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Senhor, trata-me amanhã como tratei os outros hoje

Deus, o criador delegou ao homem um direito sobre a "natureza" e, por outra lado, esse Deus exige pouco quanto ao respeito a ordem natural, pois ele mesmo na BÍBLIA, não a respeita.
Nas profecias de Ezequiel, Javé fala ao inspirado e descreve o mais belo cedro do Líbano. Nos galhos dessa árvore pousavam todos os pássaros do Céu, sobe seu abrigo ficavam todos os animais, a sua sombra viviam numerosas nações...
e Deus então abate essa árvore por ela ter crescido além da conta.
Tal é a triste condição do espírito humano, que conhece melhor as revoluções dos corpos celestes do que as verdades que o tocam de perto e que importam em sua felicidade.
As vezes penso que somos uma "massa da mandioca" que fincamos nossos pés ao chão e nos acomodamos com a exarcebada Fé nas esperanças compradas, que dias melhores virão, sem que para isso, não seja necessário reais ações e atitudes do ser humano.
Esse FÉ-natismo representa bem a nossa cegueira, as repetições mastigadas e mal digeridas, as lavagens cerebrais constantes, aceitas é claro, pois quem se preserva, não vende facilmente sua maior preciosidade: o livre arbítrio para fazer boas e necessárias triagens na massa manipuladora de verdades, de crenças, idéias e ideais pré-cozidos.
A esperança pode tornar menos difícil suportar o momento presente e aí sempre aparecerão aqueles vendendo oportunisticamente essas esperanças que faz o populacho se oferecer a uma sempre e certa "servidão voluntária".
As relações que existem entre o homem e deus são relações de dependência, de Escravidão, que os submetem a um Ser perfeito e suposto criador de todas as coisas, a um senhor soberano que somente a si reservou o direito de ser ao mesmo tempo legislador e juiz, somente ele pode ser a um tempo uma e outra coisa.
Atos e pregações religiosas que povoaram o universo de falsas divindades e que inventaram um mundo invisível de espíritos encarregados de governar a Terra. Esses homens audaciosos que ousaram enganar seus semelhantes para servi-los e que arrastaram a ignorância temerosa ao pé dos altares. Apresentando aos homens objetos fora do alcance dos sentidos, forçando a respeitar para se concentrar nesse único fim.
Tais "Atos e pregações" produziram e fizeram dos homens uma multidão de cegos, então, alguns homens sensíveis e contrário a essa escravidão tentaram e alguns ainda tentam levar suas opiniões aos sentidos da razão e tais opiniões os enganadores, profissionais da fé, consideram funestas a essa escravidão.
Alguém (não lembro quem) disse sobre as igrejas que media o nível de ignorância de uma cidade pelo número de suas igrejas em proporção a sua população.
Deus é o caminho, mas tem que pagar o pedágio para padres e pastores.
A hipocrisia e o comércio das igrejas onde se cultua a FÉ individual das orações do CONSEGUIR para TER tem um alto fator contributivo no processo intencional de manipular, modelar e saquear materialmente e intelectualmente a massa.
A grande questão que deu origem a filosofia, a ciência e a religião é uma só:
Por que é que existe alguma coisa e não nada?
De fato essa questão gerou a preocupação humana de tentar explicar porque as coisas existem.
Existe algum sentido para a realidade? Existe algum sentido para a vida? Por que é que existimos?
Ou será que  somos apenas então somente seres que existem e depois falecem?
Por que é que existe alguma coisa e não nada?
Para as respostas a essas perguntas há 3 fontes especulativas: na filosofia, na ciência e na religião.
A religião é uma dessas fontes, não é a única e nem a melhor. Mas, é a mais podero$a, pois a religião, por lidar com coisas que são improváveis, ela tem um ar de mistério muito mais carregado do que a ciência e do que a filosofia.
Tudo aquilo que é improvável ganha um ar de encantamento esplendoroso.
Até hoje, a ciência, a filosofia e a religião tem se mostrado impotentes para demonstrar as razões da existência do universo da consciência humana.
Não são nos princípios conflitantes dos manuais religiosos, filosóficos e científicos que vamos chegar a ter a real percepção que tudo e o fato sim é SABER e TER a "percepção consciente" de quanto há de imbecilidade em nossas mãos, em nossos pensamentos (cheios de egoísmos e vaidades), em nossas mentiras e falsidades, nas aparências exibicionistas do querer ser o que não é,  e em nossas ações e atitudes.
As pessoas raramente analisam as conseqüentes intenções das realidades forjadas. Os crédulos simplesmente aceitam tudo e ridicularizam o exercício do pensamento e do raciocínio.
Será que isso é bom para a raça como um todo?
O exercício do raciocínio questionador serve para evitar que as pessoas se entreguem a todo tipo de pensamento e sejam presas fáceis de qualquer idéia que apareça pela frente. Se houvesse um pouco a pratica desse exercício, a inteligência humana não seria presa fácil a tanto comércio de interesses e
intenções. O ambiente muda o comportamento.
Só vamos conquistar e realizar alguma coisa quando deixarmos de aceitar e acatar qualquer forma de manipulação, quando deixarmos de ser massa de manobra, quando organizados, soubermos criar e utilizar os mecanismos e os aparelhos necessários para enfrentar esses conceitos, essas "verdades" oportunistas.
O Ontem é história, cheia de bons e maus exemplos.
O hoje é agora, e...
O amanhã depende de nós...
Acordarmos com a VONTADE de querer seguir em frente, deixando um rastro de dignidade e coragem.
A coragem não é a ausência do medo.
É a sua presença mais o desejo de enfrentar e seguir em frente.
Todo organismo deve fazer tudo para sobreviver da melhor maneira possível e a maneira pela qual um ser humano sobrevive é usando sua mente para o benefício da sociedade como um todo.
O mundo poderia ser um pouco diferente se as igrejas doutrinassem seus fieis para que, ao se deitarem a noite, dirigissem assim a deus:
"Senhor, trata-me amanhã como tratei os outros hoje".
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 09/02/2006
Reeditado em 11/02/2006
Código do texto: T109672
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 54 anos
241 textos (218114 leituras)
21 áudios (3298 audições)
5 e-livros (510 leituras)
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Plínio Sgarbi