressão lingüista proferida pelo aluno pelos colegas de classe, a docente não reagiu. Consideramos que a professora perdeu a oportunidade de combater o preconceito lingüístico e de reforçar atitudes positivas em relação a todo tipo de variação para a turma que conduz. Percebemos que essa omissão da professora representa uma certa incoerência entre o que ela diz em sua entrevista, na qual ela afirma que é um dever até político mostrar aos seus estudantes que certas gozações direcionadas a determinados modos de fala é uma atitude discriminatória, de grande gravidade na sociedade, como qualquer outro tipo de preconceito.
De fato, esse procedimento é coerente, visto que uma das tarefas do ensino de língua na escola seria, portanto, discutir criticamente os valores sociais atribuídos a cada variante lingüística, chamando a atenção para a carga discriminatória que carrega determinados usos da língua, de modo a conscientizar o aluno-cidadão de que sua produção lingüística, seja na oralidade ou na escrita, estará sempre sujeita a uma avaliação social, positiva ou negativa.
Sendo assim, podemos concluir que a professora A demonstra a preocupação com a formação da competência comunicativa de seus alunos, no que diz respeito às variações lingüísticas e seus contextos sociais. No entanto, apesar de toda uma teoria conhecida pela profissional, ela ainda não apresenta algumas práticas pedagógicas eminentes de um professor de língua que possa tornar mais viável a compreensão por parte dos alunos acerca da necessidade de respeito a todo tipo de variação lingüística.
A professora da 7º série do colégio particular, professora B, demonstrou, na entrevista, uma grande familiaridade em relação aos estudos da Lingüística em sua última formação na pós-graduação, além de um contínuo estudo com a ciência em seminários e palestras. Entretanto, apesar de ter essa realidade em sua formação, a educadora não concatenava a teoria lingüística com a prática de ensino.
Durante a entrevista, a profissional, que já está há mais de 20 anos no ofício, declarou que uma de suas maiores dificuldades era de trabalhar não apenas a escrita em sala de aula, mas também a oralidade. No entanto, apesar de saber a importância de se trabalhar a oralidade, a professora ainda permanece com essa problemática. Segundo ela, essa realidade vem desde o tempo de sua 1º formação, quando ainda se valorizava a escrita por si, e não o estudo da linguagem em sua plenitude, incluindo a prática oral. De fato só após a metade da década de 90, temos visto livros explicitamente abordando o ensino de língua falada.
Uma agravante maior é o fato de que, ao limitar o ensino de línguas prioritariamente à escrita, estaremos desvalorizando todo um léxico encontrado na oralidade, e de certa forma desvalorizando, conseqüentemente encontramos uma atitude preconceituosa face a determinadas manifestações lingüísticas evidenciadas na oralidade.
Diante a realidade apresentada, percebemos mais uma vez o quanto precisamos quebrar paradigmas no ensino de língua portuguesa, visto que vários problemas precisam ser solucionados para o bom andamento da aprendizagem de nossos alunos. Pois a língua, tanto quando a educação, vive constantes mutações, acompanhando o desenvolvimento de nossa sociedade, e nós, enquanto educadores, precisamos estar antenados para obtermos uma educação brasileira de sucesso.
Por meio da entrevista que a professora C nos concedeu, uma profissional que leciona em uma turma de 7ª série com aproximadamente 40 alunos, percebemos que ela tem conhecimento sobre o tema variação lingüística
Na primeira observação da prática em sala da professora na escola 2, sua aula versava sobre vícios de linguagem e ela disse a um de seus alunos que pleonasmo é um ERRO inadmissível. Sugeriu que os alunos nunca dissessem coisas como “descer para baixo”. Percebemos que, apesar de muita instrução teórica, essa professora tem o preconceito lingüístico intrínseco. Ao ser questionada como avalia os preceitos da gramática normativa em fazer distinção entre formas “corretas” e “incorretas” de expressão, a docente afirma, na entrevista, que não deve haver essa distinção; porém, ao ser interrogada se já havia presenciado cenas de preconceito lingüístico entre seus alunos, afirmou:

Já...  alguns alunos... eles costumam dizer... é:: ...formas... que seriam inadequadas... e aí eles usam isso tanto na fala... qua:nto... na escrita... então eles são...é:: ... vamos dizer julgados... não só pela/pelos... pelos professores... como também pelos próprios alunos... que o julgam incompetentes... então... apesar deles não possuírem a língua... a língua correta... que seria a língua padrão, eles usam formas que eles se acostumaram com isso ... as... pertencentes ao seu nível social [...]
O profe/professor ele deve ter cuidado inclusive... consigo próprio.. para que ele nã:o diga errado e certo em sala de aula... e sim adequado e inadequado... o que deve ser usado na língua informal... em entrevista para emprego... quando se vai falar com o diretor ou diretora de um colégio... ou então quando ele deve conversar com os colegas... que é uma situação informal: opinalística... então...  ele deve ter cuidado para ele mesmo não ser o agente... pro::pagador de preconceitos.
 
Queremos deixar explícito que o fato de essa professora ter o preconceito lingüístico não a torna mais ou menos preparada lingüisticamente que um professor de colégio particular, até porque ela também ensina em instituições particulares. É preciso que os professores se policiem mais para não deixar os alunos constrangidos ou até traumatizados, com a idéia equivocada de que não sabem falar português.
Na observação feita numa turma da 8ª série da escola 3, pública, pudemos detectar atitudes, tanto do professor, quanto dos alunos, que denotam pouco ou nenhum conhecimento a respeito da variação da língua. A turma observada tem em média 50 alunos que, em sua maioria, provêm de comunidades de classe baixa, nas quais têm contato e internalizam a variante popular da língua.
Com base na entrevista, vimos que o docente tem consciência de que a linguagem rural tem seu grau de importância, porém restringe essa importância à utilidade de evitar dificuldades de comunicação quando um falante urbano encontra um falante das zonas rurais. Assim como restringe a utilidade do falar rural, a professora, em entrevista, mostra ter um conceito de preconceito lingüístico limitado à discriminação às variações geográficas da língua:

eu acredito que seja: preconceito quanto a /as diferentes formas né? de linguagem... a sertane:ja... por exemplo né? todas elas são muito importante... e importante é que haja comunicação... (...) por exemplo nós nos deslocarmos é: para as regiões diversas do nosso país... se nós não conhecermos é: a linguagem deles...(...)  não vai haver comunicação entre nós
 
