Educação e o uso de novas tecnologias

A MOLDURA DA PROPOSTA – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

No que tange à tecnologia são recorrentes os conflitos inter-relacionais. Enquanto crianças e jovens parecem já nascer com pleno domínio do seu uso, as gerações mais antigas apresentam maiores resistências, não por incapacidade mas, pelo simples medo da inovação.

Segundo Rada, a tecnologia geral e da informação em particular, sempre esteve ligada à educação desde os tempos imemorias, transformando seus métodos, conteúdos e capacidade de cobertura. “ A complexidade da aplicação de tecnologia aos sistemas pedagógicos e de pesquisa se deve ao fato de que afeta tanto o conteúdo como sua transmissão,e a relação entre estudantes e professores (RADA, 2004).

A multimídia não é simplesmente uma tecnologia, mas sim uma forma de apresentar conteúdos e conhecimentos ( RADA, 2004) Bonilla traz que é preciso superar a representação da tecnologia como ferramenta ou instrumento. Ela defende o uso de tecnologias numa visão estruturante. Dentro desta, a tecnologia não é concebida como um instrumento ou ferramenta de reprodução que está posto mas, como meio de reconstrução das relações, estruturante de outras formas de ser e estar.

A informática não deve ser oferecida como uma disciplina do currículo, ela deve fazer parte, integrar as outras disciplinas. A informática, a escrita e a oralidade são considerados como “ tecnologias”, porque “ reorganizam a visão de mundo de seus usuários, modificam seus reflexos mentais, suas formas de comunicação e organização, sua ecologia cognitiva”. São “importantes fontes de imaginário, entidades que participam plenamente da instituição de mundos percebidos” (BONILLA, 2005).

Assim, ligada à educação, as novas tecnologias “ rearticulam em unidade processual rica de virtualidades as demais linguagens, transformam a oralidade e a escrita, sem nunca dispensá-los e suas formas anteriores e colocam desafios outras à educação escolar”( BONILLA, 2005). através da conexão com a internet, forma-se um novo espaço da comunicação, o ciberespaço, e estrutura-se uma nova forma de pensamento, um novo gênero de saber, uma nova cultura, a cibercultura”( IDEM) Esse novo espaço tem como características a hipertextualidade e a interatividade que tem como características a virtualidade, a não-linearidade, a multivocaliade, o tempo real, a simulação.

Segundo Cagliari, alguns educadores têm a concepção de que é com a restrição, com o processo linear , hierárquico e sob estrito controle que se processa a educação. Nesse sentido, toda atividade individual de busca do próprio caminho, de auto-correção não programada é considerada fora do controle. Porém, o processo de construção de conhecimentos é tão complexo que não admite tal caminho, tal camisa de força ( CAGLIARI, 2005). È dessa forma que a não linearidade, as ilimitadas possibilidades da informática estão relacionadas com o processo educacional.

Para Piaget, o desenvolvimento intelectual resulta de combinações entre os conhecimentos que a criança já possui com os novos oferecidos pelo meio, a interação organismo/meio ( PIAGET apud KRAMER, 1989) A escola deve favorecer a realização de atividades desafiadores que provoquem desequilíbrios e reequilibrios sucessivos , promovendo a descoberta e a construção do conhecimento. Os principais objetivos educacionais consistem na formação de homens” criativos,,incentivos e descobridores”, na formação de pessoas críticas e ativas e fundamentalmente, na construção da autonomia.( IDEM). Nota-se então o importante papel das novas tecnologias que contribuem significamente para a otimização de todos esses objetivos.

Philippe Perrenoud em seu livro novas competências para ensinar indica a utilização de novas tecnologias como a oitava competência reconhecida como prioritária na formação contínua dos professores do ensino fundamental. De acordo com Perreound os professores podem utilizar os editores de texto; explorar as potencialidades didáticas dos programas em relação aos objetivos do ensino; comunicar-se á distância por meio da telemática e utilizar ferramentas multimídia no ensino. (PERRENOUD, p. 21).

Muitas das problemáticas educativas atuais passam por desencontros geracionais entre os nativos e imigrantes digitais. Quem foi educado na mente letrada (cultura analógica) vê-se desafiado a educar mentes virtuais (cultura digital). Mesmo frente a tal dificuldade, os professores não podem continuar ensinando como foram ensinados e faz-se necessário educar no que não se foi educado. Para serem educadores na sociedade digital devem despojar-se dos modelos que lhes foram oferecidos por seus professores enquanto os educavam em uma cultura analógica.

REFERÊNCIAS

BONILLA, Maria Helena S. e PICANÇO, Alessandra A. Construindo novas educações. In PRETTO, Nelson de L. Tecnologias e novas educações. Salvador: EDUFBA, 2005 (Educação, comunicação e tecnologias, vol. 1);

BONILLA, Maria Helena. Escola aprendente: para além da sociedade de informação. Rio de janeiro: Quartet, 2005 (Série Cibercultura e educação)

RAMAL, Andrea C. Cibercultura: hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002;

RADA, Juan. Oportunidades e riscos das novas tecnologias para a educação. In TEDESCO, Juan. Novas tecnologias: esperanças ou incerteza? São Paulo : Cortez, 2004;

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligências: o futuro do pensamento no uso da informática. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993;

KRAMER, Sônia. Com a pré-escola nas mãos. São Paulo: Àtica, 1989;

CAGLARI, Luiz C. Alfabetização e lingüística. 10ª Ed. São Paulo: Scipione, 2005. (Pensamento e Ação no Magistério);

PERRENOUND, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed.