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A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO E DA APRENDIZAGEM NA ESCOLA

                                                          Márcio Balbino Cavalcante*
                                                     

Uma importante função da escola é contribuir para que o aluno organize seu pensamento a partir do conhecimento informal, da cultura que adquire em ambientes não-escolares – ou seja, atuar na sistematização do conhecimento científico e na formação de conceitos.
O aluno, no entanto, não é o sujeito passivo no qual  depositamos conhecimentos e informações, uma aprendizagem que o educador Paulo Freire chama de visão “bancária” da educação. O ponto crucial do processo de ensino e aprendizagem deve levar em consideração os conhecimentos prévios dos alunos, construídos a partir da vivencia em diferentes conceitos. Consideramos o papel ativo do aluno na formação de seu conhecimento, estimulando-o a ocupar seu lugar de sujeito atuante na sociedade, como agente de transformação.
O conceito de conhecimento para qual convergem as teorias contemporâneas aproxima-se cada vez mais da idéia de que conhecer é construir significados, o que faz a partir das relações que o sujeito estabelece entre o objeto a conhecer e sua própria capacidade de observação, de reflexão e de informação. Ensinar é, pois, ajudar a aluno a construir significados.
O conhecimento não é, portanto, algo situado fora do individuo e que ele simplesmente adquire, nem algo que ele constrói independentemente da realidade e dos demais indivíduos. É, antes, uma construção histórica e social na qual interferem fatores de ordem cultural e psicológica.
Ao analisar a aprendizagem significativa, devemos considerar a apropriação dos conceitos na perspectiva do senso comum, isto é, dos conceitos não-científicos. Para Ferreiro & Garcia (2000), “as noções cientificas, segundo Piaget, foram inicialmente extraídas das noções do sentido comum, e a pré-história dessas noções espontâneas e comuns pode permanecer para sempre desconhecida para nós”. É aí que se legitima a relação entre o método histórico-crítico e o psicogenético, na comparação natural e o científico, ou seja, o conceito espontâneo e o científico.
A aprendizagem é condicionada, de um lado, por sua estrutura cognitiva – seus esquemas de conhecimento que englobam tanto o nível da organização do pensamento como os conhecimentos e experiências prévias e, de outro lado, pela interação com outros indivíduos.
Para César Coll (1994), a primeira condição é que o conteúdo possua uma certa estrutura interna, uma lógica intrínseca, um significado em si mesmo. Dificilmente o aluno poderá construir significados se o conteúdo de aprendizagem é vago, está pouco estruturado ou é arbitrário; isto é, se não é potencialmente significativo do ponto de vista lógico.
 Se o projeto educacional exige ressignificar o processo de ensino e aprendizagem, é preciso preocupar-se em preservar o desejo de conhecer e de saber com que conhecimento todas as crianças chegam à escola, manter a boa qualidade do vinculo com esse conhecimento e não destruí-lo com o fracasso reiterado, garantindo experiências de sucesso, mas sem omitir ou disfarçar o fracasso.
O professor é o mediador do processo de busca de conhecimento do aluno, organizando e coordenando as situações de aprendizagem, adaptando suas intervenções às características individuais dos alunos para desenvolver suas capacidades e habilidades intelectuais.
O enfoque social dado aos processos de ensino e aprendizagem traz para a discussão pedagógica aspectos de extrema relevância, em particular no que se refere à maneira de entender as relações entre desenvolvimento e aprendizagem, à importância da relação interpessoal, à relação entre cultura e educação e ao papel da ajuda educativa ajustada à situação e às características que, cada momento, estão presentes na atividade mental construtiva do aluno.
A psicologia genética forneceu a fundamentação teórica para que pudéssemos compreender o desenvolvimento cognitivo e a forma pela qual os alunos constroem o conhecimento, indo além das descrições dos grandes estágios de desenvolvimento que foram sempre a base mais utilizada pelos educadores.
Entendemos o processo de aprendizagem na perspectiva apontada por Meirieu: a interação entre as informações e o projeto não se inicia na escola, nem nas situações de aprendizagem formalizadas; ela existe desde muito cedo e faz com que a criança, ao chegar à sala de aula, como o adulto em nível de formação, disponha de toda uma série de conhecimentos: “sabe” como funciona um automóvel, porque existe vento e como as plantas reproduzem, sabe o que é a natureza e a função de uma palavra, o que o infinitivo representa, da mesma forma que sabe por que um problema lhe é colocado e que se pode sempre ignorar esse saber e iniciar uma aprendizagem, como se nada existisse; têm-se, todas as chances de simplesmente sobrepor a esse saber anterior um saber escolar.

REFERÊNCIA

COLL, César. Aprendizagem escolar e construção do conhecimento. Porto Alegre: Artmed, 1994.

FERREIRO, Emilia; GARCIA, Rolando. Prólogo: introduccione a la epistemologia 1. El pensamento matemático. Buenos Aires: Paidos, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2004.


*Professor do Instituto Superior de Ensino de Cajazeiras - ISEC;
cavalcantegeo@bol.com.br
Márcio Balbino Cavalcante
Enviado por Márcio Balbino Cavalcante em 26/07/2008
Reeditado em 26/07/2008
Código do texto: T1099279

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Sobre o autor
Márcio Balbino Cavalcante
Passa e Fica - Rio Grande do Norte - Brasil, 33 anos
2 textos (12870 leituras)
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Márcio Balbino Cavalcante



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