Sabemos que a variação lingüística tanto pode ser geográfica quanto social, quando, “em um mesmo ponto de território uma diferença lingüística é mais ou menos isomorfa de uma diferença social” (Calvet, 2002, p.90). Já que o preconceito lingüístico se manifesta contra as variações da língua, não só a variação geográfica pode ser estigmatizada, mas também a social.
Em relação à idéia de qual seria o objetivo do ensino de língua portuguesa na escola, o docente diz que a norma culta está no centro dos objetivos da escola, mas não se pode desprezar a linguagem que vem de casa nas experiências do aluno, porém não diz de que forma deve ser tratada essa linguagem, e muito menos põe em prática nas suas atitudes. Em uma das aulas observadas, em conversa informal, um aluno perguntou para outro: “tem certeza que é eu?”, então houve uma intervenção da professora, dizendo enfaticamente: “que sou eu”, seguida de deboche de alguns alunos, que não foi repreendido por ela.
Com relação aos Parâmetros Curriculares Nacionais, a professora D declarou que não os utiliza na prática diária, por ser um livro “extenso”, e porque os professores não têm tempo para ler. Sugere ainda que os PCN deveriam vir em áudio. Mas o que mais importa nessa declaração é constatarmos que o fato de não utilizar as orientações contidas nos PCN, que estão de acordo com as tendências pedagógicas advindas da lingüística, contribui para que o professor tenha uma visão equivocada dos fenômenos da língua, e transmita isso para os alunos através das práticas diárias.
Mesmo sem a professora ter mencionado, notamos que ela sofre preconceito lingüístico dos alunos, não só em relação à variante geográfica, como revelado por ela na entrevista, mas em relação ao uso de vocábulos que se desviam da norma culta. Em uma das aulas, em conversa com os alunos, a professora proferiu as palavras “estrupo” e “abessurdo”, e os alunos debocharam entre eles da construção usada. Por não notar (ou por não aceitar) o preconceito lingüístico que sofre, a professora não procura pesquisar e explicar aos alunos o fenômeno da variação lingüística e a noção de adequação e inadequação dos usos das variantes de acordo com o contexto.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em nossa formação acadêmica, temos entrado em contato com uma bibliografia atualizada da área da Sociolingüística, que nos orienta a desempenhar uma prática docente que valorize todas as variantes lingüísticas como formas legítimas de realização de nossa língua materna. Temos visto, ainda, que qualquer tipo de preconceito deve ser combatido, se desejamos contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária e que devemos, principalmente, combater o preconceito lingüístico, que, na verdade, é uma forma de preconceito social contra as camadas mais pobres da população.
Por esse motivo, surpreenderam-nos os resultados desta investigação que concluímos no final do ano de 2007, uma vez que constatamos atitudes pouco éticas em relação às expressões não-padrão de jovens estudantes, advindas de professores que expressaram claramente nas entrevistas não só conhecer as teorias da Sociolingüística, como também o desejo de contribuírem para o combate a esse tipo de preconceito. Sabendo que os estudos dessa área da lingüística têm sido cada vez mais difundidos, esperávamos encontrar profissionais que não apenas conhecessem teoricamente o tema, mas que expressassem em atitudes concretas o respeito ao modo de expressão de seus educandos.
Como demonstramos na análise dos dados, há uma discrepância ideológica entre o que as professoras entrevistadas dizem e o que elas fazem em sala de aula. Imaginamos que elas não tenham investido significativamente em reflexões acerca de algumas de suas práticas e que não tenham uma noção clara de que certas atitudes podem comprometer em parte negativamente o desenvolvimento cognitivo de muitos de seus alunos, já que é negado a eles o direito de conhecer a noção de que a língua que eles falam é legítima e digna de respeito. O modo como o professor administra situações em que o aluno é colocado como alvo de chacotas em função do seu modo de expressão lingüística não-padrão pode provocar o desinteresse desse aluno em relação às aulas de língua materna. E, pior, pode levá-lo a introjetar a equivocada idéia de que a língua dele não é boa, não é correta e que precisa ser substituída pela língua padrão, que seria a de melhor qualidade.
Esperamos que os resultados desta investigação contribuam de forma a estimular os educadores a evitarem atitudes discriminatórias contra as variedades lingüísticas que o aluno traz em sua “bagagem”, e também não deixar passar em branco situações de preconceito lingüístico entre os educandos, aproveitando para orientá-los sobre o quanto é infundada tal atitude. A mudança de tais atitudes, por estarem tão arraigadas, é difícil e exige muito estudo e muito esforço, mas é condição necessária para que as aulas de língua portuguesa possam fazer dos estudantes falantes competentes, que saibam utilizar as diferentes opções de uso ao seu dispor de acordo com suas necessidades.

REFERÊNCIAS

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______________ Por uma Sociolingüística militante. In BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a sociolingüística na sala de aula. São Paulo: Parábola, 2004.
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ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente: a língua que estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Editora Contexto, 2006.
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POSSENTI, Sírio. Não existem línguas uniformes. In FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Prática de Texto para estudantes universitários. 13ª ed. Petrópolis: Vozes, 2005.
PERINI, Mário A. Sofrendo a Gramática. 3ª ed. São Paulo: Ática, 2002.
Cristovão. Prática de Texto para estudantes universitários. 13ª ed. Petrópolis: Vozes, 2005.
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Enviado por Dx em 07/06/2008
Reeditado em 09/11/2009
Código do texto: T1024050
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