Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Esquentando os tamborins...

Confesso que eu não era lá muuuito fã do Carnaval das Escolas de Samba do Rio de Janeiro... Até conhecer a Mônica e junto com ela, em 2003, assitir pela primeira vez a um desfile ao vivo no Sambódromo, é claro.

É que eu sou paranaense, sulista, e como diria meu primo distante Ségio Bianchi em seu admirável filme "Cronicamente Inviável", "não comprendia bem o projeto carioca de país" (se é que isto existe). Inclusive aplaudi interiormente as cenas do filme, genial e maniqueísta como é, em que as belas mulatas proletárias têm seu momento anual de estrelato no que ele chama de "curral", soberbamente assistidas por suas patroas.

Mas vá lá, isto foi enquanto eu não era carioca. Ouso dizer que isto era quando eu não era brasileiro. Pois sim, é este Rio de Janeiro de todas as angústias, cartão-postal desbotado do balneário vibrante que um dia foi, que ainda carrega em seus ombros incansáveis qualquer coisa indefinível que se possa chamar de brasilidade. E sim, novamente, o Desfile das escolas de Samba do Grupo Especial é realmente o maior espetáculo da terra. Em que pese tudo de errado que permeia a festa - das ligações mal-explicadas entre as comunidades e seus "líderes" aos lucros enormes (da LIESA, como quer o prefeito?) e/ou prejuízos incabíveis (da Prefeitura, como querem seus detratores?), do alto preço das participações especiais à máfia dos ingressos - o Desfile é o momento em que o Brasil é maior.

Fica na minha cabeça sempre que passo por lá - o que faço todo dia - a grandeza do grande circo de concreto desenhado pelo Arquiteto, a nos lembrar que aqui, sempre é Carnaval. Grafita minhas lembranças a impossível viagem dos gigantescos carros alegóricos, que saem dos barracões longínquos em direção à cidade todos os anos, o trabalho insano e genial dos artesãos, a capacidade de organização deste povo - que todos crêem ser capaz de NADA - ao recriar ali, na Avenida, seus medos e alegrias, suas histórias, nossa História. Viajamos pelo país de uma forma que mil especiais da Globo ou do Discovery Channel jamais serão capazes de fazer, encontramos a nós mesmos na cadência do samba que as novas gerações estão começando a redescobrir (pelo menos aqui no Rio, vide a Lapa fervilhante), encharcamo-nos de chuva, felizes (quando há chuva) ou assistimos o romper do sol em estado de graça, inebriados pelos tambores o e os corpos, pelas luzes e brilhos e gigantes que desfilam diante de nós.

É algo que todo brasileiro deveria assistir, pelo menos uma vez na vida. Despojados do cinismo da mídia e da insipidez das transmissões televisivas, uma maioria de nós talvez tivesse a oportunidade de viver uma epifania como jamais imaginou.

Este ano Monicat estará lá, pelo G.R.E.S Beija-Flor, de Nilópolis. Acompanho ainda meio de longe suas andanças pela Baixada, seus contatos com a Comunidade e a alegria de todos em recebê-la, a gentileza dos envolvidos em todos os aspectos da organização, sua empolgação em esperar "o dia".

Com certeza estarei lá também, refestalado em minha cadeira, esperando as surpresas de todo ano - os desfiles impecáveis e os empolgantes, os sambas que murcham e os que crescem na Avenida, a voz de Jamelão e negunho inconfundíveis nos alto-falantes, as palmas incontidas a cada nova "travessura" dos carnavalescos.

Só não ligo para as celebridades. Este ano, menos ainda.

Este ano minha celebridade é você, minha musa, minha querida Mônica. Você e seu sonho realizado.
Renato van Wilpe Bach
Enviado por Renato van Wilpe Bach em 22/01/2006
Código do texto: T102525
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Renato van Wilpe Bach
Ponta Grossa - Paraná - Brasil
95 textos (17729 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 13:08)
Renato van Wilpe Bach